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Tudo isso e muito mais...
Tenho certeza que a 1ª reação de qualquer um que escutar essa demo será a mesma que eu: susto. A banda extremamente jovem (a média de idade é 18 anos) de Campinas investe num thrash mais grooveado, com nítidas influências de Pantera e Machine Head antigo - mas com um ódio ímpar.
Chega a ser sacanagem o quanto as guitarras de Korvo e Jhonny ficaram pesadas, não dá pra acreditar que é demo! Palmas pro produtor (até onde sei, é o Ricardo Piccoli do Sunseth Midnight) mas não espere muita palhetada, punhetagem ou alavancas: o investimento é basicamente em acordes densos mesmo, chega a ser quase palpável. O baixo de Piu Loko segue a melodia bem em cima das guitas, deixando a bateria de Bruno com suas marcações pessoais, nada técnicas, simples mas muito competentes - dá até pra sentir um cheiro de Igor dos bons tempos ali.
Então entra o vocal - e é aí que vem o susto. A desgraça que a garganta de Taty Kanazawa (anotem esse nome) faz é qualquer coisa de assustador, lembra uma mistura de Phil Anselmo com um Max Cavalera ainda mais colérico… na 1ª vez que os vi ao vivo, não dava nada: moçadinha com guitarras e mulher no vocal. Imaginei um Nightwish, Epica e demais porcarias - nunca foi tão bom chutar fora! Postura de palco ótima, amps no talo e uma vocalista urrando como uma ursa com TPM e cefaléia crônica. Lindo, tal de Angela Gossow parece uma paquita!
Capinha bacana e CD com boa impressão, vamos às (poucas) faixas: a Intro nem dá tempo de encher, por ser rapidinha e de uma belíssima e macabra cena da 7ª arte - quem arrisca um palpite sobre qual o filme, depois de ouvir? "Closed Eyes" começa super cadenciada, quase arrastando, mas logo entra uma paulada - aliás, algo em que precisam investir urgentemente. O ritmo cai novamente pra uma levada mais groove, caindo num refrão raivoso e pesado… o final à la "Dead Embryonic Cells" ficou ótimo.
A coisa melhora em "Sacred Wood": trampo de acordes bacana no começo, arriscando mesmo uns bends harmônicos no riff principal. O vocal de Taty ganha novas dimensões no refrão, apresentando uma bem balanceada harmonia vocal e backings urrantes… após o longo solo, finalmente a pancadaria volta a comer solta.
Agora a cereja do bolo é mesmo "Poor Souls": andamentos já mostrando mais identidade, assim como o pessoal arriscando e mostrando mais segurança nos instrumentos. O refrão é excelente, gruda na hora no ouvido - alterna uma voz extremamente sensual com um troll surtando no fundo, maravilhoso!
Só não levam um 10 pois essa é a 1ª demo, e têm que continuar a se esforçar assim nos próximos trabalhos… quero ver os próximos ainda melhores que esse. Recomendadíssimo a quem curte mais pêso que porrada no thrash - e por isso mesmo, reforço minha opinião de que têm que meter o pé no acelerador. Grande estréia!
Nenhum outro ícone do rock é mais enigmático do que FREDDIE MERCURY. O cantor, que deixou a improvável Zanzibar (Tanzânia) ainda na adolescência, conquistou fama e prestígio no mundo inteiro com a sua banda – o QUEEN – em vinte anos de carreira. No entanto, o músico de origem persa sempre foi tímido e avesso a entrevistas. Em razão dessa lacuna deixada na história da música, o escritor francês Selim Rauer buscou remontar a sua vida na obra “Freddie Mercury”. O livro, que não chega a abordar as polêmicas e os fatos desconhecidos de bastidores do seu ex-grupo, constroi uma interessante cronologia do nascimento à morte do vocalista.
Em cerca de trezentas páginas, o filósofo e escritor (de poemas) Selim Rauer reconstruiu satisfatoriamente bem quase todos os passos de Mercury – a partir do seu nascimento em setembro de 1946 até a sua morte em novembro de 1991 – nessa biografia. O cantor, que assinava Farrokh Pluto Bulsara como nome verdadeiro, vendeu mais de duzentos milhões de discos e pode ser apontado como a primeira celebridade a morrer em decorrência da AIDS. Por outro lado, o QUEEN – a sua banda – é considerado o maior representante de rock de todos os tempos (de acordo com uma enquete promovida pelo jornal inglês The Daily Mail). Para escrever sobre a vida de FREDDIE MERCURY, Rauer recorreu a um pequeno arquivo de textos (livros) e vídeos sobre o cantor. A obra, que poderia adquirir profundidade a partir de entrevistas que sequer foram realizadas, deixa a ideia no ar de que o vocalista merece uma biografia ainda mais completa sobre a sua carreira.
De qualquer modo, a qualidade do texto se sobrepõe aos pequenos defeitos do livro (inclusive de tradução). A dificuldade em encontrar conteúdo sobre a vida de FREDDIE MERCURY – sobretudo entrevistas concedidas pelo cantor – é que determinou o direcionamento de “Freddie Mercury” a partir de uma revisão de títulos já existentes sobre o vocalista. Embora possuam uma importância fundamental para a história, as vozes de David Evans (um dos amantes de Mercury), Wendy Alison (a sua amiga mais próxima e herdeira do seu espólio) e de Peter Freestone (assistente particular do músico por mais de uma década) apenas contornam o relato de Rauer. A história inicia ainda na infância de Farrokh Bulsara, que muito cedo deixou a casa dos pais em Zanzibar, na costa da Tanzânia, para estudar em um internato de rigidez inglesa em Bombaim, na Índia. As dificuldades de relacionamento no colégio – em decorrência da distância impactante de casa e da sua homossexualidadereprimida desde cedo – marcaram em definitivo a personalidade reprimida do futuro cantor do QUEEN.
Para não sofrer diariamente com os apelidos “dente de coelho” e “mocinha”, o jovem Farrokh Bulsara encontrou na música e na arte a sua válvula de escape. Desde os sete anos isolado na St. Peter’s School, Freddie iniciou as aulas de música e de desenho ainda no primário. O apoio dos seus professores e o sucesso dos BEATLES foram fundamentais para que Mercury optasse pelas artes na Escola de Isleworth na sua adolescência, já em Londres (para onde se mudou com a família após deixar o internato em 1964). A sua personalidade instável não prejudicou em nada a sua adaptação à capital inglessa. Em 1996, FREDDIE MERCURY se matriculou no Ealing College of Art para dar continuidade aos estudos (em nível superior).
Na época da faculdade que FREDDIE MERCURY viu as oportunidades aparecerem. Em um quarto alugado em Kensington e passando por dificuldades óbvias para uma vida independente dos pais, Freddie Bulsara conheceu o estudante de física Brian May e o estudante de odontologia Roger Taylor. Os dois, que dividiam um pequeno apartamento com Tim Stafell, formavam uma banda, chamada SMILE. O cantor, por outro lado, se mudou por um curto período para Liverpool para atuar junto ao IBEX. No entanto, com a mesma rapidez que os projetos nasceram, os dois encerraram as suas atividades poucos anos depois. A óbvia união do trio – sem o guitarrista/vocalista Tim Stafell – é apenas uma decorrência dessa proximidade. Desse modo, emm junho de 1970 nascia o QUEEN (nome escolhido por Mercury) em um show marcado no Hotel de Truro, na capital inglesa.
Embora os três tenham encontrado dificuldade para efetivar um baixista na banda, no ano seguinte John Deacon – sétimo músico a ser testado para o posto – se juntou ao QUEEN, que já possuía músicas prontas, como “Stone Cold Crazy” e “Seven Seas of Rhye”. A banda, que mesmo recusada por gravadoras como a Decca e a EMI, não perdeu as esperanças. O quarteto se juntou ao produtor Ken Testi (que era do IBEX) e à dupla Norman e Barry Sheffield (do Trident Studio) para gravar as suas primeiras músicas. O horário ingrato destinado ao QUEEN – entre 3h e 7h da manhã – sensibilizou os outros músicos que gravavam no mesmoo estúdio, como PAUL MCCARTNEY e DAVID BOWIE, que muitas vezes cederam seus horários prioritários ao conjunto iniciante. Em julho de 1973 saiu o primeiro álbum da banda, autointitulado, e com a impressionante marca de seis das dez composições escritas por FREDDIE MERCURY. Embora tenham demorado a conquistar certo reconhecimento no Reino Unido, músicas como “Keep Yourself Alive” ganharam rapidamente o status de sucesso na Europa e até mesmo nos Estados Unidos.
De modo rápido, Rauer remonta os primeiros anos da carreira do QUEEN. A banda, que gravava discos e realizava turnês com uma intensidade impressionante, se destacou com o seu segundo disco, intitulado “Queen II” (1974). Na época, FREDDIE MERCURY se apresentou pela primeira vez no Top of the Tops (com uma nova versão para “Seven Seas of Rhye”). No entanto, nem mesmo o sucesso na América do Norte e no Japão proporcionaram o enriquecimento do quarteto nos primeiros anos de sucesso. Com o novo empresário – Jim Beach – é que o QUEEN conquistou verdadeiramente o mundo. O álbum “Night at the Opera”, que saiu em novembro de 1975, é considerado até hoje um marco para o rock n’ roll. Do mesmo modo, “Bohemian Rhapsody” é apontada como uma das principais músicas do gênero.
Por mais que se concentre na história oficial do QUEEN, a biografia de Rauer abre muitas páginas para dar destaque à vida pessoal de Mercury. A música “Love of My Life” foi composta para Mary Austin, a amiga mais próxima e que por muitos tempos foi amante (quase esposa) do cantor. A bissexualidade de FREDDIE MERCURY – encarada como uma espécie de independência pelo músico – nunca chegou a comprometer o seu rendimento ao vivo. Nem mesmo o seu apetite sexual insaciável e inconsequente, aliado ao abuso de álcool e de cocaína, prejudicaram a ascensão da sua banda até o início dos anos oitenta. Os discos – a partir de “A Day at the Races” (1976) – atingiram repercussões incríveis, sobretudo em suas turnês. Em 1976, o QUEEN se apresentou para mais de 170 mil pessoas em um evento no Hyde Park, em Londres. A banda – assim como FREDDIE MERCURY – conquistou o mundo e escreveu o seu nome na história do rock n’ roll de forma extremamente sólida.
Por questões fiscais o QUEEN se mudou para a Suíça mais ou menos nesse período. A vida profissional de Mercury, que se dividia entre cantar e compor, era intensa no seu dia a dia. Nenhum dos relacionamentos foi verdadeiramente sério para o cantor. As desilusões apenas contribuíram para que Freddie se fechasse cada vez mais. Entretanto, a sua banda se dispunha entre Munique e Montreux no período em que gravou “The Game”. Como curiosidade da época, “Crazzy Little Thing Called Love” foi composta por Mercury em uma banheira do hotel Hilton na Alemanha.
Nos anos oitenta o status do QUEEN era outro. O cantor da banda completou trinta e cinco anos e comprou uma mansão em Nova York como presente. O relacionamento rápido que o músico teve com Bill Reid apenas contribuiu para que Mercury se afundasse ainda mais no álcool e nas drogas. As noitadas eram extremamente frequentes, inclusive durante o período em que a sua banda visitou pela primeira vez a América do Sul, no primeiro semestre de 1981. O show realizado no Morumbi, diante de 130 mil fãs, é até hoje um dos mais marcantes da carreira do QUEEN. A banda inclusive precisou desembolsar cerca de um milhão de libras para concretizar a viagem, que ainda passou por Buenos Aires e Rosario, na Argentina.
De volta aos ares suíços, o QUEEN registrou “Hot Space” (1982), entre maio de 1981 e fevereiro do ano seguinte. O fracasso do disco, que não conquistou prestígio nos Estados Unidos, pode ser relacionado ao consumo excessivo de cocaína por parte de FREDDIE MERCURY durante as sessões em estúdio. Na época, os interesses do cantor indicavam que um disco solo seria eminente. No entanto, “Mr. Bad Guy” (1985) representou mais uma decepção para Mercury, que não encontrava a felicidade tão idealizada longe doQUEEN. Com “The Works” (1984), a sua banda retomou a Europa com os sucessos “Radio Ga Ga” e “I Want to Break Free”, mas definitivamente abandonou as turnês pelo continente norte-americano, que não assimilou a nova fase new wave do grupo. Nessa mesma época, a descoberta do vírus AIDS assustou muitas pessoas, sobretudo os artistas que viviam de modo inconsequente e irresponsável. O frontman doQUEEN recusava-se a admitir que pudesse ser soropositivo. O amigo Paul Gamaccini sempre soube o porquê.
A promiscuidade e os relacionamentos fracassados do músico são extremamente bem abordados por Selim Rauer em “Freddie Mercury”. Os mais próximos a Freddie sempre notaram que a fama com o QUEEN trouxe muito dinheiro e conforto ao cantor, mas nunca a felicidade que ele sempre buscou. O seu apetite sexual, considerado insaciável por muitos, colocava um novo homem na cama de Mercury noite após noite. Na sua segunda passagem pelo Brasil, durante o Rock in Rio (1985), um grupo masculino visitou a sua suíte no Copabana Palace para uma festinha particular. Nem mesmo o relacionamento, supostamente sério com a atriz alemã Barbara Valentin, afastou FREDDIE MERCURY dos tabloides ingleses. A sua vida particular – e a sua homossexualidade sempre colocada em cheque – aliaram-se as polêmicas consequentes da AIDS, que já fazia as suas primeiras vítimas mundo afora. De volta a Londres, Mercury soube que a sua vida iria para uma encruzilhada definitiva. Os seus amantes do passado viravam notícia na imprensa. Eles estavam morrendo por causa do vírus HIV.
De qualquer modo, o QUEEN nunca abandonou a sua carreira nos anos mais difíceis de exílio de Mercury. Com a banda, o cantor sempre soube dar a volta por cima. Não é a toa que o grupo ainda realizava megaturnês e shows emblemáticos, como em Johanesburgo (em meio ao regime do apartheid) e durante o Live Aid, evento beneficente de proporção mundial. Entre poucas certezas e muitas incertezas, Mercury conquistava o posto de maior intérprete ao vivo de seu tempo. Porém, ninguém imaginava que a banda realizaria em 1986 a sua última turnê. O desgaste da sequência de shows – assim como o temperamento explosivo e megalomaníaco do cantor na estrada – prejudicava por demais as questões relacionadas à sua saúde. O show gravado em Wembley – com dezessete câmeras e em filme de 35 mm – é o que resta e simboliza a morte dos projetos de FREDDIE MERCURY.
De volta a sua mansão em Garden Lodge (Londres), Freddie aproveitou o tempo que restava para fazer o que mais gostava. Com ninguém menos do que Montserrat Caballé o cantor gravou “Barcelona”, o disco (e o hino) para as Olimpíadas de 1992. Em uma sessão de estúdio que se estendeu do jantar às seis da manhã, a dupla criou o álbum que mais trouxe paz e prazer para o vocalista de origem persa.
No entanto, o músico nunca mais encontrou o sossego após as sessões de “Barcelona”. Embora nunca tenha falado sobre a doença – até mesmo com os integrantes do QUEEN – Mercury viu o seu nome estampado na imprensa inglesa após um ex-assistente vender fotos do cantor com drogas e com os seus amantes para o The Sun. As mortes de Tony Bastine e Josh Murphy (que namoraram FREDDIE MERCURY), em decorrência da AIDS, mais uma vez colocou em cheque a saúde do músico na imprensa. Cada vez mais frágil e alheio ao mundo da música, o vocalista ainda encontrou forças para subir ao palco com Montserrat Caballé na Espanha. Nos dias seguintes, emm entrevista ao jornal The Daily Mail negou que possuísse o vírus. No entanto, o relacionamento estável com Jim Hutton e o álbum “The Miracle” (1989) deram certo ânimo ao músico. Embora não tenha realizado nenhuma apresentação ao vivo, o disco mostrou um FREDDIE MERCURY com barba – para esconder um câncer de pele – no videoclipe de “The Invisible Man”.
De volta à Suíça, FREDDIE MERCURY se fechou na sua casa em Montreux. Os esforços despendidos para criar o álbum “Innuendo” (1991) provavelmente encurtaram em meses a vida do cantor, extremamente debilitado em decorrência da sua doença. Como despedida, o vocalista ainda encontrou um fiozinho de ânimo para deixar prontas as músicas que fariam parte do álbum “Made in Heaven” (1995). O cantor, que sequer conseguia ficar de pé e estava com a visão seriamente comprometida, gravou o clipe para “These Are the Days of Our Lives” em junho de 1991, a sua última atuação ao lado dos músicos do QUEEN. O guitarrista Brian May se emociona até hoje ao recordar o esforço de FREDDIE MERCURY na época.
Cada vez mais fraco, Mercury optou por interromper o ineficiente tratamento a base de medicamentos. Em casa, o cantor não deixava a cama e sequer conseguia ingerir alimentos sólidos. No dia 23 de novembro de 1991 o anúncio oficial: FREDDIE MERCURY admitia que havia contraído o vírus HIV em alguma data desconhecida no passado. Embora a notícia tenha chocado muitos, a informação era mais do que esperada, sobretudo para os fãs que sentiam como certa negatividade a ausência do QUEEN dos palcos. Por outro lado, ninguém imaginava que o fim do cantor estava tão próximo. No dia seguinte, por volta das 18h45, FREDDIE MERCURY parou de respirar. O cantor morria em razão de uma broncopneumonia agravada pela AIDS.
De certa forma, a biografia de FREDDIE MERCURY remonta o seu derradeiro fim de maneira impressionante, sobretudo pela escassez de depoimentos e de relatos de pessoas que conviveram com o músico durante os seus últimos dias. Nem mesmo ELTON JOHN – provavelmente a única amizade que Mercury conquistou na música – é capaz de compreender com detalhes. As poucas entrevistas não prejudicaram o livro – que ainda é complementado pela discografia (com track-lists) do QUEEN. A obra é uma oportunidade interessante para quem qujer conhecer um pouco mais – mesmo em explorar as particularidades e as peculiaridades – da mítica figura de FREDDIE MERCURY. Embora não possua um caráter definitivo, algumas questões inacabadas sobre a vida e a morte do cantor ficam no ar. Em que lugar estariam repousados os restos mortais do cantor?
Certa vez um grande amigo me disse que considera Paulo Ricardo o Bon Jovi brasileiro... Quem esteve em algum dos shows do próprio Bon Jovi em sua ultima passagem pelo Brasil e também pôde conferir o show que marcou a volta do RPM, depois de quase 8 anos de hiato, talvez comece a concordar com essa afirmação. Pelo menos a histeria e o frenesi que os dois vocalistas causam no público feminino são realmente muito parecidos...
Comparações de lado, àqueles que estavam no palco Júlio Prestes, montado para alguns dos shows da Virada Cultural 2011, por volta das 18horas, puderam conferir um grande espetáculo de uma dos grupos mais emblemáticas do rock nacional.
Assim que a banda finalmente apareceu o público, já impaciente pelo atraso de cerca de 20 minutos, foi à loucura: gritos de “lindo”, “gostoso” e outros adjetivos eram proferidos pelas moças, enquanto os rapazes se limitavam a aplaudir e gritar “RPM!!” ou um “até que enfim ... “. Todos os integrantes mostravam muita empolgação por estarem novamente dividindo o mesmo palco.
Para começar, “Vida real”, a famosa música de abertura daquele programa lá... Impossível negar que a banda acertou em cheio ao escolher essa canção para abrir o show, pois logo nos primeiros acordes o público já estava nas mãos de Paulo Ricardo (voz e baixo), Luis Schiavon (teclados), Fernando Deluqui (guitarra) e PA (bateria e vocal). “Rainha” veio logo depois e conseguiu manter a empolgação de boa parte dos presentes. Porém, “Crepúsculo”, música inédita que estará no próximo álbum da banda, esfriou um pouco os ânimos.
Para animar os espectadores novamente, Bon Jo... digo, Paulo Ricardo diz que a próxima música é uma homenagem às noites paulistanas: “Louras geladas” fez a alegria daqueles que queriam ouvir os velhos clássicos da banda. Continuando com as homenagens, “A cruz e a espada”, canção que conta com os vocais de Renato Russo e “Exagerado”, clássico de Cazuza, relembraram dois dos grandes compositores dorock brasileiro.
Para deixar o público (e a própria banda) respirar um pouco, Luis Schiavon ganha o destaque das luzes no palco e começa a tocar a introdução de “London, London”. Com alguns problemas técnicos na iluminação e no áudio, Paulo Ricardo só consegue começar a cantar já no meio da execução. Mesmo assim, uma bela apresentação, com muito sentimento e emoção por parte dos dois músicos, mostrando que, talvez, as mágoas do passado realmente foram esquecidas e que essa reunião pode trazer bons frutos.
“Juvenília” e “Liberdade/guerra-fria” foram as canções seguintes. Nesse momento o público parecia sentir que o show estava chegando ao fim e que os maiores sucessos do grupo estavam próximos de serem executados...
Na mosca! Schiavon ganha destaque novamente e começa a (maravilhosa) introdução de “Revoluções por minuto” levando todo o público a loucura e fazendo todos pularem e cantarem a (também maravilhosa) letra dessa canção que da nome ao primeiro e mais famoso álbum da banda. Belíssima execução de todo o grupo, com um ótimo solo de Deluqui e os famosos gritinhos do nosso Bon Jo... (caramba, desculpa de novo) PAULO RICARDO... ! os famososo gritinhos de Paulo Ricardo que, com certeza, influenciaram Frank Aguiar...
Sem tempo para descansar a banda emenda outro grande hino de sua carreira: “Alvorada voraz”. Outra canção que apresenta toda a competência do RPM, mostrando que essa banda, que sempre foi muito lembrada pelo sucesso que fazia com o público feminino, conta, sim, com músicos excelentes e que Paulo Ricardo e Luis Schiavon são uma das melhores duplas de compositores do rock nacional.
“Radio pirata” foi a próxima música e manteve a empolgação de todo o público e do próprio RPM. No meio da execução, o vocalista/baixista/galã aproveitou para apresentar todos os membros da banda e brincar tocando trechos de alguns clássicos absolutos do rock como “Light my fire”, “You can’t always get what you want”, “All you need is Love” e a simpática “Use somebody”, do Kings of Leon, que ainda não é um clássico absoluto, mas agradou os presentes.
Boa parte do público já se mostrava tão satisfeito com o show que começou a ir embora, se esquecendo que o maior sucesso da banda ainda não havia sido tocado. Mas foi só começarem a soar as primeiras notas de “Olhar 43” que todos foram à loucura novamente e, mesmo aqueles mais contidos, pulavam e cantavam a plenos pulmões. Agora sim, fim de show. E que show...!
Mais uma vez a organização da Virada Cultural acertou em cheio na escolha das atrações e proporcionou shows históricos como a união do Sepultura com a Orquestra experimental de repertório em frente à Estação da Luz, o show dos ícones do horror/punk, Misfits e esse belíssimo reencontro de uma das grandes bandas do pop/rock nacional. Agora é esperar pra ver se Paulo Ricardo (acertei!), Luis Schiavon, Fernando Deluqui e PA mantém a banda por mais do que alguns meses...!
RPM – Virada Cultural – 17/04/2011
Set List
1. Vida real
2. Rainha
3. Crepúsculo
4. Louras geladas
5. A cruz e a espada
6. Exagerado
7. London, london
8. Juvenília
9. Liberdade/guerra-fria
10. Revoluções por minuto
11. Alvorada voraz
12. Rádio pirata (“Light my fire”, “You can’t always get...”, “All you need is love…”, Use somebody”)
Imagine você se preparar dois anos para realizar um grande sonho e, na semana anterior dele se concretizar, descobrir que algo deu muito errado. Desde que o IRON MAIDEN anunciou as datas para a turnê brasileira de The Final Frontier, eu sabia em que hotel a banda se hospedaria em Brasília. Ainda demorei dois meses para fazer minha reserva, somente em 15 de janeiro. Em 1º de março descobri um site interessante para reserva de hotéis, o booking.com. Por incrível que pareça, tinha preços ainda menores do que das reservas que eu já tinha, feitas nos sites de cada um dos seis hotéis que eu sabia que o IRON MAIDEN ia ficar. Cancelei algumas delas, e remarquei com os novos preços. Em Recife, por exemplo, ficou por menos da metade do que eu pagaria originalmente. Em Brasília, foram R$200,00 a menos. Mas não me atentei a um detalhe: por engano, agendei Brasília para as datas do Rio de Janeiro. Pior: só fui perceber faltando uma semana para estar lá. Pior ainda: a última vaga do hotel foi reservada nas últimas 12 horas. Pra terminar de estragar, eu iria dividir o quarto com um amigo, que a essa altura com certeza ia querer me matar! Me senti o pior dos piores...
Após um vôo bastante tranquilo com a Webjet, cheguei à Brasília. O avião parou relativamente próximo de onde estava o Ed Force One, e as comissárias de bordo fizeram a festa. Abriram a porta traseira da aeronave e me chamaram para ve-lo mais de perto. Quase surtaram quando uma aeronave da TAM se colocou entre o nosso avião e o do IRON MAIDEN. Eu já o tinha visto pousando em Manaus, em 2009, mas é sempre lindo ve-lo novamente, ainda mais com a pintura da nova turnê. Mas não havia tempo a perder, pois Tadeu, colaborador do Whiplash e produtor de shows internacionais em Brasília (que já levou para a cidade bandas como Ozzy Osbourne, Megadeth, Guns'n'Roses + Sebastian Bach, A-Ha, Cranberries, Seal, Moby, Lauryn Hill, Motorhead e Tarja Turunen), estava me esperando. Eu ainda não o conhecia pessoalmente, mas temos amigos em comum e ele fez a gentileza de me recepcionar e me dar uma carona até o hotel. Paliativamente, eu havia conseguido me hospedar em um que fica literalmente grudado ao doIRON MAIDEN e é gerenciado pelo mesmo grupo hoteleiro. Em tese, isso garantiria e mim e ao meu colega de quarto, Júlio, acesso ao hotel onde estava a banda.
Mas ainda era cedo, e tentar ir lá a essa hora provavelmente apenas queimaria nosso filme com a segurança. Júlio geralmente se veste com roupas normais, e não é cabeludo. Provavelmente conseguisse entrar sem grandes questionamentos. Já eu posso tentar até mesmo sem camiseta de banda, mas o cabelão certamente me entregaria. Era melhor passear, conhecer a cidade e, a noite, que é quando as coisas acontecem, colocar nosso plano em ação. Perto do hotel há um shopping, e resolvi ir até lá para comer alguma coisa. Boa parte da equipe do Maiden estava por lá, incluindo o fotógrafo oficial John McMurtrie e o onipresente Todd, certamente a figurinha mais carimbada do crew do Maiden, já que podia ser facilmente encontrado em qualquer lugar. Lá encontrei meio sem querer a Natália, uma amiga do Espírito Santo que veio à cidade para ver o show. Saímos juntos do shopping, enquanto estava entrando o Ashley Groon (roadie do Nicko, aquele careca engraçado do "Flight 666"). Ao me ver, Ashley balançou a cabeça, como quem diz "não acredito que esse cara está aqui de novo". Mas isso não foi algo negativo. Eu e Ashley já conversamos muito em 2009, e no dia seguinte também conversaríamos demais, até porque somos fumantes e vivemos saindo do hotel para fumar.
Eu e a Natália seguimos pro hotel onde eu e o Júlio estávamos hospedados e, com ele, esperamos anoitecer. Após tormarmos banho e nos arrumarmos, seguimos para o hotel onde "os hómi" estavam. Paramos na frente e fumei um cigarro, observando na tentativa de descobrir quem, entre aquele monte de segurança que estava na porta, era o chefe. Era com ele que eu queria falar, pois os outros não seriam capazes de resolver nosso problema. Ao nos aproximarmos, formos abordados e nos identificamos como hóspedes do hotel ao lado. Dissemos que sabíamos que isso nos daria acesso mas, como previsto, ele explicou que "aquele era um dia especial" e que por isso não poderíamos entrar. Expliquei que apesar da aparência, não estávamos atrás da banda, queríamos apenas ir ao restaurante comer alguma coisa - o que nos é direito, já que estamos hospedados no hotel do lado e blá blá blá. Expliquei também o que havia acontecido com minha reserva, argumentando que já estive hospedado com a banda em São Paulo e no Rio, que seguiria de lá para Belém e demais cidades brasileiras da turnê e que já havia abordado a banda em ocasiões anteriores, que já tinha foto com todos, e que não estava lá pra dar trabalho, nem encher o saco. Ele nos liberou. Atravessamos toda a recepção do hotel e, ao chegarmos ao elevador, outro segurança tentou nos barrar, mas recebeu instruções do segurança-chefe para nos deixar em paz.
No restaurante, pedi alguma coisa para comer e os demais pediram coca-cola. É evidente: se não somos hóspedes, temos que consumir alguma coisa para ficar ali. Eu estava sentado atrás de uma coluna. A Natália estava na minha frente e o Júlio, do lado dela. Um pouco depois, chegou o Tadeu, a paisana (é como chamamos quem não está vestido caracterizado como fã). De repente, a Natália começou a tremer: o Adrian havia acabado de chegar, e era a primeira vez que ela estava vendo um Maiden cara a cara. Como em São Paulo com a Mariana, tive que conte-la para que ficasse ali quieta. Ele sentou em um lugar onde eu não podia ver e pediu algo para comer. Mais uma vez, usei a tática que deu certo em São Paulo com o Janick: deixei fotos em cima da mesa. Se ele quisesse, viria nos atender. Se não, nos contentaríamos em poder acompanhar a cena, até para não nos queimar com o segurança que confiou em nós. A única outra hipótese possível é se ele fosse abordado por outro fã e fosse receptivo: isso seria um sinal de que poderíamos tentar a sorte também.
Após terminar de comer, Adrian pediu um jornal e leu por um bom tempo. Ao se levantar, dois fãs o abordaram, e ele os atendeu. Instruí a Natália e o Júlio para que chegassem junto, que eu e o Tadeu chegaríamos depois (ver dois fãs chegando deve ser menos traumático do que ver quatro). Foi tudo absolutamente civilizado: a maioria que estava lá sabia inglês e o Adrian parou para conversar conosco, especialmente com o Júlio, que lhe contou possuir uma guitarra igual à dele, mostrando fotos da mesma, e pedindo em seguida uma palheta, no que foi prontamente atendido. Aos poucos, um a um foi tirando foto com ele. Quando só faltava eu, Júlio pediu mais uma foto, Tadeu também, e foram atendidos. Na minha vez, o flash simplesmente falhou e, a única foto que tenho somente eu e o Adrian está bem escura. Nem deu tempo de tirar outra, pois ele se despediu e saiu. Mais tarde chamei a atenção dos dois, pois eles tentaram a segunda foto sem que eu tivesse conseguido a primeira. Se o Adrian tirasse as fotos com eles e se despedisse, eles teriam duas fotos e eu nenhuma (ao menos este ano mas, até aí, o Júlio também já tinha foto com ele em anos anteriores). Se vamos abordar banda juntos, é assim que tem que ser. Quer 30 fotos?! Tenta a sorte! Mas tenha certeza que todos já conseguiram antes!
Pouco após resolvido nosso pequeno problema, chegou a Camila, amiga do Tadeu, também a paisana. Nos unimos aos dois hóspedes que haviam abordado o Adrian a princípio e ficamos conversando por um bom tempo. Mas deu a hora do restaurante fechar, e naquele dia não rolaria mais nada lá - somente no bar do térreo. Eu, Júlio e Natália resolvemos sair do hotel, não sem antes agradecer novamente o segurança. Camila e Tadeu ficaram no bar e conseguiram foto com o Bruce. Mais tarde voltamos para tentar uma foto da Natália com o Janick, que já tinha atendido todos os fãs em São Paulo e no Rio. Não demorou muito e ela também conseguiu. Eu e o Júlio nem tentamos, pois já tínhamos conseguido em São Paulo.
Eu posso conseguir fotos e autógrafos de muitas bandas. Posso conseguir coisas incríveis, como falar com Paul McCartney (sim, já fiz isso). Mas uma coisa que não aprendi a fazer é conseguir palhetas, baquetas, munhequeiras e outros souvenirs que os fãs tanto gostam. Sei lá, eu acho chato pedir esse tipo de coisa, não tenho a manha. No dia seguinte, por volta das 07:30, eu estava dormindo. Sonhei que o Janick veio até mim e me deu uma caixa cheia de palhetas. Todas iguais mas, uau, eu tinha uma caixa com um monte de palhetas do Janick! Então, abri a caixa, peguei uma, e ia olhar para ela, conhecer seus detalhes quando... eu abro o olho e vejo uma bolinha vindo em minha direção. Me atingiu em cheio! Era o Júlio tentando me acordar, me jogou um maço de cigarro (que achei ser uma bolinha). Eu já levantei bravo! "Seu FDP!!! Me fez perder as palhetas me jogando uma bolinha!". Hahahahahahaha
Às 08:00 hs, voltei com o Júlio à recepção do hotel correto. Mais uma vez, os seguranças vieram chatear (ok, estavam apenas fazendo o trabalho deles, mas eu devia estar lá dentro, e não lá fora, isso enche o saco!). Expliquei que gostaria apenas de ir até a recepção. Chegando, perguntei se por acaso havia algum cancelamento para aquele dia. A moça que me atendeu disse, sem dar muita atenção, que infelizmente não. A atendente do lado, entretanto, disse que o hóspede do 419 havia acabado de cancelar, e eu não bobeei: reservei o quarto imediatamente! Com o comprovante de reserva em mãos, troquei uma idéia com os seguranças, que passaram a não nos incomodar mais, nem mesmo à Natália, que não estava hospedada, mas estava ali com a gente. Mas nada muito interessante ocorreu até a hora do show que, por sinal, foi tão perto do hotel, que deu pra ir andando de boa.
Eu geralmente chego em cima da hora, não apenas por estar com a banda no hotel, mas porque não tenho saco para banda de abertura em dia de show do IRON MAIDEN. Dia de show do IRON MAIDEN é dia de show do IRON MAIDEN, ponto! Em 85, no Rock in Rio 1, cheguei no meio do show do Whitesnake e saí assim que terminou o show do Maiden. Não vi o Queen, nem me arrependo - eu estava ali para ver IRON MAIDEN. Em 92, xinguei pra caramba a tal banda Thunder. Em 96, o Maiden tocou no Monsters of Rock, mas para mim, era dia de show do IRON MAIDEN, ignorando qualquer outra banda que estivesse lá. Não fui cedo para não cometer o sacrilégio de xingar o Lemmy ou o King Diamond. Adoro Motorhead, mas dia de show do IRON MAIDEN, repito, é dia de show do IRON MAIDEN. Quando o Maiden subiu no palco, eu já não tinha mais voz de tanto xingar o Sebastian, do Skid Row. Em 98, xinguei o Helloween do começo ao fim. Até o Max eu xinguei em São Paulo este ano - e já fui muito fã de Sepultura em sua época com ele. A única que escapa de minha ira é a Lauren Harris. Primeiro, porque a conheço, é uma fofa, totalmente atenciosa. Segundo porque mesmo que não a conhecesse, seu pai, pra mim, é Deus - e eu respeito a filha de Deus. Terceiro porque ela, Faye e Kerry são as 3 mulheres que podem me dar o que nenhuma outra pode: o sogrão. Já imaginou a festa de natal na casa do sogro?! Perto da meia noite, ainda chegam seus amigos Bruce, Dave, Nicko, Janick e Adrian (sonho)... É, eu sei, fã xiita de Iron é uma merda, mas sou, e assumido. Mas em Brasília, cheguei no meio do show da banda de abertura, Khallice, que me surpreendeu profundamente. Guardadas as devidas proporções, parecia Dream Theater. Curti tanto os músicos como o vocal e, desta vez, não xinguei ninguém...
O show do Maiden foi bacana, mas me decepcionei ao constatar que o Big Eddie "ficou no Rio". Eu tinha certa esperança de ve-lo em Brasília mas, infelizmente, mais uma vez apenas as grandes capitais do sudeste tiveram o privilégio de ve-lo. O setlist foi o mesmo, mas quem liga?! Impossível não se emocionar como se fosse a primeira vez. Chorei como criança em "Blood Brothers". Fui à loucura vendo as músicas do novo álbum ao vivo. "Satellite 15/The Final Frontier" é a única música que não curto em 15 álbuns de estúdio do IRON MAIDEN. Tem as que gosto mais, tem as que gosto menos, mas a única que pulo quando vou ouvir um álbum é essa. Entretanto, ao vivo, com aqueles efeitos de telão, até ela estava perfeita. Por mim, tocariam todas do "The Final Frontier", assim como fizeram com "A Matter of Life and Death", cuja turnê infelizmente não chegou ao Brasil - o IRON MAIDEN nunca tocou uma música desse álbum em solo brasileiro, sei lá porque. Por mim, dos clássicos, deixaria só “The Trooper” e “Hallowed Be Thy Name”, tiraria todas as outras (“2 Minutes to Midnight”, “The Number of the Beast”, “Running Free”, “The Evil That Men Do”, “Fear Of The Dark” e até mesmo a IRON MAIDEN [utopia]) e completaria com músicas dos dois últimos álbuns. Dane-se que tem fãs novos que nunca viram essas ao vivo. Quem mandou nascer antes? Quem mandou não ir na “Somewhere Back in Time”, quando eles só tocaram essas? Ok, eu sei, estou sendo chato... Mas é que já cansei de ver essas músicas ao vivo. São ótimas? São perfeitas! Mas o Maiden tem tantas músicas tão boas quanto ou ainda melhores, que nunca foram tocadas ao vivo... Enfim, se eu insistir nesse assunto, a discussão será interminável. Vou resumir: o show foi perfeito! Ponto!
No meio da “The Number”, saí apressado, rumo ao hotel. Devido às particularidades do terreno plano de Brasília, ouvi o som com perfeição, até o término da última nota de “Running Free”, mesmo estando praticamente na porta do hotel. Não demorou muito e a banda chegou. Nem sinal de Steve e Nicko, mas Dave, Adrian, Bruce e Janick, além de Michael Kenney, sentaram-se em um canto do saguão principal e ficaram lá, de boa, conversando entre eles e com a equipe. Nós, fãs, também estávamos sentados lá, mas em outro canto, e apenas observávamos. Não íríamos interromper aquilo por nada pois, já disse, ainda melhor do que conseguir uma foto ou um autógrafo, é poder acompanhar esses momentos, como se estivéssemos assistindo a um DVD que contasse a história da banda. Óbvio que não ficamos olhando fixamente para eles, como se fossem animais enjaulados. Somos, na verdade, um grupo grande de fãs.
Não pense que sou o único a fazer isso. Estava acompanhado do Júlio, que não foi ao Rio, mas foi a São Paulo e iria a Curitiba. Tem o Ricardo e a Fátima, um casal cinquentão incrível, que já acompanhou o Maiden este ano em Jacarta, Bali e Singapura, em toda a turnê brasileira, na Argentina, no Chile, e ainda vai a 10 shows na Europa, fechando na Rússia (o Ricardo foi citado na resenha do Todd no site oficial da banda, sobre o Rio de Janeiro). Também estava com a gente o Bruno "The Crying Man", que foi apresentado no "Flight 666" como colombiano, na cena em que chorou porque conseguiu a baqueta do Nicko, mas é brasileiro, curitibano. Havia também o Guilherme, um "moleque" de 16 anos que foi aos 6 shows do Brasil acompanhado de sua mãe - mas que não se hospedou nos mesmos hotéis da banda. Além disso, em cada cidade, acabamos nos unindo a outros fãs ilustres, como o Rafael Serrante, que invadiu o palco do IRON MAIDEN no Rock in Rio III e é um dos maiores colecionadores de material do Maiden do Brasil; Pedro, ou Padro, o "moleque" que há 3 anos, com apenas 15 de idade, viajou no Ed Force One, pilotado pelo Bruce Dickinson, e repetiu a tarefa no ano passado, sempre acompanhado de sua mãe Elaine, carinhosamente chamada de "Iron Mother" pelo Rod Smallwood; Felipe, Humberto e Luís, que também voaram com Padro em 2010, e muitos outros. Ou seja, entre nós, o mais bobinho já voou no avião do IRON MAIDEN. Óbvio que sabemos nos comportar, e não nos tornamos inconvenientes para a banda. Dividimos o mesmo espaço que o IRON MAIDEN, mas conversamos muito entre nós - sobre IRON MAIDEN, é claro. Deixamos os caras em paz, e eles nos atendem quando querem, simples.
Em determinada hora, Bruce, Janick e Adrian subiram, e Dave Murray resolveu ir para o bar - e nós estávamos ali, 7 fãs ao total, vendo que teríamos uma chance de tentar, pois ele estava caminhando em nossa direção. Um de nós o abordaria, se a resposta fosse positiva todos conseguiríamos. Mas ele foi chamado por um segurança da banda, parou e começaram a conversar. O tempo foi passando, mais um segurança chegou, mais uns dois ou três membros da equipe, e até o Adrian Smith, que voltou. Todos estávamos ali, de pé, a três metros de tudo isso, aguardando pacientemente. Vez por outra, o Dave olhava pra gente, como se dissesse "se vocês esperarem eu atenderei a todos". Uma hora e meia se passou. De repente, sem mais nem menos, ele deu as costas, tomou o elevador, e simplesmente foi embora. Ficamos ali os sete, sem reação, não acreditando que fomos trollados pelo Dave, tradicionalmente um dos membros mais legais de se abordar. Dave é, na minha opinião, o membro mais difícil de se conseguir alguma coisa, porque ele simplesmente se tranca no quarto e ninguém o vê - eu mesmo só tenho uma única foto com ele. Porém, se abordado, ele te trata super bem. Esse ano, em Brasília, não foi o que aconteceu. Apesar de tudo, não houve entre nós sensação de frustração, pois sabemos que estamos tentando a sorte, e que ele nos atende se quiser, sem obrigação nenhuma. Fomos trollados, mas ainda assim é o Dave, o mestre da guitarra, um dos principais motivos de todos nós estarmos fazendo aquela loucura toda. Mas, depois dessa, todos fomos dormir.
No dia seguinte, mais uma vez acompanhei a saída da equipe do hotel. Mas eu tinha um alvo na cabeça: Kerry Harris. Em 2009, consegui fotos com a Lauren e com a Faye, duas das filhas do Steve Harris. A única que não consegui, Kerry, foi incorporada à equipe a partir desta turnê. Não sei fazendo o que, mas ela é definitivamente parte da família IRON MAIDEN agora. E estava ali, sozinha, dando sopa na recepção. Meio sem graça, pedi a foto, e ela foi super simpática. Mas não havia tempo a perder: nosso vôo para Belém partiria às 11:00 hs. E, desta vez, parecia que só tinha fã do IRON MAIDEN no avião. Foi um vôo bem legal. Em breve, voltarei a escrever, desta vez sobre o que aconteceu em Belém.
O ex- frontman do SEPULTURA e atual SOULFLY e CAVALERA CONSPIRANCY, Max Cavalera, recentemente concedeu uma entrevista ao siteBravewords.com e entre outras coisas, falou sobre como foi ficar dez anos sem conversar com seu irmão, Iggor Cavalera (ex-Sepultura, atual Cavalera Conspiracy) e se ele aceitaria uma reunião com sua antiga banda. Abaixo podem ser conferidos alguns trechos da conversa.
Ao longo dos anos, você fez parte de vários projetos musicais incluindo o CAVALERA CONSPIRACY. Só o SOULFY não basta?
Max: "A maior razão pra isso acontecer é que eu me reuni com o Iggor. Nós estávamos tocando e criando música juntos, por isso decidimos montar uma banda. Ele veio e tocou duas canções em um show do SOULFLY e a platéia foi totalmente à loucura e eu soube naquele momento que nós precisávamos criar novas músicas juntos. Nós devemos fazer uma nova banda, nós devemos fazer música nova, devemos ir pro estúdio e sermos criativos como se éramos há 20 anos atrás. Algo dentro de mim estava me dizendo pra fazer isso e que isso não deveria interferir no SOULFLY.
O SOULFLY é algo completamente próprio - é um elemento próprio. O SOULFLY sobrevive, não importa o que aconteça. Eu mudo os membros de tempos em tempos, mas a banda continua. É algo que está sempre lá. Está sempre lá por mim, então eu pensei que eu poderia fazer o Conspiracy com o Iggor e ainda ter o SOULFLY. Eu poderia ter as duas bandas. Vou aceitar o desafio e será divertido fazer metal com meu irmão novamente e voltar um pouco ás vibrações e idéias thrashs que iniciamos nos anos 80, e que nós não continuamos porque a banda se separou, por isso vamos continuar agora. "
Qual o próximo passo do CAVALERA CONSPIRANCY? Você enxerga uma continuação e se vê gravando mais álbuns?
Max: “Oh, sim, nós realmente vamos gravar um terceiro álbum. Amo tocar com o Iggor. É uma parte de mim que estava vazia e realmente me fazia falta...”
Como é tocar com ele?
Max: “É ótimo, cara. Era algo que estava faltando na minha vida. Quando eu fiquei dez anos sem falar com ele foi realmente um ponto baixo na minha vida. Foi um momento baixo na minha vida pessoal. Senti um grande vazio e quando eu tive a oportunidade de ser seu irmão novamente e eu decidi fazer música com ele novamente (que é algo que eu realmente gosto e ele gosta muito).
Eu realmente gosto das coisas que estamos fazendo com o Cavalera. Não é apenas um trabalho ou algo que temos que fazer. É algo que realmente me dá muita alegria. Tocar com Igor novamente, para mim, é algo muito gratificante e sair em turnê com ele, conversar com ele, estar perto dele, me apoiar nele e sermos irmãos de novo é algo que realmente me faz feliz.
Também é legal porque fazemos essas turnês e voltamos para casa e não nos vemos por uns meses, mas quando nos vemos é muito bom. Esse é o segredo e é por isso que dá certo. "
Acho que o METALLICA também descobriu isso. Eles costumavam fazes turnês com duração de 3 anos e todos acabavam se odiando. Agora, eles fazem turnês durante duas semanas e tiram as outras duas de folga....
Max: “Você se esgota se fizer essas turnês gigantes. Essas turnês longas... eles acabam com você. Quando eu criei o CAVALERA eu falei pro Iggor que não faríamos turnês longas. Faremos alguns shows e depois voltaremos pra casa e nos reuniremos. Passaremos um tempo com a família e depois continuamos e isso tem dado certo – assim como tem dado certo pro METALLICA. É um ótimo jeito de ser uma banda e ao mesmo tempo possuir uma vida familiar. Você pode aproveitar as duas partes da sua vida - sua vida profissional e familiar.”
Deve ser legal estar em casa com seus filhos.
Max: “É cara, e eles também precisam de você. Como pai, você precisa estar lá para as obrigações escolares…”
Bem, apenas ser um pai – você precisa estar lá.
Max: “Sim – sair com eles e essas coisas. Meus dois filhos mais novos tem uma banda, então realmente sou muito ligado a eles e sua música. Então, eu os levo pras lojas de guitarras e compramos cordas... como um pai orgulhoso eu digo ‘vamos sair e comprar cordas’, entramos no carro e vamos. Eu faço umas jams com eles porque gostamos do mesmo tipo de música.”
Você já fez as pazes com o Iggor. Você acha que poderia fazer as pazes com o SEPULTURA e, talvez, um show com eles novamente? Ou será que simplesmente não é possível?
Max: “Por mim tudo bem. Eu não tenho nada contra esses caras. Fomos bons amigos por muitos anos. Nós crescemos juntos. Eu adoraria ver isso acontecer... fazer amizade com todo mundo ia ser muito legal. Este tipo de guerra é estúpida, você sabe. Depois de passar dez anos sem falar com o Igor e ver o quão estúpido isso tudo foi. Dez anos sem falar uns com os outros, mas agora estamos de volta. Nós poderíamos ter resolvido isso anos atrás, mas ninguém resolveu. Eu gostaria que esta guerra SEPULTURA x Max acabasse. Eu queria que acabasse e pudésemos ser amigos. Deveríamos estar tocando em bandas diferentes, nos divertindo e fazendo alguns shows juntos de vez em quando. Isso seria ótimo".
Em sua coluna no Sunday Times, Ozzy Osbourne aconselhou um leitor chamado Hugh, de New Mexico City. O rapaz perguntou ao madman se deveria ir a uma casa de massagens pedir a uma profissional que apalpasse suas partes íntimas. Detalhe: sem a namorada saber, é claro. Eis a resposta de Ozzy.
“Um ‘trabalho manual’ é algo muito pessoal. Após uma vida de práticas, muitos camaradas definem uma técnica específica como sua favorita. Então, ao menos que você participe como um co-piloto, dando instruções a cada dois segundos, vai ficar parecendo mais que ela está escalpelando um coelho morto do que lhe deixando louco com um prazer proibido. Na verdade, me parece que você já colocou essa idéia na cabeça até um ponto em que será um caro desapontamento. Ao mesmo tempo, não transparece nenhum sentimento de culpa. Não vejo como algo errado contratar um par extra de mãos para lhe ajudar no departamento de espancamento de macaquinhos. Mas devo dizer que se for um pouco como eu, sua consciência não concordará”.