A História e as informações que você sempre quis saber sobre seu Artista/Banda preferidos, Curiosidades, Seleção de grandes sucessos e dos melhores discos de cada banda ou artista citado, comentários dos albúns, Rock Brasileiro e internacional, a melhor reunião de artistas do rock em geral em um só lugar.
Tudo isso e muito mais...
Dia 09 de Junho, em uma bela e fria quinta-feira o Slayer voltou para São Paulo após quase 5 anos. O Via Funchal estava completamente lotado, supresa para muitos que apostaram que o show estaria vazio por se tratar de um show no meio da semana.
A banda paulista Korzus abriu o evento agitando muito o público e preparando para o que estava por vir. Gostei muito da atitude deles, muito positiva, com um repertório bem pesado para nenhum amante do metal colocar defeito. Agradeceram várias vezes pelo imenso apoio do público, que acolheram muito bem os caras.
Após o Korzus o palco foi rapidamente preparado para o Slayer, que com seus 666 anos de estrada sempre opta por uma produção simples, sem muita firula, mas com muita atenção aos detalhes.
Infelizmente por algum problema técnico no final da “War Ensemble” o som falhou, mas a música acabou na garganta do público, uma versão bem interessante “a capela”. Nada que prejudicasse o show ou esfriasse o clima, de qualquer jeito é um pouco chato que isso aconteça.
O setlist do show foi o seguinte:
World Painted Blood Hate Worldwide War Ensemble Postmortem Temptation Dittohead Stain Of Mind Disciple Blood Rain Dead Skin Mask Hallowed Point The Antichrist Americon Payback Suicide Mandatory Chemical Warfare Season In The Abyss Snuff South Of Heaven Raining Blood Black Magic Angel Of Death
Uma das coisas que me impressionou no show do Slayer em 2006 e novamente esse ano foi a grande simpatia e interação com o público.
Mesmo que o Tom Araya não seja de longos discursos e “bate-papos” com o público, sempre rolam piadinhas e um grande respeito da banda toda com o público.
Os pontos baixos felizmente não tiveram nenhuma relação com a banda. Na minha opinião um show durante a semana é sempre pior, principalmente para os camaradas de outros estados e cidades que muitas vezes não podem vir.
O Via Funchal com seus problemas clássicos de organização da entrada e principalmente saída da casatambém colaboraram negativamente.
Bem mais um excelente show, muito preciso e de altíssima qualidade.
Agora é aguardar o próximo, espero que não demore muito.
O público presente era composto por, basicamente, pessoas mais experientes – que provavelmente viram a (rápida) ascendência da banda em uma época onde a concorrência era desleal – simplesmente os Beatlesestavam “nas paradas” e ter atenção naquela época era uma missão praticamente impossível.
Falando em Beatles, na abertura dos trabalhos, a competente “Fenícios – Banda Quem”, composto por músicos profissionais e com som de boa qualidade, coverizou uma dos Fab Four, Can’t Buy Me Love, clássico de 1964, em um set que contou também com Rock das Aranhas, Blue Suede Shoes, do genial Carl Perkins (1955) e que depois ganhou o mundo com Elvis Presley. Esta música foi usada pela banda para apresentação dos músicos, também.
Pouco tempo depois, o the Byrds Celebration ganha o palco. O som da casa continuou bom, apesar de alguns problemas na terceira música, após a abertura com I’ll Fell A Whole Lot Better e o que mais marcou o set da banda – músicas de Bob Dylan. A banda apresenta The Times They Are A-Changin, de Bob Dylan, comentando que “hoje a música faz muito mais sentido”. Durante os problemas com som, fizeram questão de brincar com o público com a palavra “problema” em português e interagir com as pessoas que estavam tranquilamente sentadas nas mesinhas próximas ao palco, onde eu estava também.
Com o som voltando a ficar bom (aliás, tudo correu rápido e o som voltou a ficar muito bom), a banda foi apresentando sucessos de sua rápida ascensão nos anos 60, entre elas Mr. Tambourine Man, música do primeiro LP da banda de 1965.
Antes de iniciar “Night Road”, como carinhosamente a chamam, comentam que é uma música de Michael, do irmão falecido. A atual formação da banda presta uma bonita homenagem antes de informar que a próxima é para quem gosta de moto! Vamos para 1968 com talvez uma das músicas mais conhecidas da carreira da banda, Easy Rider, onde o baterista aproveita para fotografar a plateia!
“Agora uma história onde o amor prevalece”, lido em Português, abre “Southern Cross” e seu contagiante refrão, quando a banda anuncia que a próxima era uma música de Clark: Gipsy Rider, outro sucesso.
Scott pega uma guitarra de 12 cordas e o baixista introduz a banda para Turn! Turn! Turn! (to Everything There Is a Season), que fez sucesso com o The Byrds em 1965, mas que a banda faz questão de lembrar e creditar a música a Pete Seeger, lá em 1959. Aqui talvez o ponto mais alto do show, o público cantava alto e muitos ficaram de pé para curtir e dançar.
“So You Wanna Be A Rock “N” Roll Star?”. Pausa. A música de 1967 da banda é, na verdade, uma resposta que a banda faz questão de mencionar no show ao The Who – “The Who, então vocês querem ser astros do rock?”. Outro grande momento da noite, com a plateia interagindo bastante. (N.R.: e não é que o The Who foi mesmo?)
Hora do momento mais “psicodélico” do show, com Eight Miles High, com diversos solos de guitarra e de bateria. A guitarra de Scott está carregada de efeitos, lembrando muito aquela fase onde todos estavam experimentando e criando (aqui quero dizer apenas musicalmente, ok? – hehehe) a base do que hoje chamamos de rock progressivo. O show ganha em peso nesta música, com alguns acordes mais, digamos, metal, culminando em um lindo (e longo) solo de guitarra de Scott.
O BIS é marcado por um solinho de flauta (ok, não resisto – “óóó Suzana, não chores por mim, eu vou pro Alabama, comendo amendoim” – não tenho como não lembrar do desenho do Pica Pau!) mas, brincadeiras a parte, tudo para abrir o clássico de Bob Dylan, Knockin’ On Heavens Door, coverizada por tantos e tantos até hoje – e como o Guns N’ Roses usa e abusa desse direito, hehehe – e com louvor, diga-se de passagem!
A versão executada pela banda é das mais longas e, se me recordo bem, teve mais de 10 minutos de muita diversão rock and roll, fechando o show!
Em uma demonstração de muita humildade e carinho pelos presentes, a banda fez questão de cumprimentar, autografar e tirar fotografias com todos que estavam presentes, sem qualquer pressa. Ainda deu tempo de uma conversa informal com eles sobre o Brasil e sobre rock and roll (fotos no final do post).
Mas uma das coisas que mais me marcou foi um pouco antes do parágrafo de cima acontecer: ao final do show, enquanto alguns se levantavam já em direção a saída, eu fui até a grade do palco acompanhar a movimentação – eu sempre vou perto do palco nos finais de shows. Acontece que a própria banda estava desmontando seus equipamentos e guardando-os, com a ajuda da banda de abertura e outras pessoas. Quando digo “guardando”, não é apenas o instrumento: estou falando de tirar as fitas do show, enrolar cabos…
Das fotos que vocês verão no caprichado slideshow abaixo, todas foram conseguidas por mim após um papo com o próprio Scott que, ainda no palco, fez questão de me ouvir enquanto eu pedia por um setlist. Ele olhou para o chão e não achou nenhum. Pediu para que eu esperasse que ele ia para o backstage e voltaria. Ali fiquei. Cerca de 3 minutos depois, lá vem ele me procurando com o setlist em mãos e outras folhas, que eram justamente as frases deles anotadas em Português e outros lembretes a serem falados no show. Ele me agradeceu bastante, ainda no palco, e pediu para que eu ficasse mais um tempinho para um papo, fotos e autógrafos.
Enfim, muita simpatia e humildade de todos, sob o conforto de um clássico rock and roll. O que mais eu quero da vida?
A banda canadense The Agonist finalmente se apresentou e fez um show muito bom para uma platéia bem selecionada.
Mesmo com muitos boatos de adiamento por conta do vulcão chileno Puyehue e mudança de local, a banda se apresentou no Carioca Club para um público pequeno, mas muito animado.
A abertura foi pela banda EcliptykA, uma banda muito boa e que realmente me surpreendeu pela atitude ealegria.
Com as pessoas devidamente aquecidas foi a vez do The Agonist subir ao palco e acabar com qualquer dúvida, se é que alguém tinha, dessa nova geração do heavy metal.
A introdução foi com um trecho do Lago dos Cisnes cantado a capela pela bela Alissa White-Gluz seguindo principalmente com músicas do disco "Lullabies For The Dormant Mind".
Pra mim os grandes destaques foram as músicas "Thank You Pain", "Serendipity" e "Business Suits and Combat Boots". Também gostei muito da banda perguntar em sua página do Facebook qual música as pessoas gostariam de ouvir no show.
Essa é uma prática que eu realmente gostaria MUITO que virasse moda.
Um dos pontos altos do show foi a tentativa de "wall of death" que Alissa puxou, infelizmente não tinham pessoas suficientes para fazer um belo wall, mas foi divertido de qualquer jeito.
Foi muito bom conferir ao vivo as variações de vocal da Alissa, ver como ela passa de um gutural à um vocal tranquilo e melódico.
Agora é aguardar o novo disco e quem sabe uma nova turnê em breve.
A noite de 22 de maio foi muito especial para os amantes do Thrash e Death Metal, pois reuniu em um mesmo palco dois grandes nomes do metal extremo brasileiro. Com uma alta quilometragem rodada por este mundo afora, o Korzus mostrou toda a fúria e agressividade do bom e velho Thrash Metal, em noite de lançamento do álbum “Discipline of Hate” um trabalho que já nasceu clássico. E o não menos rodado embora não tão veterano assim, Torture Squad, que estreou um novo vídeoclipeno telão do Carioca Club mostrando toda a versatilidade e peso de sua música. E ainda contamos com as aberturas de Psychotic Eyes e Machinage.
Quem deu as honras de abrir os portões do inferno e mandar o primeiro som da noite foi a banda de Guarulhos Psychotic Eyes, com a excelente faixa “Throwing into Chaos”, dando o sinal que a noite seria promissora. A segunda canção foi a brutal “Welcome Fatality” reproduzida em plena perfeição; a lenta “Life” trouxe a calmaria ao show, e com músicos talentosos a banda fez uma releitura de um clássico da MPB “Geni e Zepelim” de Chico Buarque, descaracterizando totalmente a canção mas mantendo a mesma letra, no que resultou em algo surpreendente e inovador. Todas as faixas anteriores podem ser encontradas no último CD da banda intitulado “I Only Smile Behind the Mask”. Para finalizar mandaram “Celebrate the Blood”. O tempo foi curto, mas a banda mostrou que o metal nacional está mais do que nunca crescendo em nosso país.
Diretamente de Jundiaí para o palco do Carioca Club, a banda Machinage foi a segunda a se apresentar. Formado por Fabio Delibo (Vocal e Guitarra), Renato Lorenccini (guitarra), Adriano Bauer (Baixo) e Ricardo Mingote (Bateria), o quarteto trouxe um belíssimo Thrash Metal, iniciando com a ótima, “Next Victim”; a próxima foi a dona de um riff perfeito “Envy”, na pista o que se ouvia era elogios sobre a banda, isto demonstra o quanto é importante termos bandas de abertura, pois existe a grande chance de descobrimos ótimas bandas que ainda não ouvimos. Fábio e sua trupe presentearam a galera com “Mask Behind Some Lies”,“ Anguish” - esta por sua vez me fez lembrar da grande banda alemã Sodom com seu riff inicial e ao mesmo tempo um pouco de Metallica em outras passagens. A veloz “Is This The Way” colocou mais gás em todos que estavam na pista, “Cold 3rd War” antecedeu “Tides of War” que foi a saideira, quem nunca viu a banda ao vivo, não pense muito na próxima chance, a banda está embarcando para os Estados Unidos onde irá fazer algumas apresentações.
Aproximadamente às 20 horas foi anunciado que o novo vídeoclip do Torture Squad faria sua estréia, e assim sendo “Holiday in Abu Gharaib” só colocou mais ansiedade nos fãs sedentos pela música avassaladora da banda. Dois minutos se passaram após a execução do vídeo e agora sim, a galera teria ao vivo e a cores um dos maiores nomes do Death/Thrash brasileiro, Torture Squad, abriu sua apresentação com a fortíssima “Generation Dead” e ”Raise Yours Horns” ambas canções do CD Aequilibium. Neste momento, Vitor Rodrigues (vocal) diz ser um satisfação estar tocando em casa e agradece a todos pela presença.
Em seguida anuncia a veloz “Living for the kill” um clássico de 2007 do CD Hellbound que colocou agressividade ao espetáculo, fazendo com que o público abrisse enormes Mosh; depois chegou a vez de mais, uma nova “Holiday in Abu Gharaib” mas desta vez nada de telões, a faixa relata os maus tratos que ocorrem em uma conhecida e horripilante prisão iraquiana. Dando proseguimento, a platéia pediu e a banda atendeu prontamente, do release Pandemonium veio “Horror and Torture” o som foi muito ovacionado e seu refrão cantado por todos, em destaque o guitarrista André Evaristo que executou o solo com perfeição conduzindo o seu instrumento com perfeição. Com um riff cortante “Mad Illusion” puxou em seu vácuo “Storms” e “Abduction Was The Case”. Castor (Baixo), músico talentoso colocou mais grave e peso na cozinha, preparando o terreno para um dos pontos altos do show, na conhecidíssima “Pandemonium”; Vitor por sua vez sinalizou aos fãs que fizessem uma roda, nada tão difícil de conseguir de uma platéia tão agitada.
“Black Sun”, “The Spirit never Dies” e “Chaos Corporation” deram continuidade ao evento; “Convulsion” foi a penúltima faixa a ser tocada, e sem pausa para respirar, Vitor apresenta na bateria Amilcar Christófaro, um homem que dispensa apresentações, sem duvidas um dos melhores baterista do Brasil, e ele dá início a um dos maiores clássicos da banda “The Unholy Spell”, finalizando com chave de ouro a apresentação.
Os veteranos do Korzus adentraram com “Guilt Silence”. Um ícone do Thrash brasileiro de 2004, com um vocal único e matador Pompeu (vocal), impõe o ritmo do show; a faixa titulo e homônima do álbum Discliple of Hate foi a próxima a ser executada - neste momento Pompeu conversa com todos; e do novo trabalho tivemos “Truth”, música que contém um riff matador. Sem conversa alguma o quarto som a ser tocado foi “Respect”, Pompeu convoca os fãs participar mais intensamente da música e no palco os músicos agitam bangueando insanamente.
Dick, o messias do baixo, com personalidade toca o instrumento de trabalho como ninguém, sua presença no palco é inconfundível e faz toda a diferença, Pompeu e seu vocal imponente tomaram as rédeas e comandaram os fãs ao caos; ao anunciar a próxima, ele pede a galera que mostre o poder da voz de São Paulo, e ao contar até três que gritassem bem alto; o vocalista, não satisfeito comenta: “Que esta é a minha cidade e os headbanger de São Paulo estão de parabéns, e para aqueles que diziam que ninguém iria ver banda nacional porque o ingresso dos gringos estavam mais baratos aqui estamos nós no palco do Carioca Club”. Ele ainda elogia a todos aqueles que prestigiaram este show nacional, dizendo "esta é nova revolução". Vale ressaltar que o comentário é feito vendo que a casa estava cheia. “Revolution” chegou para destruir o ambiente emendada com a sua antecessora “Raise Your Soul” que chegou colocando mais gás no ensandecido público, do “Ties of Blood”, e ainda tivemos na sétima colocação “Scream For Death”.
Às 22h27, após “What Are You Looking For” e “Eternally” veio totalmente cantada em português “Correria”, onde Pompeu estabelece uma conversa com os fãs e resolve fazer uma brincadeira, subdividindo o público ao meio, criando um gigante corredor polonês, formando duas linhas de frente que ao sinal esperado deveriam se enfrentar. “Wall of Death” e uma enorme roda iniciou-se, uma das maiores que já vi em shows, um belo espetáculo para presenciar e participar.
Antes de anunciar uma faixa do CD Mass Illusion, o vocalista convoca ao palco um ex-membro, nada mais nada menos que Silvio Golfetti, que deixou a banda após sofrer uma fratura exposta no braço esquerdo após um acidente. A veterana “The World Is a Stage” veio seguida de “Sadness” que trouxe outro ex-Korzus ao palco, o guitarrista Soldado. Com 25 anos de história, a banda esbanjou vitalidade, com certeza mostrou-se como a escolha ideal para ser a banda de abertura do show do Slayer.
Em uma noite que tudo deu certo, aparelhagem em ordem, músicos inspirados e público animado, a cidade de São Paulo escreveu mais um belo capítulo em sua história do Heavy Metal. Agradecimento e parabéns à produção do evento pela organização e atendimento dispendido à imprensa.
Atualmente o SYMPHONY X é uma das maiores bandas de prog. metal da cena metálica mundial, e tal mérito não é por acaso. A mistura de Dream Theater + Yngwie Malmsteen + Pantera que a banda faz é algo totalmente único e que conquistou inúmeros fãs ao redor do globo. Mas apesar de toda fama, a banda não conseguiu lotar o Via Funchal nesta noite fria de sábado (04). O lugar ficou razoavelmente cheio, mas andar entre as pessoas era algo dava para fazer sem problema algum.
Era cerca de 20:45h quando a banda de abertura Andragonia subiu ao palco para realizar sua apresentação, mas infelizmente foi um set sofrido por causa da péssima qualidade do som. Quase não se ouvia as guitarras, enquanto que a bateria e o baixo estavam com o volume lá em cima, e o vocal chegava a arder os ouvidos quando o vocalista Ricardo De Stefano dava algum agudo. Uma pena, já que a banda não é ruim e merecia ter tido mais sorte. Não foi desta vez.
Já passava das 22h quando o Symphony X iniciou sua apresentação com a introdução "Oculus Ex Inferni", para em seguida começar a tocar "Of Sins and Shadows". O som não estava perfeito, mas com certeza estava muito melhor do o da banda de abertura; mesmo assim, tudo parecia meio embolado. A guitarra de Michael Romeo estava um pouco abafada e o vocal de Russell Allen só dava para escutar por que o cara realmente é muito bom.
A situação foi melhorando aos poucos. Tocaram "Domination", "Serpent's Kiss", "The End of Innocence" e deram uma maneirada com a balada "Paradise Lost", que esfriou a plateia. Mas logo se redimiram com "Smoke and Mirrors", talvez uma das músicas mais legais já compostas pela banda.
Em seguida mandaram bem com "Eve of Seduction", "Dehumanized" (música que faz parte do novo álbum que ainda está para ser lançado), e fecharam com a pesadona "Set the World on Fire", que deu aquela impressão de "nossa mas que show mais curto"! Mas quando voltaram para tocar "The Odyssey" já deu para sacar o porquê de um set relativamente curto, já que esta música tem cerca de 24 minutos! Poderiam ter usado esse tempo para tocar algumas que ficaram de fora como "The Damnation Game", "Evolution (The Grand Design)" e "The Eyes of Medusa", não é mesmo?
Ao final de "The Odyssey", a banda se despede do público decretando o final de mais uma apresentação na capital paulista.
Setlist:
Oculus Ex Inferni Of Sins and Shadows Domination Serpent's Kiss The End of Innocence Paradise Lost Smoke and Mirrors Eve of Seduction Dehumanized Set the World on Fire Bis: The Odyssey
O dia 29 de maio foi um dia marcante para o Rock Paraibano, pois um show aconteceu naquela data que ficará marcado nos anais do Rock na Paraíba, bem como na memória dos que estiveram presente no Clube Cabo Branco.
O público não foi dos melhores para assistir a duas bandas que merecem muito respeito, a SHOCK – banda pioneira na Paraíba a tocar Heavy Metal – dando início ao espetáculo, e ANDRE MATOS, grande vocalista que já passou pelas bandas VIPER, ANGRA e SHAMAN, que atualmente segue em carreira solo.
Bem, temos que ser sinceros que o Clube Cabo Branco não foi feito para comportar shows, pois a acústica do local faz com que o som fique de baixa qualidade. Qualidade: Eis o adjetivo ideal para as duas bandas que ali se apresentaram. Fãs que estavam sedentos para apreciar os dois shows, tanto do lado do SHOCK - que mesmo sendo a banda de abertura foi muito bem recebida pelos presentes, aonde cantaram os clássicos da banda e “piraram” ao som das novas músicas e dos covers da banda britânica JUDAS PRIEST -, quanto do ANDRE MATOS, aonde eram esperadas as músicas clássicas e as inéditas.
O show estava previsto para iniciar às 19 horas, mas devido alguns imprevistos o show atrasou, deixando alguns fãs impacientes do lado de fora (inclusive eu). Mas, temos que dar um crédito, pois a cena Rock n’ Roll da Paraíba está prestes a mudar devido a iniciativa de alguns produtores apaixonados pelo gênero musical.
Bem, por volta das 20 horas a SHOCK subiu ao palco tocando uma música nova que pouca gente conhecia, mas que foi recebida com muita empolgação. O repertório da banda variou entre os clássicos do disco Heavy Metal (We Salute You) de 1991, como por exemplo “You've Drunk Too Much”, a excepcional “Failure And Defeat”, a minha favorita “Created By Death”, “Long Hair”, a adorada pelos fãs “Silver Cross”.
Houve um momento em que o cabo do baixo arrebentou, e assim a banda começou a fazer uma interação com o público que o deixou aceso, até consertarem o problema e continuarem a destruir com todo o vapor.
O público estava em chamas quando a banda tocou as músicas “The Ripper” e a excelente “Breaking the Law” do JUDAS PRIEST, finalizando, assim a sua apresentação.
Pronto, o público já estava “aquecido” para receber a atração principal, ANDRE MATOS.
Depois de alguns ajustes no palco, as luzes se apagaram, e os fãs que estavam de papo furado logo correram para o mais perto que podiam do palco. Assim, os músicos foram subindo, a galera foi à loucura, e pouco tempo depois entra ANDRE MATOS, para o delírio dos fãs.
A banda começou com a feroz música de abertura do disco “Mentalize”, Leading On. Alguns batiam cabeça, outros pulavam, outros cantavam, alguns só assistiam atônitos à apresentação da banda, e pareciam ignorar o fato do som ser fraco.
Logo em seguida a banda soltou a “I Will Return”, dando a parecer que iriam tocar o "Mentalize" na íntegra, ou boa parte dele. Opinião que veio a ruir quando executaram a música “Rio”, seguida da enérgica “Mentalize”, na qual o Clube Cabo Branco em peso cantou em coro o refrão, aonde alguns, que estavam perto deste que vos escreve, pareciam que iriam se esguelar de tanto forçar a voz. E, sem contar na interação do ANDRE MATOS com o público, fazendo este pular e cantar incessantemente e incansavelmente.
Já era hora de esfriar os ânimos. Ciente disto, a banda executou, para o delírio daqueles que acompanham a carreira do ANDRE MATOS ao longo dos anos, a música “Fairy Tale”, do primeiro disco do SHAMAN, que foi cantada do início ao fim por quase a totalidade dos que estavam presentes no Clube Cabo Branco. Eu confesso que fiquei boquiaberto com aquela cena, pois, embora com um público considerado pequeno, o que ecoou parecia ter o dobro, quem sabe o triplo de pessoas presentes.
Então, toda a banda saiu do palco, deixando apenas o guitarrista Zaza para dar o seu show particular. Foram momentos de deixar alguns expectadores paralisados, hipnotizados pela técnica, harmonia e melodia que soavam de seu instrumento. Logo, Mariutti se junta para solar junto com o Zaza, fazendo as notas “passearem” pela atmosfera do Clube Cabo Branco.
Após dos solos eletrizantes de guitarra, a banda toca “How Long”, faixa do primeiro disco solo do ANDRE MATOS, e em seguida a faixa-título do segundo disco do SHAMAN, “Reason”.
Depois da paulada da música “Reason”, era a vez do baterista mostrar a sua técnica. Meus amigos, o solo do baterista (Rodrigo) foi um momento que mesclou euforia de alguns e perplexidade de outros. O Sr. Rodrigo bate muito forte no seu instrumento, maltratando-o, para deixar o público e os vizinhos do Clube Cabo Branco surdos.
Após uma verdadeira aula de bateria, a banda retorna para tocar “The Myriad”, música do último disco de estúdio do ANDRE MATOS. Logo em seguida, a banda executou a música “Prelude to Oblivion”, para logo após tocar a maravilhosa “Lisbon”, do disco Fireworks, do ANGRA.
Hora do bis. Antes da banda voltar para o palco ouvia-se alguns expectadores comentando entre si sobre quais seriam as músicas que iriam rolar naquele momento final do show. Questionamentos do tipo “Será que sai Nothing to Say?”, ou “E Carry On? Ele não vai tocar??”... Enfim, o público queria ouvir as grandes músicas do passado da carreira do ANDRE MATOS. E, das três músicas finais, duas foram do ANGRA: a exímia “Holy Land” e a tão esperada “Carry On”, que foi recebida com euforia e cantada até o topo das vozes de cada fã ali presente.
Então, a banda chegou à última música. Neste momento os fãs já estavam se dando por satisfeito quando tocaram “Endeavour”, do primeiro disco solo do ANDRE MATOS, que quando estava chegando perto do fim, o frontman fez uma promessa de retorno e um gesto de saudação, deixando o microfone com uma assistente de palco, aonde ficou apenas a banda tocando o fim da música. Alguns, eu fui um deles, ficaram se questionando “Ora, depois de um show tão foda, uma despedida tão fraca?”. Queimamos a língua, pois um a um foi deixando o seu instrumento e fazendo uma saudação ao público, até deixar o baterista tocando sozinho, que por fim fez o mesmo que os demais da banda.
Após a despedida individual, toda a banda voltou para se despedir do público e fazer aquele velho clichê do Rock: Jogar palhetas, munhequeiras, baquetas e etc...
Na minha humilde opinião, foi um show espetacular, embora o público tenha sido pequeno pelo o que representa a figura do ANDRE MATOS para o Heavy Metal mundial, e pelo som de qualidade baixa.
Eu julgo o dia 29 de maio de 2011 como um dia marcante para o Rock na Paraíba, pois um ícone do Heavy Metal mundial passou por aqui. Fato tal que poderá abrir as portas para novas bandas de maior expressão aparecerem pela cidade de João Pessoa.
Público que curte Heavy Metal na cidade de João Pessoa, e nas vizinhas, existe, embora seja uma terra aonde ritmos como forró e outros, digamos, “abrasileirados”, sejam dominantes. O que falta? Eu não sei dizer ao certo, pois diversos fatores vêm à tona, tais como dificuldades financeiras, dificuldades para se locomover de um local para outro, ou simplesmente falta de interesse de apoiar um evento desse porte. Mas, um dia, quem sabe, essas pessoas que não compareceram, possam ver a magnitude e importância que foi este evento.
"According to the Rolling Stones" é uma espécie de Santo Graal para os fãs dos Stones. Biografia oficial do grupo, construída a partir dos depoimentos dos próprios Mick Jagger, Keith Richards, Ron Wood e Charlie Watts, conta a história da “maior banda de rock de todos os tempos” com uma riqueza de detalhes até então inédita.
O livro, em formato grande (30x22 cm) e com capa dura, traz nada mais nada menos que 328 fotos espalhadas por suas 360 páginas! Lançado no Brasil pela editora CosacNaify, "According to the Rolling Stones" é considerado pelos fãs e pelos estudiosos do grupo como o mais completo livro já produzido sobre a banda e uma espécie de "Anthology" do grupo, em uma alusão ao projeto que passou a limpo a carreira dos Beatles durante a década de 90.
A ideia para a publicação surgiu em 2002, durante as comemorações pelos 40 anos de carreira do conjunto. Os organizadores da obra, Dora Loewenstein (filha do Príncipe Rupert Loewenstein, que administrou as finanças dos Stones por mais de três décadas) e Philip Dodd contaram com a preciosa ajuda de Tim Rice (ele mesmo, o eterno letrista e parceiro de Elton John em dezenas de canções) e Rob Bowman (estudioso canadense especializado em rock, blues e soul) nas rodadas de entrevistas que deram origem à obra. O resultado é um texto franco, transparente e rico em detalhes e, principalmente, diferenciado por trazer a opinião dos próprios Stones sobre todos os períodos de sua longa história.
Da paixão inicial pelo blues ao envelhecimento na estrada, Mick, Keith, Ron e Charlie não têm papas na língua para falar sobre qualquer assunto. É delicioso viajar ao lado da banda através da década de 60, quando o pop e o rock estavam mudando o mundo e os Stones eram um dos principais protagonistas dessa transformação. Um dos pontos mais legais do livro está justamente nesse período, com Jagger e Richards relembrando como era a sua relação com os “rivais” Beatles. Resumindo: uma aula prática sobre a história do rock, cujos professores são dois dos seus principais personagens.
Os anos setenta, período em que o grupo redefiniu – ao lado de Led Zeppelin, diga-se de passagem – o conceito de banda de rock com seus excessos, loucuras e egos sem limites, são outro destaque de "According to the Rolling Stones". São dessa época as histórias mais fantásticas e surreais da carreira da banda, várias delas alguns dos pontos mais inacreditáveis da história do rock, como a orgia infinita da famosa turnê de 1972 – cujos alguns dos momentos mais picantes foram eternizados no famoso documentário "Cocksucker Blues", proibido pelo grupo -; o suposto caso de Mick Jagger com Margaret Trudeau, esposa do então primeiro-ministro do Canadá – na verdade quem pegava a moça era Ron Wood, mas, em represália, a barra pesou para Keith, que foi flagrado com cocaína e preso no país -; e a insana gravação do álbum "Exile in Main Street" em uma mansão francesa que era um antigo abrigo para nazistas, com um Keith Richards entupido de doses industriais de heroína liderando a banda na concepção de um de seus melhores discos.
O que torna o livro único é a franqueza com que a banda fala dos mais polêmicos assuntos, sem fugir da discussão em nenhum momento. Do desgaste e gradativo afastamento de Brian Jones, que culminou com a saída do guitarrista pouco antes de sua morte prematura, passando pela produtiva fase com Mick Taylor e o afastamento de Bill Wyman, o quarteto não se furta de comentar nada. O que chama a atenção, contudo, é o proposital pouco foco dado a Wyman em todo o livro.
As fotos que compõe "According to the Rolling Stones" – 328, para ser mais exato -, são um banquete para os fãs. De imagens raras de Mick e Keith ainda crianças até flagrantes atuais, a viagem visual proporciada é inebriante. Há uma fartura de fotos raras e pouco conhecidas do grupo, e também dos integrantes da banda em momentos mais íntimos, acompanhados de seus familiares. Essa epopeia visual, aliada à força do texto, transforma o livro em uma obra fundamental para os fãs dos Stones e do rock em geral.
Completando, estão espalhados por todo o livro vários depoimentos de pessoas próximas ao grupo. Nomes como Ahmet Erregun (um dos fundadores da gravadora Atlantic), o produtor Don Was e a cantora Sheryl Crow falam da sua relação pessoal com a banda, em testemunhos interessantíssimos.
Os 12 capítulos de "According to the Rolling Stones" formam um dos documentos mais completos já publicados a respeito dos Stones e, consequentemente, sobre a própria história do rock and roll e em como ele mudou a sociedade nos últimos cinquenta anos. Há uma verdade desconcertante em cada página da obra, o que a torna muito mais verdadeira do que poderia se supor de uma biografia oficial.
"According to the Rolling Stones" será seu companheiro por vários dias e proporcionará divertidíssimos e ricos momentos a quem se aventurar por suas páginas. Leitura obrigatória e, mais do que isso, extremamente prazerosa.
Ex-guitarrista dos Smiths fala sobre o álbum The Queen Is Dead, que completa 25 anos.
Como não existe mais a Bizz, o Blog resolveu furar a Billboard e a Rolling Stone (mas não a New Musical Express) e entrevistar com exclusividade o legendário compositor sobre o álbum fundamental da banda de Manchester:
Durante a composição de The Queen Is Dead que artistas você estava ouvindo principalmente? Sente que tiveram influência direta no som do álbum?
Johnny Marr: Velvet Underground, também acho que há influência de Stooges em “Never Had No One Ever”.
As coisas aconteceram tão rápido para os Smiths... quando produziam o The Queen Is Dead você sentiu que ele era tão especial para permanecer tanto tempo como um dos maiores álbuns de todos os tempos?
J. M: Estava apenas tentando fazer o disco certo para nós no momento. O que foi um trabalho grande o suficiente, só achei que era um grande álbum quando foi acabado, mas você não imagina coisas como “melhor de todos os tempos” ou coisa assim.
Você já sentiu, com os compositores que trabalhou mais tarde, uma espécie de “sincronicidade” próxima da que havia entre você e Morrissey?
J.M.: Não sei se houve “sincronicidade”, éramos muito muito próximos e trabalhavamos muito bem juntos.
Pode citar artistas atuais que mostram influência dos Smiths? Não só musicalmente, mas no discurso, com a mistura de ironia e crítica ? Ainda há rebeldes no rock ou só bandas de videoclipe?
J.M.: Não acho que é trabalho de músicos fazer crítica de artistas em público. Não sou um crítico. Acho que há rebeldes no meio, mas talvez não no mainstream. Isaac Brock do Modest Mouse Modest é um dos poucos. Ele é um artista.
Você ouviu alguns desses vários álbuns tributo vários (incluindo Smiths Is Dead)? O que gostou neles?
J.M.: Ouvi algumas versões cover ao longo dos anos. Não sei se estão nestes álbuns. Gosto da versão do Low de “Last Night I Dreamt that Somebody Loved Me”, também a versão de TheTreePeople para “Bigmouth Strikes Again” era boa quando a ouvia.
Os Smiths eram tipo uma gangue. Você sentiu algum medo ou solidão para encarar o início na carreira solo?
J.M.: Tá brincando? Estou sempre rodeado de pessoas. Muitas pessoas às vezes.
Você veio para o Brasil com Pretenders para um grande festival (1988). Que lembranças tem ?Conhece/gosta de música brasileira? Uma volta ao Brasil está em seus planos?
J.M.: Minha viagem ao Brasil foi muito divertida. Conheci algumas pessoas legais e ouvi boa música. Definitivamente voltarei.
Na minha opinião, seu estilo de tocar tem como marca registrada a oposição à distorção. Como você o descreve brevemente?
J.M.: Acho que o som pelo qual sou mais conhecido é claro e de toque melódico. Tento expressar uma emoção forte e às vezes é alegre e, às vezes triste e muitas vezes, as duas coisas. Gosto quando é assim porque é como a vida é.. tento tocar o que sinto na vida.
A ESCARNIUM surgiu por volta de 2007/2008 apostando em um death metal simples e direto, sem modernidades e técnicas exageradas. E a proposta se encaixou tão bem, que os baianos chamaram a atenção por se destacar entre tantas outras bandas brasileiras do gênero. Lançaram uma demo, um split, e agora estão prestes a soltar o nervoso EP “Rex Verminorum” (ver resenha neste link. O blog Som Extremo (http://somextremo.blogspot.com) entrevistou por e-mail o vocalista/guitarrista Victor Elian, abordando a cena underground baiana, os downloads via internet e claro, o vindouro EP. Completam a banda Eucini Santy (guitarra), Gabriel Dantas (baixo/vocal) e Nestor Carrera (bateria).
Som Extremo: Como está a expectativa para o lançamento do EP “Rex Verminorum”? O que significa exatamente esse nome? O que mais pode detalhar em relação ao novo trabalho? Como conseguiram fechar contrato com os selos poloneses?
Victor Elian: Fala, Christiano! Primeiramente, obrigado pela oportunidade de divulgar nosso trampo e nossas ideias aqui no seu blog. Vamos lá... cara, a expectativa sempre é grande. Temos consciência de que é um bom material e as críticas são sempre muito positivas. Uma pequena tiragem que fizemos no intuito de divulgar o material entre selos e distribuidoras acabou muito rapidamente. A maior dificuldade que estamos tendo é aqui no Brasil, pois não estamos achando um selo sério que tope lançar nosso material em parceria com os selos poloneses. No caso dos selos gringos (HELLTHRASHER PRODS/ TILL YOU FUKKIN BLEED), a verdade é que foram eles que nos acharam e ficaram muito empolgados com o material. Inclusive uma parte das mil cópias em CD serão no formato digipack (500), e estarão chegando entre julho e agosto aqui para mim. “REX VERMINORUM” está em latim e significa “REI DOS VERMES”. Ainda esperamos que este EP nos renda mais alguns frutos. Temos muitas coisas engatilhadas, e uma das conquistas foi o fechamento do contrato para o lançamento do nosso full-length, também pelo selo polonês HELLTHRASHER PRODS.
Som Extremo: O material sairá também em fita cassete, certo? Seria esse um resgate dos velhos tempos em que bandas e fãs trocavam esse tipo de material?
Elian: Sim, a TILL YOU FUKKIN BLEED lançará o material em tape. Será o segundo lançamento da ESCARNIUM através deles: o primeiro foi o split com a INSIDE HATRED. Acredito que a ideia de lançar material em tape hoje em dia, na era digital, é mesmo para relembrar esse momento, ainda mais vendo que as coisas se tornam cada vez mais plásticas e comerciais a cada dia que passa.
Som Extremo: O death metal de vocês é bastante tradicional, mas consegue se sobressair a muitas bandas que executam o mesmo estilo. Existem dificuldades em fazer esse som tão comum, mas ao mesmo tempo conciso e seguro?
Elian: Obrigado pelas palavras, meu velho. Então, Christiano, eu discordo de você um pouco. Realmente não acho que o death metal tradicional esteja tão comum ultimamente. Talvez até esteja rolando agora algumas bandas fazendo esse som, que por algum tempo ficou meio apagado ou saturado... Repare que com o KRISIUN, muitas, mas muitas bandas mesmo quiseram seguir o mesmo caminho, enquanto outras muitas seguiram o caminho do CANNIBAL CORPSE, com temáticas mais splatter e riffs mais entruncadões, e tal. Então hoje, a minha maior preocupação é que a ESCARNIUM não repita o que já foi feito um dia. E isto sim é difícil, tendo em vista que o death metal é um estilo que foi muito bem consolidado. Mas acredito que conseguimos fazer isso bem: ser tradicional sem soar retrô (nada contra) ou uma cópia da cópia.
Som Extremo: A ESCARNIUM é da Bahia, um estado onde a última coisa que se espera é haver uma boa banda de metal extremo. Como é a cena underground aí? Que outras bandas você destacaria?
Elian: Olha, tem muita banda aqui... O problema é que no Brasil é muito comum aquele bairrismo típico onde as pessoas voltam muito os olhos para o Sul e Sudeste. Nada contra estes estados e as suas cenas - eu mesmo sou de BH - mas, “Ei, vamos olhar aqui para cima?”. Tipo, tocamos no estado de São Paulo algumas vezes e em alguns momentos, uns e outros nos faziam essas perguntas. Nada contra, mas, quando percebi que algumas pessoas pensam que Salvador, Fortaleza e Recife são uma ao lado da outra, complica. Prova que muitas pessoas estão totalmente por fora a respeito da região, entende? Criou-se uma cultura errada onde acreditam que no Nordeste não existe metal ou rock que seja... Isso é muito errado. É o mesmo que pensar que no Rio de Janeiro só existe funk. Acredito que falta mesmo um pouco de interesse do resto do Brasil pelo Nordeste. O heavy metal alcançou lugares inóspitos mundo afora e não iria alcançar uma região como o Nordeste do Brasil? Infelizmente essa ideia ficou muito bem difundida.
Mas o fato é: existem muitas bandas boas aqui pra cima... basta dar uma conferida. Bandas que tenho escutado bastante: INSIDE HATRED, RxCxEx, DEFORMITY BR, NECROBSCURE. Citei essas porque são as que mais têm me chamado a atenção no momento, mas existem várias e várias outras não só no death, mas também no thrash, black, grind, heavy... tem muita banda aqui por cima. Só citei algumas de Salvador e Vitória da Conquista, mas ainda temos todos os outros estados e é banda que não acaba mais. Eu te falo com a maior certeza do mundo que, se você parar para pesquisar, vai ficar de cara. E não é de hoje que isso vem acontecendo. Há tempos tem bandas fazendo som extremo por aqui, vide MYSTIFIER, HHDC, MALKUTH, DECOMPOSED GOD, SANCTYFIER, CRUCIFICATOR, enfim... uma pá de bandas com mais de década fazendo som... Então, meu conselho geral para todos que pensam isso é: CONFIRAM as bandas do Nordeste. Vale a pena.
Agora prosseguindo com a resposta, o cenário aqui é como outro qualquer. Digo isso pois tenho contato com gente do mundo inteiro e sempre reclamam das mesmas coisas salvo algumas exceções. No Brasil e América do Sul, a reclamação em geral vai muito em direção às estruturas, espaços, panelas, conchavos de selos, bandas e produtores, organizações mercenárias que só visam lucro, etc. Ando bastante descontente com a cena local... é uma cena boa sim, mas com muita gente querendo te ver pelas costas. Isso é ridículo. Tem camarada que anda com você hoje, e no final do ano, o filho da puta já fez o inferno com o seu nome. E depois isso passa, e o mesmo carinha faz inferno na vida de outro e por aí vai. Nós da ESCARNIUM nos fechamos totalmente, e temos seguido somente nosso caminho sem olhar pro lado. Quem quiser vir junto seja bem-vindo. Se não, um foda-se bem grande.
Som Extremo: Além do lançamento do EP, existe mais alguma novidade? Quais os planos futuros da ESCARNIUM?
Elian: Full-length no final do ano ou ínicio de 2012, e mais um monte de coisas ainda que estão por vir, mas ainda é cedo para falar com muita precisão.
Som Extremo: A demo “Covered in Decadence”, que virá no EP, está disponível para download na internet. Qual a sua opinião sobre esse recurso?
Elian: Eu relutei muito em disponibilizar a demo... Muita gente lança demo e sai divulgando por aí o link. Sei lá, parece que estão tentando empurrar a banda a qualquer custo goela abaixo de todo mundo, o que banaliza o material. E a intenção da ESCARNIUM não é essa. Não visamos o mainstream. Visamos aqueles que curtem o tipo de som que fazemos e basta. O mainstream é uma consequência (boa ou ruim). Só disponibilizamos a demo quando vimos que não estávamos mais alcançando certos lugares. No geral não tenho nada contra, mas sou a favor de que, se você faz download, quando puder, compre o material original. Se gostou, divulgue. Se não fez nem um, nem outro, vá ao show. Tipo, faça algo em troco disso, entendeu? Nada mais justo. É importante que as pessoas tenham consciência de que a internet tem dois lados da moeda.
Som Extremo: Hoje o Brasil tem muitas bandas de metal extremo de qualidade, mas que injustamente não têm o reconhecimento merecido. O que acha que falta para que a cena underground daqui levante vôo de vez e coloque essas bandas no merecido topo do metal, e por que não, do rock nacional?
Elian: Cara, não sei... Acho que me faço essa pergunta todos os dias. E sempre volto na ideia que isto é uma consequência de vivermos no terceiro mundo. As coisas são mais difíceis pra gente, velho. Pra fazer uma tour, um show, gravar um disco, é tudo muito complicado, mas no final dá um gosto especial.
Som Extremo: O blog Som Extremo agradece a entrevista. Mais algumas palavras?
Elian: Eu que agradeço em nome da ESCARNIUM a você e a todos que acompanharam a entrevista! Mais informação da banda nowww.myspace.com/escarniumdm. E lembrando que em julho estará disponível nosso EP. Boa sorte com seu blog e com o PREY OF CHAOS (boa banda) (Nota do redaror: é a minha banda! Eheh)! Valeu!!! HAIL!!! REX VERMINORUM!!!
E para não deixarem os curiosos na mão, vale relembrar que o link para download da demo “Covered in Decadence” está disponível na resenha do CD da ESCARNIUM (ver a resenha no link lá em cima, bem no começo!). E para finalizar, eis um vídeo de ensaio de uma das músicas do EP – “Dark Clouds Above Hell's Fire”:
A BANDA DO SOL foi formada no início da década de 80 por Moa Jr. (vocal/guitarra/violão), Fábio Fernandes (bateria) e Turco (baixo). As referencias musicais eram nomes como Beatles, Genesis, Yes, Supertramp, Ravi Shankar, Gentle Giant e Deep Purple.
Depois de terem participado de duas coletâneas, a BANDA DO SOL lançou seu primeiro LP em 1982. O disco auto-intitulado foi gravado no renomado Estúdio Mosh em São Paulo. Auto-financiado, o LP chegou a ser prensado e comercializado – hoje é item raríssimo.
À época, o trabalho independente – tão em voga nos dias de hoje – não era nada fácil e o grupo esbarrou em diversas dificuldades. Sem o suporte de uma grande gravadora, a BANDA DO SOL acabou sendo desativada.
Fábio Fernandes foi estudar medicina. Turco se mudou para Londres onde vive ate hoje. Moacir Jr. lançou-se em carreira-solo e fez um relativo sucesso. Conheceu Guilherme Arantes e logo viraram parceiros. Também teve um relacionamento produtivo com Sá e Guarabyra, Renato Teixeira, Beto Guedes, Walter Franco e 14 Bis.
Durante todo esse tempo, a BANDA DO SOL se reativava esporadicamente para ensaios e sessões de composição. O retorno definitivo só aconteceria com o lançamento de um novo álbum. Na nova formação, Moa Jr. no vocal, guitarra e violão; Fran Simi na guitarra; Cesinha Rodrigues no baixo; Fábio Fernandes na bateria e Allex Bessa nos teclados.
Intitulado Tempo, o novo álbum da BANDA DO SOL foi lançado em 2010 e reúne composições inéditas de todas as fases da banda.
O disco foi mixado na Califórnia nos EUA por ninguém menos que Billy Sherwood. Também conhecido por ter sido guitarrista do YES, Billy assina uma extensa discografia como produtor, incluindo discos de bandas como Motörhead, Toto, Ratt, Paul Rodgers e do próprio YES.
Se não bastasse a assinatura de Billy Sherwood na mixagem, Tempo foi masterizado pelo lendário engenheiro de som norte-americano Joe Gastwirt. Profissional de primeiro escalão, Gastwirt já masterizou discos de Paul McCartney, Jimi Hendrix, Ramones, Pearl Jam, Santana, Grateful Dead, Neil Young, Lynyrd Skynyrd, Miles Davis, Michael Jackson, etc.
O show de lançamento de Tempo foi um caso à parte. Em agosto de 2010 aconteceu em Sorocaba o evento Concerto Rock Sinfônico. Na ocasião, a BANDA DO SOL se juntou à Orquestra Sinfônica de Sorocaba e ao próprio Billy Sherwood para uma apresentação pra lá de especial. Mais de 7 mil pessoas prestigiaram o evento que, além das músicas da BANDA DO SOL, foi recheado de clássicos do YES, Toto, Yoso, Circa e Conspiracy.
Conversamos com Moa Jr. e Fabio Fernandes para saber mais sobre “Tempo” e o relacionamento com Billy Sherwood, além de fatos de seu passado histórico e os conceitos metafísicos que permeiam todo o trabalho do grupo.
Como está sendo a recepção de “Tempo” até o momento?
Moa Jr. - O trabalho está sendo muito elogiado. Nos enche de alegria ler e escutar comentários de vários expoentes da música curtindo o nosso som e sentindo que ele é verdadeiro, feito com alma.
Como foi gravar um novo disco depois de tantos anos desde o lançamento do primeiro LP em 1982?
Moa Jr. - “Tempo” vem traduzir todo nosso esforço durante muitos anos de ensaios, arranjos, composições e dedicação. A energia que a Banda do Sol colocou em movimento em 1982 agora ganha vida longa. Está sendo um momento maravilhoso com a realização de mais esse projeto.
Sabemos que a banda esteve ativa durante vários anos antes do lançamento de “Tempo”. Por que a banda não lançou nada durante esse período?
Moa Jr. - Sempre tivemos a intenção de gravar nosso trabalho, mas os arranjos tomavam muito tempo, mudávamos muito de idéias e queríamos muitos detalhes, assim como o rock progressivo pede. Até chegamos a gravar algumas músicas aqui em São Paulo, mais não estávamos satisfeitos com o resultado. Faltava um ‘algo mais’! Parece mesmo que tudo tem seu “Tempo”, e a entrada do Billy Sherwood foi fundamental para realização do projeto.
Em “Tempo” há músicas compostas ainda na primeira fase da banda, com a mesma formação que gravou o LP?
Moa Jr. - Não, os únicos que são dessa formação somos eu e o Fabio. Do LP regravamos apenas uma música com arranjos diferentes, que é a “Sinal da Liberdade”. Nessa faixa contamos com a participação de alguns de nossos amigos músicos que gravaram sitar, tabla e harmonium. A música “Prana”, que também está no LP, foi gravada ao vivo em um show em Votorantin/SP e entrou no CD como faixa bônus. Mas ela também tem arranjo bem diferente da versão original.
Falando nisso, como vocês comparariam o LP de 1982 e o CD “Tempo”?
Moa Jr. - Em essência são iguais no caminho único que é a música. Mas tivemos dificuldades em 82 para realizar o LP, principalmente por não ter ficado com a fidelidade sonora que escutávamos no estúdio quando estávamos gravando. Depois de prensarmos o disco, o som não ficou o mesmo, tivemos uma decepção. Com “Tempo”, além de toda a tecnologia a favor, a mixagem e masterização foram feitas em Los Angeles por profissionais de altíssimo gabarito. Estamos muito satisfeitos com a qualidade.
Podemos resumir que o som da Banda do Sol é estritamente rock progressivo?
Moa Jr. - O rock progressivo nos dá muita margem para sonharmos com diferentes matizes de notas, timbres e ritmos. E é ai que se encaixa a Banda do Sol. Mas não posso afirmar que o som que fazemos seja estritamente progressivo.
As letras poéticas da banda, em bom e velho português, diga-se de passagem, são uma opção musical ou mesmo mercadológica, ou são nada mais são do que reflexos de influencias vindas da música Brasileira, especialmente da MPB?
Moa Jr. - Gostaria também de poder me expressar em inglês ou qualquer outra língua, mas o velho e bom português como você falou é que está mais próximo dos meus sentimentos. Então não tenho outra opção a não ser escrever e cantar em português. Não é uma questão que esteja ligada com outros segmentos musicais.
Gostaria que vocês falassem mais a respeito das letras das músicas de “Tempo”. Nota-se que a banda é bastante influenciada pela filosofia oriental. Quais são suas influencias e referencias para escrever sobre tais temas?
Moa Jr. - Minhas influências vêm das verdades que foram ditas e vivenciadas por sábios do mundo inteiro, em especial na Índia. Sempre gostei de ler e saber a respeito dos homens com realização espiritual. Uma grande fonte de inspiração é a vida e obra de Paramahansa Yogananda, descrita em seu famoso livro “Autobiografia de um Yogue”.
Essa abordagem das letras tem como foco transmitir alguma mensagem ao ouvinte ou é apenas uma expressão pessoal?
Moa Jr. - Sempre é muito gratificante poder repartir algo de bom que temos. Sinto-me bem quando faço alguém repensar sobre questões da alma.
A segunda faixa, “Voar”, se não me engano, trata sobre Meditação. É isso mesmo? O interessante é que o instrumental por vezes expressa o conteúdo das letras, especialmente o solo final que se desenvolve como se fosse uma jornada cósmica. Há, de fato, uma preocupação nesse sentido?
Moa Jr. - É isso mesmo, trata-se da Meditação. Tive o cuidado de escrever alguns versos que, para quem medita, fica bem evidente. A meditação é maravilhosa! Todos nós deveríamos praticar, é um dos tesouros que os antigos sábios do oriente nos deixaram. A parte instrumental final também foi composta com a intenção de ‘voar’. Muitas vezes, depois de toca-la no ensaio, tínhamos juntos a mesma sensação de estarmos numa estrada ou num avião viajando livres.
A capa de “Tempo” é simples, porém bastante representativa com o símbolo do OM. O que o OM significa para a Banda do Sol e como a capa traduz o conteúdo do álbum e da proposta da banda?
Moa Jr. - Esse é um símbolo milenar e seu som é o barulho do ‘Motor Cósmico’ que sustenta o Universo. É assim que eu o sinto. Na vibração do som de OM, para quem se sintonizar, certamente vai perceber que é o som de todos os sons juntos. Tivemos a mesma vontade de ter esse símbolo na capa para traduzir nossa proposta de união com todos os sons.
Como foi trabalhar com Billy Sherwood e qual a importância dele para a qualidade final de “Tempo”?
Fabio Fernandes - Foi muito tranqüilo, pois sentíamos que a afinidade musical norteava a aproximação que estava ocorrendo. Quanto a qualidade, é indiscutível que foi a melhor possível para aquilo que pretendíamos. A experiência do Billy, seja como produtor ou engenheiro de som, fez a diferença. Além de ter mixado gravações de vários artistas do cenário do rock, ele mixou muito rock progressivo como o próprio Yes. Portanto, ao ouvirmos o CD, logo percebemos a sonoridade presente, clara e coerente com a nossa intenção. Ficamos muito felizes.
Aliás, como surgiu o contato com ele?
Fabio Fernandes - Foi muito interessante. Encontramos um recado dele no nosso Myspace elogiando o nosso trabalho e dizendo que um dia nos encontraríamos. Ficamos felizes e com a ajuda de nosso divulgador, Eliton Tomasi, passamos a trocar e-mails e amadurecemos o processo da participação e mixagem do Billy em “Tempo”.
A masterização foi feita por Joe Gastwirt, renomado produtor que já trabalhou com os maiores nomes da música do mundo como Paul McCartney, Jimi Hendrix, Miles Davis, Carlos Santana, etc. De que forma a masterização de Joe Gastwirt fez diferença na produção final?
Fabio Fernandes - A masterização é a qualidade do som como um todo, ou seja, como ele vai soar em termos de presença de graves, agudos, efeitos, etc. em vários tipos de reprodução sonora, sem perder as características e as impressões desejadas pela banda e pela mixagem. Ou seja, esse toque final de garantia do som foi dado por ele.
O show de lançamento de “Tempo” foi um capítulo a parte. Vocês fizeram uma apresentação para mais de 7 mil pessoas na cidade de Sorocaba/SP junto com a Orquestra Sinfônica da cidade e também com a participação do próprio Billy Sherwood. Conte-nos mais detalhes sobre esse show.
Fabio Fernandes - Foi um momento especial para todos. O público, além de numeroso, era formado por pessoas de todas as idades e estavam curtindo conosco cada momento. Sorocaba foi onde a Banda do Sol começou e passou ensaiando grande parte do trabalho, já que três integrantes são da cidade.Tivemos muito apoio por parte de todos envolvidos, e a qualidade dos recursos técnicos era ‘top’. O show foi dividido em três partes: Orquestra – Banda do Sol com Orquestra – Billy acompanhado por nós e no final fechamos tocando “My Sweet Lord” do George Harrison, todos juntos. Ficamos muito felizes com o resultado. Sem dúvida um marco na vida de nós todos.
Como foi tocar junto com um ex-integrante do Yes, uma das principais influencias da Banda do Sol?
Fabio Fernandes - Foi muito interessante, pois além de tocarmos músicas que curtimos desde a nossa adolescência, como “Roundabout”, por exemplo, aprendemos como ele trabalha e concebe os arranjos ao vivo, valorizando o espírito rock acima de tudo. Era energia para cima o tempo todo. Foi muito legal.
Como foi o trabalho de arranjar as músicas e depois tocar com uma Orquestra?
Fabio Fernandes - Para os arranjos contamos com a colaboração de dois grandes arranjadores, o Maurício Trindade e o Léo. Além deles, também contamos com a presença do maestro Eduardo Ostergreen que mediou e coordenou este entrosamento. Tocar ao vivo foi mais fácil e prazeroso que ensaiar. Foi maravilhoso quando pudemos nos ouvir melhor e sentir a integração da banda com a orquestra. Acredito que tenha sido um bom aprendizado para todos nós.
Através de algumas fontes nós soubemos que esse show foi filmado com equipamento de primeira. Há possibilidade de vermos um lançamento em DVD desse show?
Fabio Fernandes - Acreditamos que sim. Além do show, gravamos clipes e coletamos um material de ‘making of’ que pretendemos também utilizar.
Vocês pretendem fazer mais shows junto com o Billy Sherwood ou mesmo com Orquestras?
Fabio Fernandes – Sim. Acreditamos que o formato “Banda do Sol e Billy Sherwood” é muito interessante para divulgação de nossos trabalhos. Após o show, o Billy, além de ficar a disposição para agendar os próximos shows, colocou também a possibilidade de trazer com ele o Tony Kaye (ex-tecladista do Yes), o que seria muito legal. Com relação a Orquestra, também é interessante, porém complicado quanto a custos e logística, mas pintando a oportunidade nós curtiremos muito.
Falando em show, a Banda do Sol não é muito ativa em termos de palco. Isso é uma opção ou resultado das dificuldades de fazer rock progressivo clássico no Brasil?
Fabio Fernandes - Infelizmente não é uma opção e sim um resultado das dificuldades. Existem muitos eventos, mas infelizmente com muito desrespeito aos músicos quanto as suas necessidades técnicas, musicais e profissionais. O circuito de shows com boa infra-estrutura ainda está muito restrito.
Quais são os planos futuros?
Fabio Fernandes - Fazermos shows em promoção ao CD “Tempo”, fazer mais shows com o Billy Sherwood e lançarmos um DVD com o material que coletamos.
Há cerca de duas semanas, um videoclipe chamado “Gospel is Dead” provocou um certo alvoroço no meio internético underground nacional. A banda da obra audiovisual em questão é a DESECRATED SPHERE, já tida como uma das maiores promessas do metal extremo por aqui. O quarteto lançou recentemente seu primeiro CD de forma independente, o técnico “The Unmasking Reality”, cujo clipe faz parte de uma das músicas do trabalho.
E com boas perspectivas no caminho que a banda começa a trilhar, os rapazes concederam uma entrevista por e-mail ao blog Som Extremo, falando sobre o álbum, suas influências, o processo de composição, e outros asuntos. A DESECRATED SPHERE hoje conta com Renato Sgarbi (vocal), Gustavo Lozano (Guitarra), José “Motor” Mantovani (baixo) e Rodolfo Bassani (bateria). Uma entrevista real e sem máscaras.
Som Extremo: A banda se formou muito recentemente (janeiro de 2011), embora o álbum “The Unmasking Reality” tenha sido gravado em 2010. Como foi exatamente que a banda surgiu?
Renato Sgarbi: Sim. Bom, a banda foi formada em janeiro como você disse. Estávamos compondo e produzindo o material com o Collapse NR, e quando vimos o resultado, o material estava diferente do que as outras formações apresentaram. Seguimos uma linha mais técnica, progressiva e brutal de Death Metal. Então resolvemos formar essa nova banda, o DESECRATED SPHERE, com novos ares, e a gana de chegar para ficar.
Som Extremo: Aliás, o que podem dizer sobre o álbum recém-lançado?
Renato Sgarbi: "The Unmasking Reality" é um álbum semi-conceitual, pois não foi concebido como totalmente envolto em um conceito. No resultado final existe uma sensação de continuidade entre as faixas. Isso foi proposital. Queríamos que as músicas, apesar de variadas, tivessem a mesma identidade. As letras do álbum discorrem sobre controle político, militar, e principalmente, religioso: a lavagem cerebral da fé. Também estão presentes fatos históricos, e temas apocalípticos, havendo contraponto entre o final dos tempos bíblico e a destruição da natureza pelo homem, temas que emprestam sua imagem à capa do álbum.
No CD, o ponto em comum entre as músicas é que todas elas descrevem uma busca obstinada, ou uma crença cega, que atraem tanto os homens comuns quanto os que tem poder. "The Unmasking Reality" é um título na medida para o álbum, pois não somos nós que estamos desmascarando a realidade. Apenas narramos fatos em que a ela se projeta e desvenda a sua verdade.
Podemos dizer que esperávamos uma ótima resposta do álbum, tanto da mídia quanto dos Fãs, mas estamos sendo realmente surpreendidos, já que o DESECRATED SPHERE tem sido bastante comentado tanto aqui como lá fora e em apenas alguns meses de vida. Tudo isso de forma independente até o momento.
Som Extremo: E logo no primeiro trabalho, percebe-se a espantosa técnica de seus integrantes. Muito difícil juntar um time desses em uma banda só?
Sgarbi: Com certeza não é uma coisa fácil de se encontrar, e reunir numa banda. Quando ficamos sem guitarrista, esperamos pacientemente pelo substituto certo pra nós. Apareceu o Gustavo Lozano, muito talentoso e sério em seu trabalho. E tivemos a oportunidade de trabalhar com o Rubens Fraleone, do DxOxRx, nas gravações do álbum. Além de amigo nosso, é outro músico muito competente e responsável.
Som Extremo: E o clipe de “Gospel is Dead” fez muito barulho pela net. O que podem dizer sobre ele?
Sgarbi: Sim, a recepção do clipe foi mais uma coisa que nos surpreendeu. O vídeo vem sendo bastante acessado e elogiado, algo fantástico para uma banda independente e com poucos meses de vida. Foi muito gostoso e divertido gravar esse clipe. Filmamos em uma fundição de alumínio cedida à banda e inclusive, como você vê, há um forno em operação, quente pra cacete! (risos) O vídeo foi filmado em HD pelo Tomaz Ribeiro, da Área Livre Produtora (também Produtor do nosso álbum). Esperamos que o vídeo continue fazendo barulho pela net, como disse! (Mais risos)
Som Extremo: Criação da banda, lançamento de um CD, de um videoclipe e uma turnê européia. Tudo tem acontecido rápido demais, ou estão lidando bem com isso? A fama repentina está pesando? Existe pressão de fãs? E aliás, o que pode falar dessa turnê pelo velho mundo?
Sgarbi: Foi tudo acontecendo naturalmente, desde a composição, a gravação, o trabalho de mixagem e a masterização que fizemos com o produtor Andy Classen (do Stage One Studio) no videoclipe. Estamos sendo reconhecidos pelo tempo de estudo e séria dedicação a fazer música pesada de qualidade, e esse reconhecimento não está pesando, pois temos o pé no chão. Este é só o começo. No underground, nada é da noite pro dia, e há ainda muito caminho pela frente! Quanto à tour européia, estamos buscando fechar um esquema legal para dividir palco com ótimas bandas do cenário, e esperamos ter uma agenda boa em breve!
Som Extremo: Uma pergunta que não poderia faltar, devido à complexidade da estrutura musical da DESECRATED SPHERE: como é um processo de criação das músicas, tanto letras quanto instrumental?
Sgarbi: Não há uma regra pra nós. Quando chegamos ao local de ensaio para compor, colocamos a ideia de cada um em prática, ou fazemos uma jam rápida para ter um ponto de partida, e aí progredimos da ideia inicial, de forma que soe o mais natural possível. Também levamos riffs prontos ao ambiente de ensaio, e transformamos tudo conjuntamente. Para o próximo trabalho, estamos começando a levar ideias escritas ou enviando para os outros integrantes arquivos com os arranjos.
Quanto ao processo das letras, procuro ideias em pesquisas e leituras na internet ou em livros. Às vezes um assunto que vejo na tv também me inspira. Escrevo em casa o assunto que me desperta interesse ou me incomoda... enfim, coloco no papel um pensamento , algo que vejo e que de alguma forma desperta curiosidade, vontade de questionar ou de passar uma mensagem. Termino e levo ao ensaio para encaixar a letra na musica. Na maioria das vezes, levo tudo para o José, e vemos o que pode ser feito a partir da letra finalizada, discutindo o que dá para melhorar, acrescentar e deixá-la mais interessante, mais poética. Todos da banda a vêem finalizada e a encaixo na música.
Som Extremo: O som de vocês tem muitas referências, como vocês explicitam no Myspace: de música clássica ao rock dos anos 70, do Jazz ao death metal técnico. Quais as bandas que influenciam cada músico?
Renato Sgarbi: Muita coisa! Eu citariaCannibal Corpse, Aborted, Decapitated,Behemoth, Hate, Aeon, Amon Amarth,Deicide, Vital Remains, Nile, Dying Fetus, e muitas outras, mas essas são as principais, cada uma à sua maneira, seja pela musicalidade, postura no palco ou seriedade em suas mensagens. Os vocalistas de todas essas bandas me influenciam.
José Mantovani: Essa é a pergunta mais difícil pra todos nós! Na hora de compor riffs, minhas referências principais são do Death Metal dos anos 90 e bandas de Technical Death Metal recentes, mas acabo pegando referências de variados estilos musicais pelo fato de estudar música popular e música clássica. Minhas influências como baixista são Alex Webster, Sean Malone, Jeroen Paul-Thesseling, Erlend Caspersen, Ryan Martinie, Mike Flores e Stuart Hamm.
Rodolfo Bassani: Minhas Influências vão do Death Metal extremo até o Jazz, música brasileira, música instrumental.... Na hora de compor, como baterista, fui influenciado por Bill Ward, Max Kolesne, Chris Adler, Mike Portnoy, George Kollias, Billy Cobham, Derek Roddy, Gene Krupa, João Barone, David Garibaldi, Ademir Batera, Vinnie Paul, Milton Banana, Virgil Donati, Dino Verdade, Flo Mounier, Amilcar Christófaro, e o importantíssimo Witold 'VITEK' Kieltyka.
Gustavo Lozano: Minhas influências passam pelo Blues, Classic Rock, Heavy Metal e principalmente pelo Death Metal. Bandas como Black Sabbath, Iron Maiden, AC/DC,Pantera, Death, Cannibal Corpse, Decapitated, Incantation, Lamb of God,Deicide, Morbid Angel, Necrophagist e Nile me inspiram muito como músico.
Som Extremo: Além de todas as novidades da banda, já existem planos futuros para a DESECRATED SPHERE?
Sgarbi: Bom, já começamos a compor material novo, mas ainda estamos longe de lançar algo, pois acabamos de lançar o debut “The Unmasking Reality”. Também temos planos de tocar em solo brasileiro, claro. Talvez role algo pelos outros países da América do Sul, e ainda esse ano deveremos ir para a tour na Europa que falei há pouco.
Som Extremo: Como vêem hoje a atual cena de bandas extremas brasileiras?
Sgarbi: A cena no Brasil tem potencial. Há público e espaço, mas os promotores (muitos deles) preferem uma banda de covers a uma banda autoral. Além disso, muitos não querem pagar as bandas, mas querem colocá-las pra tocar. Vários deles estão despreparados para fazer eventos, e desrespeitam os conjuntos com propostas insignificantes e eventos sem estrutura, o que espanta bandas e público. A cena nacional está recheada de bandas excelentes, como Lacerated and Carbonized, Decomposed God, Vomepotro, e Unearthly, por exemplo. Ela está sempre se renovando. Parte do público daqui ainda precisa abrir os olhos para o país e ver que temos excelentes bandas, muitas vezes bem melhores que as gringas. Mas estamos evoluindo. É um começo.
Som Extremo: O blog Som Extremo agradece muito a entrevista. Mandem aí seu recado final!
Sgarbi: Obrigado, Christiano, pela bela entrevista, pela oportunidade e apoio ao DESECRATED SPHERE. Queremos agradecer principalmente aos fãs que têm nos apoiado e seguido fielmente a banda. Continuem a nos apoiar! Fãs interessados em adquirir o material da banda e promotores interessados em contratar o DESECRATED SPHERE para shows podem entrar em contato pelo e-mail desecratedsphere@hotmail.com. E confira nossas redes sociais: