12 de janeiro de 2011

Caravellus: Corsários Negros Brasileiros do Prog Metal

Um dos nomes mais fortes da cena Prog Metal nacional é, sem sombra de dúvidas, o do CARAVELLUS. Uma banda criativa, extremamente profissional, cheia de feeling e técnica muito bem equilibradas, e de forte personalidade, eles acabam de lançar seu segundo CD, o fantástico ‘Knowledge Machine’, ainda mais pesado e forte que o primeiro, ‘Lighthouse & Shed’, de 2007. Aproveitando a oportunidade, lá fomos nós bater um papo com Glauber Oliveira, um músico cuja técnica e feeling só são superadas pela simpatia.


Como esta é a primeira entrevista para o Whiplash, poderia nos contar um pouco da história da banda?
Glauber Oliveira  - Tudo começou em 2002, como um projeto de estúdio. Eu estava no meio de uma tour pelo sudeste, acompanhando um artista nordestino por lá. Voltei pra Recife com a ideia de criar algo meu, onde eu pudesse despejar todas as horas de estudo de guitarra/música nele. A Caravellus começou soando bem power metal nas duas demos que gravamos: ‘Reaching The Sky’ em 2002 e ‘Across the Oceans’ em 2004. Era um som bem mais direto. O debut ‘Lighthouse and Shed’, de 2007, foi um trabalho bem mais sofisticado em relação às demos. Tínhamos uma mulher nos vocais. Entretanto, nesse disco, nós ainda estávamos na busca de nossa própria identidade. Do diferencial. Foi um disco de estreia e de fechamento de um ciclo, originado na época das nossas primeiras demos. As mudanças necessárias foram feitas no line-up, além de muito tempo de estudo nos quesitos produção/musical para o novo álbum, e digo que o ‘Knowledge Machine’ atingiu o que queríamos: ORIGINALIDADE E QUALIDADE. Pra mim, é como se a banda tivesse atingido a fase adulta em amadurecimento.
O ‘Knowledge Machine’ foi lançado faz pouco tempo. Como tem sido a recepção por parte dos fãs e da crítica especializada? Já há alguma resposta do exterior?
Glauber Oliveira  - O feedback tem sido INCRÍVEL! As mensagens positivas e de satisfação vêm de todas as partes do mundo. O ‘Knowledge Machine’, da CARAVELLUS, tem distribuição nos Estados Unidos, México, Canadá, Alemanha, Áustria, França, Grécia, Rússia, Coréia do Sul e Japão. Especialmente no Japão e França esse álbum foi um verdadeiro estouro!! A crítica especializada, tanto nacional quanto internacional, tem sido super positiva.
Um fato que logo de cara salta aos olhos é o nível profissional altíssimo do novo CD, com a produção, seja sonora ou visual, coisa de primeiro mundo, tanto que nos é possível ter um amplo leque de interpretações da ideia geral. Mas, mesmo assim, poderia nos falar um pouco do conceito que quiseram transmitir no CD? Além disso, vocês estão totalmente satisfeitos com o resultado final?
Glauber Oliveira - Pois é, muito tempo de estudo e preparo para a produção deste álbum. Além de guitarrista, sou produtor musical/fonográfico e foram perdidas várias noites de sono na concepção deste álbum. Um dos objetivos era produzir algo tão bom quanto um álbum de banda gringa, até para acabar com esse papo de que só presta se for feito por gringo ou pelo menos em uma região X do Brasil. Bom, na minha concepção, o segredo, na maioria das vezes, está na engrenagem que fica entre a cadeira e o computador…kkk,… independente do local do globo onde isso seja feito. Em termos de concepção sonora, a CARAVELLUS está SUPER PESADA e TÉCNICA no ‘Knowledge Machine’. Guitarras na cara e com muitos riffs!
Outro ponto interessante é o vídeo promocional ‘Corsairs in Black’, muito bem feito e produzido. Como foi a concepção e a produção do mesmo? Além disso, há planos para mais um ou mais vídeos do CD novo?
Glauber Oliveira - O videoclipe foi algo mágico pra nós! Nós queríamos que o videoclipe transmitisse todo o sentimento contido na música: sobre se libertar e abandonar as velhas tristezas. Pra isso, contamos com 90 dias de pré-produção e uma super equipe capitaneada pelo SUPER DIRETOR Sílvio Gleisson. O cara é realmente uma sumidade no quesito direção. Gravamos tudo em 10 horas bem intensas. A respeito de novos vídeos, organizaremos, ainda em 2011, um material promocional com vídeos de shows da Knowledge Machine Tour.
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A música do CARAVELLUS no CD anterior tinha um enfoque um pouco mais melodioso, ao passo que o novo é mais agressivo, embora o estilo da banda não tenha sido alterado. A que você atribui esse fator? Seria por que antes era uma voz feminina, e agora uma masculina?
Glauber Oliveira - Também! Entretanto, além do vocal de Raphael ser super versátil e nos permitir experimentar multisensações durante o decorrer do álbum, isso está nítido também no instrumental. O ‘Knowledge Machine’ soa muito mais pesado que o ‘Lighthouse and Shed’ e o vocal de Raphael caiu como uma luva! Ratificando a concepção sonora do álbum!
Quanto à temática da banda, há alguma prevalência de um tema específico, ou vocês possuem um leque de opções bem variado?
Glauber Oliveira - O ‘Knowledge Machine’ é um álbum que traz letras bem reflexivas, algumas beirando o campo da subjetividade. A Máquina do Conhecimento trata sobre os medos, dúvidas e anseios da mente humana. Muitas vezes nos remetendo ao paradigma descarteano, onde estamos todos ligados a algo maior e que fazemos parte de uma grande máquina.
As músicas da banda possuem várias nuances que podemos perceber, pois o Prog Metal minimalista e bem pesado, que o CARAVELLUS faz, é cheio de influências regionais do Nordeste. A banda não tem pudores de usar elementos de sub-gêneros do Metal, gerando algo novo, mas não é apenas isso: há um forte feeling em cada trecho. Isso tudo é algo que surge de forma natural, que vem das influências diferentes de cada um de vocês?
Glauber Oliveira - O sincretismo musical é outro ponto forte! Nós usamos muito da nossa riqueza cultural pernambucana/brasileira (maracatu, frevo, cebolinho, baião… ritmos que ouvimos desde criança), além de outros elementos… eu acho que fica difícil até de citar todos eles… porque tudo rola de uma forma natural, onde tudo já está num amálgama com nossa vivência musical extra-CARAVELLUS. Assim como eu, parte da banda trabalha no mercado fonográfico profissionalmente, como músico ‘contratado’ ou ‘freelancer’ para gravações. Então, sempre nos deparamos com os mais variados tipos de estilos e ritmos. Tudo isso é realmente natural pra nós.
Hoje em dia, a cena está um tanto quanto fragmentada, com muitos assumindo para si rótulos classificatórios, ou seja, os fãs de Metal e Rock em geral se prendem a subdivisões. Mas a música de vocês é bem ampla, como citamos acima. Você acredita que o CARAVELLUS pode ser uma das bandas da nova safra, que quebra com esse tipo de mentalidade, justamente pelo uso de muitos elementos diferentes?
Glauber Oliveira - Com certeza. Essa é nossa proposta e nossa marca. Queremos provar que mesmo com tantos rótulos, é possível criar o novo e com qualidade.
CD lançado, divulgação sendo feita, mas, e os shows? Há alguma previsão para uma tour fora do Norte e Nordeste? E para fora do país, há algo em vista?
Glauber Oliveira - Nossa tour pelo Nordeste começa dia 29 de janeiro de 2011, em Maceió/AL. Pretendemos seguir, além do Norte-Nordeste, para o Sudeste do país. Nossa agência de booking vem recebendo vários contatos para uma possível tour europeia. Esperamos que todos os ponteiros se ajustem para que isso aconteça ainda em 2011.
Agradecemos por sua atenção. Então, por favor, deixe suas considerações para os fãs.
Glauber Oliveira - Queremos agradecer por todo amor e carinho que os fãs têm transmitido durante esses primeiros meses de lançamento do Knowledge Machine. Tudo está sendo mágico e queremos celebrar com todos vocês. Nos vemos em nossa Knowledge Machine Tour 2011.
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