Nota: 10
“One
Of A Kind” é o álbum em questão. Comparo Luppi aos citados vocalistas,
pois, tratando-se de Heavy Metal Melódico/Hard Rock, o italiano
arrebenta. Tem uma extensão vocal no mesmo nível de todos os
cantores
mencionados, cantando em tons baixos, altos e altíssimos; tem um timbre
de voz único, possui excelente técnica, canta muito bem com voz de
peito, com voz de cabeça, com voz limpa, com maior agressividade,
sussurrando, explodindo em potência; além do que, é muitíssimo bom
compositor. Ou seja, possui todas as qualidades necessárias para se
comparar aos mestres. Se você acha que é exagero, “puxa-saquismo”, ou se
você pensou: “esse é mais um fã irracional, que não vê defeitos nos
seus ídolos e acha que o cara é o melhor do planeta”, então, confira,
depois comente...Além de Michele (que é responsável ainda
pelos pianos), o line-up conta com Dr. Viossy e Davide Montorsi nas
guitarras, que também não deixam a desejar em nada para muitos grandes
por aí. A cozinha é formada por Giorgio Terenzani no baixo e Paolo
“Dimitri” Caridi na bateria. A cozinha é bastante técnica e segura
tranquilamente a “bronca” ao longo do disco.
A faixa de abertura é
uma “porrada”. Nos primeiros instantes já se percebe que o álbum foi
bem trabalhado e preenchido com arranjos e detalhes de muito bom gosto.
Os riffs de guitarra são bem montados e as linhas de baixo se encaixam
bem, na maioria das vezes controladas e, quando precisam, bastante
técnicas. Talvez ao longo do texto se torne (muito) repetitivo mencionar
o vocalista, mas, desculpem, não há outro jeito. Logo no verso inicial
já se nota que as linhas de voz são muito boas, mas é no refrão que você
entende o tamanho do “problema”. Além de melodia e arranjo excelentes, o
refrão termina com um agudo assombroso, muito alto e com muita pegada. A
seguir, surge uma passagem de piano e voz, muito bem composta, dando
sequência a um solo de guitarra na medida exata. Em suma, a música
alterna passagens médio-tempo, rápidas e de piano, intercalando-se,
funcionando incrivelmente bem. Certamente, está entre as melhores
músicas da bolacha.
Na sequencia, vem uma vinheta acústica, muito
bonita, com várias vozes sobrepostas, que, na verdade, é uma preparação
para a próxima canção, “Wheel of Fortune”. Esta é um pouco mais
cadenciada, com diversos riffs bem pesados e linhas de baixo de mesma
forma. O refrão nos proporciona uma melodia de voz sem agudos absurdos,
mas que você fica cantarolando durante uma semana só por ouvir uma vez.
Em certo ponto, ela retorna à música passada, à vinheta, mostrando que o
trabalho de composição não foi feito às pressas, um dos pontos
marcantes do disco.
A quarta música se chama “Mimicking Death”. É a
mais Hard Rock do álbum. Muito bem produzida, rica em detalhes, você
pode escutar violões bem ao fundo, várias vezes, se prestar atenção.
Mais um show nas vozes. Além das melodias, sempre surpreendentes,
Michelle mostra diversos timbres de voz, dando uma aula de impostação e
interpretação.
A seguir, “The Danger Zone”, que lembra bastante a
época do vocalista no VISION DIVINE. É a mais rápida entre as canções,
com o clássico refrão “torado” nos bumbos, como não poderia faltar. As
vozes aqui são umas das melhores passagens do álbum. O solo de guitarra é
bem técnico e com as notas escolhidas “a dedo”. Mais um momento de
piano e voz, repetindo o refrão para emocionar até o mais “coração de
gelo” ou metaleiro com barba e cara de mau. Uma passagem Hard Rock de
novo, outro solo magistral e mais refrão até o final da música.
A faixa título é a
balada.
Destaque, além da voz, que já é óbvia a este ponto, para o baixo, com
linhas muito bem feitas e um solo curto e direto depois do refrão, com
um timbre perfeito, parecendo um instrumento fretless as vezes, porém
não o é. Mais uma vez, a passagem piano/voz. A verdade é que isso é
muito recorrente no disco, podendo ser enjoativo para alguns, mas são
tão bonitas que, por mim, poderiam ser feitas até mais vezes. E só para
não esquecerem: as vozes arrebentam tudo, como sempre.
“Tommy’s Cane” é rápida e com um toque
Dream Theater
na bateria do último refrão. Boa canção, com um instrumental
diferenciado em relação ao que já se viu até aqui, mas sem inovar
deveras, verdade seja dita. Agudos sem miséria e milhares de notas nos
solos, sem perder a linha do sensato. A próxima é um instrumental de
piano, curta. Bonita, mas sem nada surpreendente.
“Walls Of
Symphathy” começa com um two hands de baixo bem composto. Bons riffs de
guitarra e com alguns agudos bem altos. Um pouco mais cadenciada, veja,
entre 2:20 e 2:43, a influência de
Dream Theater.
Não poderia ser uma passagem no meio de “The Glass Prision”? Solo bem
PETRUCCI: mecânica complicada e muitíssimo rápido. “Falling Away” é mais
um ponto alto. Com riffs que variam do Hard Rock ao Heavy Metal bem
pesado, tem um refrão “alegre” e pegajoso. Excelentes mixagens e
arranjos de voz. Backing vocals no ponto certo.
“Justify” é a mais
“arrastada” de todas. Belo arranjo de violão, piano e voz no meio. O
timbre de baixo ideal, com boas frases espalhadas ao longo da canção. O
álbum encerra com “Thy Will Be Done”. É a música que tem um clima
diferente do disco, mas é um bom encerramento. Um tanto experimental ou
progressiva, como você quiser rotular. Vozes macabras, alternadas com
passagens acústicas muito bonitas, permeiam a composição. Também mostra a
influência prog “a la”
Dream Theater, mais uma vez.
Esse é o resumo, de maneira simplista, do álbum. Se você é fã de Heavy Metal Melódico
não perca
a chance de escutá-lo. O destaque é, sem dúvidas, para a voz, pelos
motivos já explanados. Dr. Viossy se mostra um excelente guitarrista,
com bons riffs e solos. O baixo não fica atrás e faz o que é muito
difícil de encontrar no metal melódico: linhas que não sejam cópia da
guitarra ou cópia do bumbo. Nota 10, já que esse é o máximo.
Antes
de encerrar, algumas constatações: FÁBIO LIONE terá que fazer muito
tempo de aula de canto para cantar aquilo que Michelle gravou no VISION
DIVINE. TOBIAS SAMMET podia convocar o rapaz para uma participação no
próximo
Avantasia. O KILLING TOUCH deveria ter maior exposição na mídia especializada. Luppi esta à altura dos grandes vocalistas no estilo.
Comentários? andre.senra.baixista@gmail.com. Todos serão lidos e respondidos, mesmo que demore.
PS:
Se você gostou, procure ouvir o que Michelle gravou no VISION DIVINE,
sua carreira solo, a banda NEVERLAND e sua participação com o TRICK OR
TREAT (já que está lá, veja também a participação de MICHAEL KISKE, vale
a pena). E, para dar risada,
assista no YouTube ele cantando, em italiano, a abertura do desenho “Hello Kitty”.
Killing Touch – The Touch – 2009
1 – The Touch
2 – Black Ice
3 - Wheel Of Fortune
4 – Mimicking Death
5 – The Danger Zone
6 – One Of A Kind
7 – Tommy’s Cane
8 – Still Walking
9 – Walls Of Sympathy
10 – Falling Away
11 – Justify
12 – Thy Will Be Done