27 de março de 2011

Listas de Melhores: referência ou baboseira ilusória?


Por muitos anos, muitos de meus amigos têm feito suas listas de ‘Os Melhores’ para a produção musical do ano corrente. Alguns chegaram ao ponto de postarem a sua lista dos 100 melhores de todos os tempos!! Do mesmo modo, eu fui solicitado a postar minhas escolhas musicais – e eu sempre neguei, por razões que eu não pude elaborar muito bem à ocasião. Recentemente, contudo, eu tive algumas conversas que ajudaram a esclarecer minha posição sobre porque eu não faço listas... e porque eu acho que listas do tipo “Os Melhores de’ não servem pra nada. Ou talvez seja eu quem não entenda.
Listas são inerentemente subjetivas, e enquanto eu me dou conta do absurdo de querer ter uma lista definitiva, há alguns problemas que eu sempre tive com esse tipo de listas. Primeiro, é IMPOSSÍVEL (ou quase) ouvir música o suficiente durante o tempo de um ano de modo a realmente ter uma noção do que foi lançado e conseguir ouvir tudo, avaliar tudo e depois classificar tudo em posições. Quando eu só ouço uma pequena fração da música disponível lançada em um ano, como é que eu posso pretender ter feito uma lista que chegue perto de ser definitiva? O problema é aumentado quando você leva em consideração todos os gêneros diferentes que você poderia ouvir. Como eu decido se um disco de death metal é melhor ou pior que um disco de pop rock?
Isso me traz a minha segunda questão. Meu gosto musical muda e varia com o tempo. Cinco anos atrás, você não conseguia me arrancar de perto de um álbum técnico, cheio de pirotecnias de guitarra. Um ano atrás, seria difícil pra meu estômago até digerir esse tipo de metal. Talvez até mesmo metal em geral. Entretanto, ao longo dos últimos meses, eu me vi de volta às audições de metal bem complexo. Se eu fosse uma pessoa obcecada por listas, isso não me colocaria numa posição onde eu precisaria ouvir aos discos que eu tinha dispensado antes? Ou é por que a música galgada em guitarra técnica esteja flertando com elementos mais melódicos para os quais eu normalmente me voltaria? O novo disco do PERIPHERY seria um grande exemplo disso. Nas mesmas linhas, pura repetição que eu teria dispensado esnobemente alguns anos atrás, eu me encontro curtindo mais e mais à medida que o tempo passa.
Por ultimo… o principal problema que eu tenho com essas listas (e essa razão se sobrepõe a tudo que eu digitei acima), é que fazer uma lista ranqueando música NÃO É o que deve fazer de ouvir música um prazer. Eu preciso saber se um álbum entraria entre meus top 10 pra gostar dele? O disco #6 na minha lista de favoritos de 2010 é tão melhor assim que o meu #7? A música não é uma competição – é uma forma de expressão. A mim basta saber que eu curto um álbum – eu não preciso saber se eu gosto dele mais ou menos do que outro álbum. Eu curto dissecar canções, riffs, solos, etc., de modo a aprender mais como músico, mas eu simplesmente não vejo o porquê de dissecar apenas para classificar em posições. Vale a pena dizer de novo... música não é uma competição – é uma forma de expressão.
Não obstante – na lista de meu amigo Jim de melhores álbuns, já houve discussão gerada entre nossos amigos sobre como ele adora ter um disco em #1 quando deveria estar em #2. Não é suficiente pra ele gostar muito daqueles dois discos? Talvez eu esteja apenas ficando velho. Eu não acho mais que seja necessário discutir sobre o gosto musical alheio.
Teve muita música boa lançada em 2010… assim como música que eu não gostei. Mesma coisa do ano anterior, e do ano anterior àquele. É o suficiente pra mim.
Fonte desta matéria (em inglês): Site Lesser Known Shit

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