21 de novembro de 2009

Discos Marcantes de Van Morrison II








Van Morrison - Moondance (1970)

Origem: Inglaterra

Produtor: Lewis Merenstein – Van Morrison

Formação Principal no Disco: Van Morrison – Jeff Leibes – Gary Mallaber – Guy Masson – John Platania – Jack Shoerer – Colin Tilton -

Estilo: R'n'B / Folk Rock / Jazz

Relacionados: Them; The Zombies; The Beatles

Destaque: Into The Mystic

Melhor Posição na Billboard: 29º

Quando Van Morrison deixou o Them, em fins de 1966, a insigne banda irlandesa perdeu um excelente crooner, mas o mundo ganhou um dos cantores/compositores pop mais instigantes de todos os tempos. Ao fazer uma de uma lírica peculiar, músicas altamente palatáveis e arranjos originalíssimos em produções impecáveis, o autor de Brown Eyed Girl se tornaria um intérprete único. Mesmo que não seja tão bom quanto o seu álbum anterior, Moondance tem vida própria: é um disco mais otimista, mais acessível, mais eclético, mais surpreendente. Mais: aqui, ele mostra que um cantor pode ser mais transcendente do que um cantor qualquer. Uma música é melhor do que a outra. Moondance também é o disco que o consolida como artista maior, ao conseguir o seu primeiro milhão de cópias – e num trabalho que vai além da linguagem comercial ou de época. Moondance não fala de depressão maníaca, misteriosas viagens mágicas, de guerras, de flores, de violência espiritual ou de pedras rolantes. É atemporal, é arte pela arte, é pura poesia. Em vez de manter uma fórmula em todas as faixas, Morrison muda a cada canção. Bebe em várias fontes, sem parecer copiar gêneros, de uma maneira simplista. Se jazzifica no tema que dá nome ao álbum. Muda a própria (rascante) voz e soa como Marvin Gaye em Crazy Love, numa das interpretações mais surpreendentes de sua carreira. Em Caravan, ele recorda seus tempos de vida rural em Woodstock, Nova Iorque. E o arranjo não é gratuito: lembra perfeitamente The Band (The Weight, mais precisamente, dirão alguns). Como não poderia deixar de ser, é a turma de Robbie Robertson e Rick Danko que o acompanha na sua performance em The Last Waltz, o canto do cisne do conjunto norte-americano. Em Come Running, ele volta a ser o Morrison de Brown Eyed Girl, leve e jovial, com uma suave e breve canção de amor. These Dreams Of You é um blues com um naipe de metais (e um solo de clarineta) que suavizam a letra rude (ele fala de ter sonhado com a morte de Ray Charles, que, por sinal, caberia como uma luva na música). Brand New Day, quase um hino gospel, é uma memorável e emocionante baladona soul ao estilo Salomon Burke (ou Otis Redding) de arrepiar, com um backing negro de dar inveja à Aretha Franklin. Como se não bastasse, Morrison sai do solo americano e volta para as festas de aldeões da Irlanda folclórica em Everyone, uma canção alegre que lembra uma peça rápida de suíte barroca, breve, alegre e ingênua, com uma flauta transversa e um prelúdio de clavineta a Scarlatti – cujo experimentalismo do arranjo e a jovialidade da letra soa (surpreendentemente ou não) como nos melhores momentos dos Zombies do Odessey And Oracle. Glad Tidings fecha perfeitamente, com uma canção bem pop britânico sessentista que lembra vagamente...Brown Eyed Girl. Contudo, de longe, a melhor de Moondance é Into The Mystic. A letra, por sinal, é inspiradíssima: (ouça o lamento do marujo/respire o mar e sinta o céu/Permita que sua alma navegue pelo místico/quando a buzina de névoas soar/eu quero poder ouvi-la/não quero temê-la/quero mexer com tua alma cigana/como se voltássemos aos tempos de outrora/então iremos flutuar de forma magnífica/através do místico”). Curiosidade: segundo pesquisa da BBC, ela é uma das canções mais usadas por clínicos como música ambiente na hora de irem para a mesa de operações (!).


Faixas

* Todas as canções compostas por Van Morrison.
Lado A

1. "And It Stoned Me" – 4:30
2. "Moondance" – 4:35
3. "Crazy Love" – 2:34
4. "Caravan" – 4:57
5. "Into the Mystic" – 3:25

Lado B

1. "Come Running" – 2:30
2. "These Dreams of You" – 3:50
3. "Brand New Day" – 5:09
4. "Everyone" – 3:31
5. "Glad Tidings" – 3:42

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