A História e as informações que você sempre quis saber sobre seu Artista/Banda preferidos, Curiosidades, Seleção de grandes sucessos e dos melhores discos de cada banda ou artista citado, comentários dos albúns, Rock Brasileiro e internacional, a melhor reunião de artistas do rock em geral em um só lugar. Tudo isso e muito mais...
3 de outubro de 2009
Hoje na história do Rock no mundo - 03/10
Bruce Springsteen esquece letra de música
[03/10/1980] Há 29 anos
Na abertura de sua nova turnê pelos Estados Unidos, na cidade Ann Arbor, em Michigan, Bruce Springsteen passa por dois momentos opostos. No primeiro, vexaminoso, ele simplesmente esquece a letra da música "Born To Run", um de seus maiores clássicos. No segundo, ele recebe a ilustre visita de Bob Seger no palco, que ao seu lado canta "Thunder Road".
Os Kinks tocam no Madison Square Garden
[03/10/1981] Há 28 anos
Enquanto o single "Better Things" figurava entra as 50 mais dos Estados Unidos, os Kinks fazem seu primeiro show no Madison Square Garden, em Nova York. Na época, o vocalista e guitarrista Ray Davies havia acabado de se divorciar de sua segunda esposa, Yvonne, e estava namorando com a líder dos Pretenders, Chrissie Hynde.
Debbie Harry volta aos palcos
[03/10/1989] Há 20 anos
Após sete anos longe dos palcos, a ex-vocalista do Blondie, Debbie Harry, faz um show no clube Borderline, em Londres, visando o lançamento de seu novo álbum solo "Def, Dumb & Blonde". Ela não se apresentava ao vivo desde a separação de sua antiga banda, em 1982. Depois disso, Debbie chegou a gravar, mas dedicou a maior parte do seu tempo ao lado de Chris Stein (guitarrista do Blondie), que ficou internado por causa de uma doença rara, e ao cinema. Entre 1983 e 1988, a cantora atuou em pelo menos cinco produções: "Videodrome" ("Videodrome: A Síndrome do Vídeo"), "Forever Lulu" ("Para Sempre Lulu"), "Hairspray" ("Hairspray: E Éramos Todos Jovens") e dois filmes inéditos no Brasil, "Satisfaction" e "Crazy Streets".
O som e a visão de David Bowie
[03/10/1989] Há 20 anos
A gravadora Ryko Disc reúne um belo material de David Bowie, principalmente, gravações da década de 70, e lança a caixa tripla "Sound+Vision". Acompanhada por um livreto cheio de fotos (a primeira tiragem também saiu com um mini-LD), a caixa resgatou hits, como "Moonage Daydream", "Ashes To Ashes" e "The Man Who Sold The World", e outras raridades, como a primeira demo de "Space Oddity" e uma versão cantada em alemão do clássico "Heroes".
Loja é multada por causa do 2 Live Crew
[03/10/1990] Há 19 anos
O proprietário de uma loja de discos na Flórida, nos Estados Unidos, é multado por colocar em suas prateleiras o álbum do 2 Live Crew, "As Nasty As They Wanna Be". Dias antes, a Justiça do estado havia banido o disco por excesso de obscenidades. Além de mostrar uma capa com os quatro rappers do grupo deitados na praia, e cercados por quatro mulheres de biquíni, as letras eram recheadas de palavrões. Títulos como "If You Believe In Having Sex" e "Bad Ass Bitch" obrigaram o 2 Live Crew a lançar uma versão editada do álbum. Outra música, "Fuck Shop", por exemplo, virou "Funk Shop".
[03/10/1980] Há 29 anos
Na abertura de sua nova turnê pelos Estados Unidos, na cidade Ann Arbor, em Michigan, Bruce Springsteen passa por dois momentos opostos. No primeiro, vexaminoso, ele simplesmente esquece a letra da música "Born To Run", um de seus maiores clássicos. No segundo, ele recebe a ilustre visita de Bob Seger no palco, que ao seu lado canta "Thunder Road".
Os Kinks tocam no Madison Square Garden
[03/10/1981] Há 28 anos
Enquanto o single "Better Things" figurava entra as 50 mais dos Estados Unidos, os Kinks fazem seu primeiro show no Madison Square Garden, em Nova York. Na época, o vocalista e guitarrista Ray Davies havia acabado de se divorciar de sua segunda esposa, Yvonne, e estava namorando com a líder dos Pretenders, Chrissie Hynde.
Debbie Harry volta aos palcos
[03/10/1989] Há 20 anos
Após sete anos longe dos palcos, a ex-vocalista do Blondie, Debbie Harry, faz um show no clube Borderline, em Londres, visando o lançamento de seu novo álbum solo "Def, Dumb & Blonde". Ela não se apresentava ao vivo desde a separação de sua antiga banda, em 1982. Depois disso, Debbie chegou a gravar, mas dedicou a maior parte do seu tempo ao lado de Chris Stein (guitarrista do Blondie), que ficou internado por causa de uma doença rara, e ao cinema. Entre 1983 e 1988, a cantora atuou em pelo menos cinco produções: "Videodrome" ("Videodrome: A Síndrome do Vídeo"), "Forever Lulu" ("Para Sempre Lulu"), "Hairspray" ("Hairspray: E Éramos Todos Jovens") e dois filmes inéditos no Brasil, "Satisfaction" e "Crazy Streets".
O som e a visão de David Bowie
[03/10/1989] Há 20 anos
A gravadora Ryko Disc reúne um belo material de David Bowie, principalmente, gravações da década de 70, e lança a caixa tripla "Sound+Vision". Acompanhada por um livreto cheio de fotos (a primeira tiragem também saiu com um mini-LD), a caixa resgatou hits, como "Moonage Daydream", "Ashes To Ashes" e "The Man Who Sold The World", e outras raridades, como a primeira demo de "Space Oddity" e uma versão cantada em alemão do clássico "Heroes".
Loja é multada por causa do 2 Live Crew
[03/10/1990] Há 19 anos
O proprietário de uma loja de discos na Flórida, nos Estados Unidos, é multado por colocar em suas prateleiras o álbum do 2 Live Crew, "As Nasty As They Wanna Be". Dias antes, a Justiça do estado havia banido o disco por excesso de obscenidades. Além de mostrar uma capa com os quatro rappers do grupo deitados na praia, e cercados por quatro mulheres de biquíni, as letras eram recheadas de palavrões. Títulos como "If You Believe In Having Sex" e "Bad Ass Bitch" obrigaram o 2 Live Crew a lançar uma versão editada do álbum. Outra música, "Fuck Shop", por exemplo, virou "Funk Shop".
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Hoje na história do Rock Brasileiro - 03/10
- 1974: Nasceu, em Amparo (SP), Érika Menezes Martins, ex-vocalista e guitarrista da banda Penélope. Hoje tem o projeto Érika Martins & Telecats.
ATENÇÃO - 1979: A Cor do Som lançou o disco Frutificar. Os destaques são “Abri a Porta”, “Beleza Pura” e a faixa título. A formação da banda era Mú (teclados), Dadi (baixo), Gustavo (bateria), Armandinho (guitarra e bandolim) e Ary Dias (percussão).
- 1988: A Plebe Rude lançou o terceiro disco. Os destaques são “Valor”, “2ª Feriado”, “Repente” e “A Serra”.
- 2001: O Raimundos lançou a coletânea Éramos 4, sétimo da carreira e o primeiro após a saída do vocalista Rodolfo. Os destaques são “Desculpe, Mas Eu Vou Chorar” (Leandro e Leonardo) e a inédita “Sanidade”.
http://efemeridesrockbrasileiro.blogspot.com/
ATENÇÃO - 1979: A Cor do Som lançou o disco Frutificar. Os destaques são “Abri a Porta”, “Beleza Pura” e a faixa título. A formação da banda era Mú (teclados), Dadi (baixo), Gustavo (bateria), Armandinho (guitarra e bandolim) e Ary Dias (percussão).
- 1988: A Plebe Rude lançou o terceiro disco. Os destaques são “Valor”, “2ª Feriado”, “Repente” e “A Serra”.
- 2001: O Raimundos lançou a coletânea Éramos 4, sétimo da carreira e o primeiro após a saída do vocalista Rodolfo. Os destaques são “Desculpe, Mas Eu Vou Chorar” (Leandro e Leonardo) e a inédita “Sanidade”.
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2 de outubro de 2009
Herbert de Perto
Herbert de Perto
* (Herbert de Perto)
* ano de lançamento ( Brasil ) : 2006
* direção: Roberto Berliner , Pedro Bronz
* atores: Herbert Viana , João Barone , Bi Ribeiro , Hermano Vianna , Tereza Vianna
* duração: 01 hs 00 min
descrição
Os diretores Roberto Berliner e Pedro Bronz realizam uma série de entrevistas com Herbert Vianna, que relembra sua carreira no Paralamas do Sucesso e o acidente de ultraleve por ele sofrido.
sinopse:
Através de uma série de conversas, o cantor e compositor Herbert Vianna relembra sua trajetória artística na banda Paralamas do Sucesso e o acidente de ultraleve sofrido em 2001, que matou sua esposa Lucy Vianna. Através dos médicos Paulo Niemeyer e Lúcia Willadino é narrada a incrível recuperação do cantor, que esteve à beira da morte.
ficha técnica:
* título original:Herbert de Perto
* gênero:Documentário
* duração:01 hs 00 min
* ano de lançamento:2006
* site oficial:
* estúdio:TV Zero
* distribuidora:A&E Mundo / Imagem Filmes
* direção: Roberto Berliner , Pedro Bronz
* roteiro:Chris Alcazar
* produção:
* música:
* fotografia:Paulo Violeta, Reynaldo Zangrandi, Renato Carlos e André Horta
* direção de arte:
* figurino:
* edição:Pedro Bronz
* efeitos especiais:
elenco:
* Herbert Viana
* João Barone
* Bi Ribeiro
* Hermano Vianna
* Tereza Vianna
* Dado Villa-Lobos
* Pedro Ribeiro
* Maurício Valladares
* Zé FortesGilberto Gil
* Paulo Niemeyer
* Lúcia Willadino
curiosidades
- Exibido no Festival É Tudo Verdade 2006.
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Filmes sobre Rock
Lynyrd Skynyrd
Lynyrd Skynyrd é uma banda de southern rock estadunidense. Tornou-se conhecida no sul dos Estados Unidos em 1973, ganhando maior notoriedade internacional principalmente após a morte de diversos integrantes, incluindo o vocalista e principal compositor Ronnie Van Zant, em um acidente aéreo ocorrido em 1977 próximo a Gillsburg, Mississipi.
A banda retornou em 1987, tendo como líder Johnny Van Zant, irmão mais novo de Ronnie, e continua a gravar e a se apresentar até hoje. O grupo foi incluído no Hall da Fama do Rock and Roll em 13 de março de 2006.
Informação geral
Origem: Jacksonville, Flórida
País: Estados Unidos
Gêneros:southern rock,hard rock,blues rock,country rock
Período em atividade:1970 - 1977, 1987 - atualmente
Página oficial: Lynyrd Skynyrd.com
Integrantes:Johnny Van Zant (Vocal),Gary Rossington (Guitarra),Rickey Medlocke (Guitarra),Mark Matejka (Guitarra),Robert Kearns (Baixo),Michael Cartellone (Bateria),Peter Keys (Piano/Teclado),Dale Krantz Rossington (Vocal de Apoio)
Carol Chase (Vocal de Apoio)
Ex-integrantes:Ronnie Van Zant (falecido),Allen Collins (falecido),Ed King,Larry Junstrom,Bob Burns,Leon Wilkeson (falecido),Billy Powell (falecido),Steve Gaines (falecido),Artimus Pyle,Randall Hall,Hughie Thomasson (falecido),Ean Evans(falecido)
História
A origem
O núcleo do que mais tarde viria a ser o Lynyrd Skynyrd foi formado em meados de 1964, na cidade portuária de Jacksonville, sul da Flórida. Ronnie Van Zant e um vizinho, Robert Burns (Bob), que tinha uma bateria, se juntaram ao colega de escola Gary Rossington que por sua vez, sugeriu para a então banda em formação o baixista Larry Junstrom.
Faltava a banda de garotos um amplificador. Por ter o aparelho e também tocar guitarra, além de ser colega de escola dos outros integrantes, Allen Collins (Larkin Allen Collins Jr.), então no The Mods, juntou-se à banda iniciante.
Começaram a tocar influenciados por country, rock britânico (Rolling Stones, Yardbirds, Cream) e blues. Os barulhentos ensaios aconteciam na garagem da casa de Burns. "Nos plugávamos nossas guitarras no canal limpo, Ronnie colocava seu microfone no normal - eram os três em um amplificador - e Bob tocava bateria. Foi assim que começamos", disse Gary.
Neste período a banda mudou várias vezes de nome: o primeiro foi My Backyard, seguido por Noble Five, Wildcats, Sons of Satan, Conqueror Worm, Pretty Ones, e One Percent.
O nome Lynyrd Skynyrd surgiria um pouco mais tarde. Durante um show, Ronnie Van Zant anunciou a banda com o nome de Leonard Skinner - o famigerado instrutor de ginástica dos então estudantes Ronnie, Gary e Bob na Robert Lee High School em Jacksonville, que vivia dando suspensão aos garotos por causa dos seus longos cabelos, comportamento que se chocava contra as rígidas normas da escola.
"Nós somos (a banda) One Percent, mas vamos mudar nosso nome esta noite. Todos que quiserem que mudemos para Leonard Skinner, aplaudam!", disse Ronnie. A platéia conhecia o professor e aprovou o nome no ato. Em seguida, os membros substituíram as vogais por Y, segundo Gary, "para preservar a identidade do culpado".
Passaram a ensaiar numa espécie de barracão de madeira e zinco, tão pequeno e quente que foi apelidado pelos integrantes de "Hell House", ao sul de Jacksonville. Foi no calor sufocante da Hell House que o som da banda começou a tomar forma - country, blues e hard rock eram a base sonora do grupo. A despeito das condições severas, a banda estava determinada a ser bem-sucedida, a não perder de vista seus sonhos. Além de músicas próprias, tocavam covers entre outros, de Cream e Creedence Clearwater Revival.
Fazem uma turnê com a banda Strawberry Alarm Clock. A banda começa a ter o nome destacado, estabelecendo-se no sul (Flórida, Tennessee, Geórgia e Alabama) como um bom grupo ao vivo. Neste tempo, juntam-se ao Lynyrd Skynyrd os roadies Dean Kilpatrick e Kevin Elson.
As primeiras gravações
Em 1968, o Lynyrd Skynyrd consegue gravar um single, "Need All My Friends", em "Shade Tree", um título baseado em seu cidade natal. O lado B do single apresenta a canção "Michelle" - uma música que se comparada com o que viria mais tarde, demonstrava o quanto o Lynyrd Skynyrd da época tinha uma sonoridade básica, mas onde já se notavam lampejos de ferocidade futura.
Em outubro de 1970, a banda já contava cinco anos de existência e centenas de apresentações. Como empresário, passaram a contar com Alan Walden, irmão do presidente da Capricorn Records. Alan conseguiu para o Skynyrd a gravação de algumas demos no Quinvy Studios, Muscle Shoals, Alabama. As gravações - com a primeira versão de "Freebird" e outros futuros clássicos - foram concluídas em duas sessões, durante a primavera de 1971.
Neste ano, por um breve período (até o início de 1972), participou da banda Rickey Medlocke, tocando bateria. Ele também contribuiu com algumas composições e chegou até a cantar. Curiosamente, Rickey retornaria ao Skynyrd em 1996 como guitarrista, sendo idolatrado pelos novos fãs.
O baixista Leon Wilkeson entrou na banda no final da segunda sessão, em 1972. Trabalharam como produtores das demos Jimmy Johnson e Tim Smith, que mais tarde seriam homenageados por Ronnie em "Sweet Home Alabama", como "The Swampers".
Também nessa época junta-se a banda o excelente tecladista Billy Powell. Billy entrou para o Lynyrd Skynyrd como roadie. Um dia, ao ouvi-lo tocando piano entre as sessões de gravação, Ronnie perguntou porque nunca havia dito que sabia tocar o instrumento. Powell respondeu que estava feliz com seu trabalho de roadie e não ambicionava tocar com a banda. Mas Ronnie tinha outras idéias bem antes de Billy fazer parte do grupo e o convidou para integrar o Skynyrd.
Powell é o integrante do grupo com melhor instrução formal de música, tendo estudado piano. Apesar de ser basicamente uma guitar-band, o Lynyrd Skynyrd ganhou muito com os teclados - impossível conceber "Freebird" sem a intensa introdução criada por Billy, o belíssimo solo de "Tuesday's Gone" e os arranjos de diversas outras.
O "Southern Rock", com bandas como Allman Brothers Band, Marshall Tucker Band e Wet Willie, estava no auge, assim como de forma geral, o blues-rock, através de bandas inglesas, que beberam da fonte, como o Led Zeppelin e Free (esta uma grande influência ao Skynyrd, tanto da parte do vocalista Paul Rodgers, para Ronnie, e do guitarrista Paul Kossof, para Gary) .
O Lynyrd Skynyrd retornou a Jacksonville e posteriormente, estabeleceu-se em Atlanta, passando a tocar no Funnochio's, um clube barra-pesada, conhecido como o mais perigoso da cidade - algo que em parte, colaborou para a posterior reputação dos membros da banda serem beberrões, encrenqueiros e mal encarados.
A vida pessoal dos integrantes havia mudado: Allen Collins casara-se com Kathy Johns em 1970 e Ronnie - que fora casado brevemente com uma mulher chamada Nadine, e com esta, teve uma filha, Tammy - casa-se novamente em 1972, com Judy Van Zant Jenness, que sempre apoiou a carreira do marido.
O faz-tudo (músico-performer e produtor) Al Kooper, que tinha deixado o Blood, Sweat & Tears, havia criado um selo chamado Sounds of the South com distribuição pela MCA Records. Em turnê tendo o Badfinger como banda de apoio, Kooper nota o Lynyrd Skynyrd em Atlanta e os convida para assinarem contrato com o seu selo. Al Kooper produziu o primeiro disco do Skynyrd no qual tocou diversos instrumentos.
Leon saiu brevemente do Skynyrd neste meio tempo e Ronnie lembrou-se de Ed King, ainda da turnê com o Strawberry Alarm Clock. O gorducho Ed foi convocado para o contrabaixo. Depois, quando retornou, Leon encontrou a formação do Skynyrd estabelecida com nada menos que três guitarristas, imprimindo aquela que seria uma das principais características da banda: o furioso ataque de três guitarras solo.
Allen dividia-se basicamente entre uma Gibson Firebird, uma Explorer com alavanca e uma Fender Stratocaster com braço de Telecaster; Gary usava sua inseparável Les Paul '59, apelidada de "Berniece" e uma SG, e Ed King dava preferência a uma Stratocaster.
O novo formato da banda trouxe boa dose de inspiração e dessa fase de criatividade surgiu "Sweet Home Alabama", que só seria lançada mais tarde.
O disco de estreia
Iniciam a gravação de "pronunced leh-nerd skin-nerd" (em português, "pronunciado leh-nerd skin-nerd"), seu disco de estreia, no estúdio 1 de Doraville, Georgia, tendo Al Kooper como produtor e Rodney Mills como engenheiro de som. Kooper foi praticamente um membro da banda no disco: tocou contrabaixo e mellotron (ouça "Tuesdays Gone"), além de fazer back vocals, sob o pseudônimo de Roosevelt Gook.
Em 1973 assinam com a MCA Records e lançam o "pronunced leh-nerd skin-nerd". Sucesso imediato do disco, apesar de sua longa duração, "Freebird" se tornaria uma espécie de hino, tocando de forma maciça nas rádios. Também se destacaram no trabalho "Gimme Three Steps", "Simple Man" e "Tuesday's Gone". Para muitos, o melhor disco do Skynyrd.
Pete Townshend, guitarrista do The Who, assiste a uma apresentação do Skynyrd, gosta do que vê e convida a banda para abrir os shows do Who durante a turnê Quadrophenia. Na noite de 20 de novembro de 1973, um aterrorizado Lynyrd Skynyrd, que só havia tocado em pequenos bares e clubes, enfrentou a platéia do Cow Palace, em San Francisco, temendo o pior - o público do Who em geral hostilizava outras bandas. Resolveram tocar "o mais bêbados possível". Mas foram bem recepcionados.
O centro das atenções era Ronnie, que entrou no palco de pés descalços, brandindo o microfone como se fosse uma vara de pescar e rugindo suas canções de abandono, desespero, estrada e birita.
Uma análise das letras de Ronnie Van Zant indica que ele sempre as apoiava sob questões contraditórias. A tensão entre a fé e o desespero, entre a procura pela liberdade e segurança de um lar, entre o pecado e a salvação, seria tema central das letras de Ronnie durante o resto da sua vida. Um dilema que ele nunca buscou resolver, talvez porque soubesse que nunca teria uma resposta definitiva.
O segundo disco
As sessões de gravação de "Second Helping", em janeiro de 1974, no Record Plant, começaram turbulentas. "O problema é que nós estávamos no estúdio 1, os Eagles (The Eagles) estavam no outro, Stevie Wonder estava gravando no terceiro, e John Lennon e Jackson Browne estavam ao redor. A banda se sentiu nervosa um bocado de tempo, especialmente no dia em que John Lennon esteve em nossa sala de controle. Eles ficaram congelados - foi o fim do trabalho naquele dia" - Kevin Elson.
Também havia a pressão para que produzissem outro clássico como "Freebird". Ronnie sugeriu que "Sweet Home Alabama" poderia ser o tão aguardado hit, mas Kooper e a MCA achavam que "Alabama" era muito "regional" e optaram por lançar como música de trabalho do disco "Don't Ask Me No Questions". Esta escolha revelou-se equivocada, mas com o posterior lançamento de "Alabama" - ácida resposta a canção "Southern Man", de Neil Young - a situação se reverteu: lançada em junho de 1974, "Sweet Home Alabama" chegou ao número 8 nas paradas fazendo com que "Second Helping" recebesse disco de ouro.
O sucesso de "Alabama", apesar da polêmica letra, teve outra conseqüencia: identificou o Skynyrd como uma "Southern Band": a MCA decidiu acrescentar aos palcos nos shows da banda a bandeira confederada, completando a imagem. A concepção comum era que Ronnie e seus companheiros não passavam de uns reacionários, mas a verdade é que a letra de "Alabama" e de outras canções semelhantes em temática expressava as frustrações e aspirações de todos os residentes no sul.
E "Alabama" não era bem o que parecia ser: Ronnie disse certa vez que era uma piada, uma brincadeira com Neil Young, fato reforçado por uma declaração de Gary: "Nós amamos Neil Young. Ele é um grande cara, um grande músico e um grande letrista". Várias fotos mostram Ronnie com uma indefectível camiseta negra na qual aparece Young - homenagem mais explícita, impossível.
A turnê da tortura
Os excessos da turnê subseqüente minaram a saúde do batera Bob Burns que "pendurou as baquetas", após uma série de shows pela Europa, cedendo lugar ao excelente Artimus Pyle. Para muitos, mesmo com a fundamental contribuição de Burns em vários dos clássicos da banda, Pyle é o baterista do Lynyrd Skynyrd.
Quando a banda entrou no Webb IV Studios, em Atlanta (janeiro de 1975) tinha apenas uma canção pronta - "Saturday Night Special" - ainda com participação de Burns. Em vinte e um dias, trabalhando dezesseis horas por dia, eles só conseguiram terminar pouco mais de sete canções, mas a qualidade do material não correspondeu aos trabalhos anteriores. Por essa razão Ronnie chamou o disco de "Nuthin' Fancy".
Ainda assim este disco atingiria o número 9 das paradas reservando ouro ao Skynyrd. Single do trabalho, "Saturday Night Special" se tornou clássico imediato nos shows e uma crítica de Ronnie ao que de certa forma, a banda era acusada por muita gente.
Teria início a famigerada "Torture Tour", ou "Turnê da Tortura", como a apelidaram os integrantes do Lynyrd Skynyrd. Apesar do sucesso comercial, a excursão foi marcada por brigas, quartos de hotel destruídos, performances desastradas, e datas canceladas. Para completar, Ed King saiu da banda, por problemas pessoais. Allen e Gary tiveram de dividir as partes de guitarra que Ed tocava durante as restantes seis semanas da "Turnê da Tortura".
Disse Ronnie sobre a turnê: "Nós tinhamos garrafas de Dom Perignon, whiskey, vinho e cerveja...Nós não seríamos capazes de lembrar da ordem das músicas. Fizemos o Who parecer com garotos indo para a igreja domingo..."
A imprensa, claro, deitou e rolou, tachando os caras como um punhado de rednecks bêbados e loucos. Isso irritava Ronnie, que buscaria retrabalhar a imagem do Lynyrd Skynyrd.
Para o quarto álbum, foi convocado o produtor Tom Dowd, que havia trabalhado com Aretha Franklin, Ray Charles, em "Layla" (Eric Clapton), e no "Allman's Live at the Filmore East"(Almann Brothers Band). Apesar da mão segura de Dowd, "Gimme Back My Bullets" (1975) nome do disco, foi muito criticado e é tido (por boa parte dos críticos) como o mais fraco da carreira da banda. Na época, o característico "exército de guitarras" estava reduzido a dois instrumentos; o tempo para gravação tinha sido escasso (tinham tido anos para compor o repertório dos dois primeiros discos, mas o terceiro e quarto foram virtualmente escritos no estúdio). De qualquer forma "Bullets" alcançou o Top 20 garantindo o quarto ouro consecutivo da banda.
Logo após, os shows ao vivo da banda passaram a contar com o backing vocals das maravilhosas Honkettes - Jo Jo Billingsley, Leslie Hawkins e Cassie Gaines.
Steve Gaines
Em 1976 a coisa andava meio braba para o Lynyrd Skynyrd. Mesmo com o tremendo sucesso da banda, Ronnie cogitou deixar o Skynyrd. Estava com problemas de saúde devido as infindáveis turnês e também em parte pelo nascimento de sua segunda filha, Melody, em setembro, o que o levou a reavalir sua vida e suas prioridades. Gary e Allen o demoveram da idéia e a adição do guitarrista Steve Gaines, e a banda afastou definitivamente a intenção de Ronnie deixar o LS. Além disso, ele escreveria algumas de suas melhores canções.
Antes do início das gravações do próximo álbum, em julho de 1976, a banda resolveu procurar um substituto para Ed King. Entre os nomes cogitados surgiram o de Wayne Perkins e até o de Leslie West (ex-Mountain, em comum com King o fato de ser gorducho e ótimo guitarrista). Mas as opções se revelaram frustrantes - West queria que a banda passasse a ser chamada de "Leslie West e Lynyrd Skynyrd".
Foi quando Cassie Gaines lembrou aos membros da banda que seu irmão mais novo, Steve Gaines tocava guitarra e que este poderia fazer uma jam com o LS. A idéia não agradou a principio. "Ninguém faz jams conosco", disse Gary. "Mas ela (Cassie) nos convenceu a lhe dar uma chance. Então ele juntou-se a nós no palco uma noite, sem tem ensaiado ou qualquer coisa, e quando começou a tocar, Allen e eu olhamos um para o outro e nossos queixos caíram", acrescenta.
Vencida a "resistência" inicial dos integrantes do LS, Steve Gaines, juntou-se ao Lynyrd Skynyrd trazendo com sua atitude e energia positiva um impacto tremendo sobre a banda, especialmente sobre Allen Collins, que passou as partes da terceira guitarra para o novato Gaines. "Ele nos inspirou tremendamente. Ele era um grande cantor também e poderia ter chutado um pouco o traseiro de Ronnie", brincou Gary.
Gaines conhecia o trabalho do LS - costumava tocar "Saturday Night Special" com sua banda anterior, Crawdaddy - mas ele teve apenas um mês de ensaios antes das gravações do novo disco terem inicio.
Mas o "batismo de fogo" de Steve Gaines foi sem dúvida os shows que resultaram no disco duplo "One More From The Road", lançado em 1976. Como parte da mudança de imagem que Ronnie queria para o Lynyrd Skynyrd, eles se engajaram na campanha "Save The Fox", para preservar um tradicional teatro de Atlanta, na Geórgia. Eles encararam a defesa do teatro chegando a receber título de cidadãos honorários de Atlanta.
O disco foi gravado em três shows no Fox Theatre com produção de Tom Dowd. Vendeu horrores - sendo inclusive lançado no Brasil - apresentando performances arrasadoras para os principais clássicos da banda e para "Crossroads", do bluesman endiabrado Robert Johnson. Ronnie e seus companheiros tinham sempre amado a paixão crua do blues de Johnson e outros pioneiros, lutando para capturar esta energia em suas próprias canções. E como os bluesmen do passado os membros do Skynyrd tinham dedicado suas vidas para sua música.
A versão ao vivo de "Freebird", com a frase introdutória de Ronnie, "Que canção vocês querem ouvir?" - sobe nas paradas.
Ainda em julho, tocam em benefício da campanha do candidato a presidente Jimmy Carter. Em agosto, se apresentam no Knebworth Fair, na Inglaterra, performance que bem mais tarde (vinte anos depois para se exato) apareceria no filme "Freebird - The Movie". Conquistam a platéia e a faz praticamente esquecer dos Rolling Stones.
Num final de semana de setembro de 1976, os guitarristas Gary Rossington e Allen Collins ficam feridos em dois acidentes de carro distintos. O episódio seria tema para a letra de "That Smell", escrita e apresentada durante a turnê seguinte ao lançamento de "One More From The Road". Como resultado dos acidentes, a banda foi forçada a dar um tempo, o que resultou na imagem mais calma que Ronnie queria engendrar.
Os sobreviventes
A excitação gerada pelo sucesso do álbum ao vivo e pelas excursões se refletiram na produção do próximo disco. A banda entrou no Criteria Studios em Miami, com o produtor Tom Dowd, em abril de 1977, com material suficiente para completar um disco. Mas os integrantes não gostaram dos primeiros resultados das sessões.
A turnê do LS durante o verão de 1977 foi sucesso absoluto. Ao final da turnê, a banda entrou no Doraville's Studio One para terminar o álbum iniciado no Criteria. Dowd estava comprometido com um projeto em Toronto e enviou o engenheiro Barry Rudolphy em seu lugar.
Certa vez Ronnie havia dito que o Lynyrd Skynyrd era formado por "pessoas das ruas". A partir disso e da sua reputação de encrenqueiro, surgiu o título do álbum, "Street Survivors" (Sobreviventes das Ruas). Ele contém alguns dos mais concisos temas escritos por Ronnie, em parte porque a MCA havia decretado que o álbum deveria produzir ao menos três hits - no caso, com não mais que três minutos de duração.
"Street Survivors" seguiu a carreira de sucesso dos outros discos, sendo o primeiro a obter ouro em seu lançamento. Tudo indicava que seria o mais popular em 12 anos de carreira, por confirmar o trabalho uma banda madura e coesa. A capa, que mostrava o LS cercado por chamas, se tornaria num icone americano. Hits instantâneos, como "That Smell", e "What's Your Name" e uma crescente participação de Gaines que brilha em várias faixas e chega até a assumir os vocais em "You Got That Right".
Aparentemente o Lynyrd Skynyrd teria anos de glória pela frente. A banda iniciaria em novembro, no Madison Square Garden, sua mais ambiciosa turnê - "Tour Of The Survivors". "Street" foi lançado em 17 de outubro de 1977. Três dias depois, a surpresa de um destino que, para os mais céticos, havia sido prenunciado pelo próprio Ronnie Van Zant, em suas canções.
Ronnie tinha vinte e nove anos quando morreu no acidente aéreo. E havia escrito na canção "All I Can do is Write About It" (a preferida de sua filha Melody): "Eu posso ver o concreto rastejando lentamente. Senhor, me leve antes que ele chegue".
O último voo
Em outubro de 1977 o Lynyrd Skynyrd se encontrava num ponto alto de sua carreira. A revigoração do grupo com a entrada de Steve Gaines, uma série de shows antológicos - fase bem representada pelo concerto em Knebworth no ano anterior - e a ótima receptividade ao álbum "Street Survivors" reforçavam o excelente período pela qual passava a banda.
Decidem trocar o ônibus utilizado nas turnês por um pequeno avião modelo Convair 240 manufaturado em 1947. O avião, apelidado de "Free Bird", facilitaria as viagens daquela que prometia ser uma movimentada turnê e que em breve teria inicio.
No dia 20 de outubro, a banda tinha como compromisso um show no Lousiana State University, Baton Rouge, Lousiana. O Convair, com 26 pessoas - a banda, sua equipe e dois tripulantes - levantou vôo de Greenville, Carolina do Sul, no final da tarde. Por volta das 18h42 o avião apresentou problemas e começou a perder altitude. Um dos motores parou durante o vôo, e os pilotos tentaram transferir o combustivel restante para o outro motor, sem efeito. Ou antes, o procedimento teve um resultado: esgotou de forma mais rápida o combustível que restava, parando o segundo motor. O avião começou a cair rapidamente. O piloto ainda tentou desviar para um aeroporto próximo, mas as asas começaram a colidir contra as árvores mais altas.
Quando perceberam que o avião estava caindo, Van Zant agarrou um travesseiro de veludo vermelho e deu um aperto de mão em Artimus Pyle, segundo este contou (o baterista foi um dos poucos sobreviventes que não perdeu a consciência). "Ele olhou para mim e sorriu, como apenas ele conseguia sorrir, falando para não me preocupar, com seus olhos castanhos dizendo 'Bem, é hora de ir, parceiro'. Dois minutos depois ele estava morto com um ferimento na cabeça".
O avião caiu em uma densa floresta, em uma área pantanosa próxima a Gillsburg, McComb, Mississipi. Na colisão, o avião partiu-se no meio. O guitarrista Steve Gaines, o roadie manager Dean Kilpatrick, o piloto Walter MacCreary e o co-piloto William Gray morreram na hora. Ronnie foi arremessado contra a fuselagem do avião sofrendo traumatismo craniano. Também faleceu instantaneamente. De acordo com relatos de Pyle e do tecladista Billy Powell, Cassie Gaines sofreu um profundo ferimento na garganta e sangrou até a morte em seus braços.
"Após o acidente, o empresário da banda alugou dois aviões e nos levou ao local em McComb. Eu continuava não acreditando. Eu não acreditei quando voltei para casa, continuei não acreditando após o funeral e por um longo tempo depois", disse Judy Van Zant Jenness, viúva de Ronnie.
Como geralmente acontece nesses casos, a tragédia resultou em maior exposição do Skynyrd e na venda de milhares de discos. Alguns dias após o acidente, Teresa Gaines, viúva de Steve, pediu a MCA que substituísse a capa de "Street Survivors" - que apresentava chamas ao fundo, as quais envolviam especialmente a imagem de Steve, certamente algo que assumiu um novo e triste simbolismo após o acidente.
Os corpos de Steve Gaines e de sua irmã Cassie Gaines foram cremados e as cinzas sepultadas no cemitério Jacksonville Memory Garden. Ronnie foi sepultado no mesmo cemitério, juntamente com seu chapéu Texas Hi-Roller negro e sua vara de pescar favorita. Cento e cinquenta amigos e familiares participaram do serviço fúnebre, marcado pela mensagem do ministro David Evans, de que Ronnie Van Zant, o carismático e visionário vocalista do Lynyrd Skynyrd não estava morto; ele vivia em espírito no céu e terra, através de sua música.
O depois
Neste ponto, o Skynyrd transcendia o status de banda de Southern Rock para se transformar em um mito. Acredito também que este é epílogo de uma grande banda. O que veio depois, até os novos fãs precisam admitir, não pode ser comparado ao que foi o Lynyrd Skynyrd em priscas eras. De qualquer forma, poucos meses depois do acidente, foi lançado um single de "What's Your Name?" que alcançou a 13ª posição nas paradas seguido de outro single de sucesso, com a música "You Got That Right". O disco "Skynyrd's First...and Last", apresentando músicas gravadas entre 1970 e 1972, mas não lançadas oficialmente, obtém disco de platina.
Dois anos após o acidente, em 1979, os membros sobreviventes da banda, com exceção do batera Artimus Pyle (que quebrara o braço em um acidente de moto) se reúnem em um novo grupo, chamado Rossington-Collins Band. Participa da banda a vocalista Dale Krantz - backing vocal da banda .38 Special, do irmão de Ronnie, Donnie Van Zant. Dale mais tarde se casaria com Gary Rossington.
Sai a coletânea dupla "Golden & Platinum", que chega ao Top 15 e também recebe platina, sendo o quarto álbum consecutivo da banda a receber essa distinção. O álbum de estréia da Rossington-Collins Band, "Anytime, Anyplace, Anywhere" tem como destaque o single "Don't Misunderstand Me", e alcança ouro.
Depois do segundo álbum, "This Is The Way" a Rossington-Collins Band, apesar do relativo sucesso, se desfaz - durante um show, talvez ainda desorientado com a morte recente de sua esposa, Kathy Johns, Collins colocou sua guitarra no chão e saiu do palco, não mais retornando. Rossington forma a Rossington Band e Collins a Allen Collins Band.
Mas o elétrico e ainda inexplicavelmente subestimado guitarrista Allen Collins - que segundo Pyle, foi "a pessoa mais honesta" que ele conheceu - ainda viveria anos de muito sofrimento.
Allen Collins
Tido por muitos como o coração do Lynyrd Skynyrd - sendo Ronnie a alma do grupo - o guitarrista Allen Larkin Collins celebrizou-se pelo seu furioso solo em "Freebird" e junto ao vocalista, compôs boa parte dos clássicos do LS, dentre eles "Tuesday's Gone", "Comin' Home", "The Ballad of Curtis Loew", "Gimme Back My Bullets" e "That Smell", além da citada "Freebird". Injustificável que um grande compositor e guitarrista competente como Collins seja esquecido principalmente pelas publicações especializadas em guitarra.
Estereótipo perfeito de um rocker setentista - cabelos longos e desgrenhados, alto e de magreza extrema - Collins tornou célebres suas performances durante as músicas - dava saltos incríveis durante os solos, demonstrando vitalidade e o prazer de tocar.
Allen correu o risco de ter o braço esquerdo amputado devido a uma infecção decorrente do acidente aéreo, medida que os médicos tomariam caso não fossem proibidos pelo pai do guitarrista, que acreditou na recuperação do filho. Mas o acidente de avião na qual Collins assistiu seus melhores amigos morrerem e ele próprio ter ficado à beira da morte, não seria a primeira e nem a única atribulação da sua vida. Para alguns, pareceu que ele inconscientemente estava seguindo o caminho de seus colegas desaparecidos.
Durante os primeiros dias da turnê do disco "Anytime, Anyplace, Anywhere" em 1980, a esposa de Collins, Kathy Johns, morreu de complicações durante a gravidez. A morte de Kathy, que forçou o cancelamento da turnê, devastou o guitarrista, ainda emocionalmente abalado pela perda recente de seus amigos no acidente. Houve quem diga que depois da morte da esposa, Collins nunca mais foi o mesmo.
De qualquer forma, ele ainda buscava na música um alívio para suas dores. Após o fim da Rossington Collins Band, ele formou a Allen Collins Band (com participação de ex-integrantes do Skynyrd) e lançou um disco pela MCA, "Here, There and Back", em 1983. Apesar da consideravel aprovação dos fãs, o então chefe da companhia, Irving Azoff, dispensou Collins afirmando que não queria mais nenhum negócio com ele.
Collins tocaria em jams com outras bandas e também com os ex-companheiros do Lynyrd Skynyrd - fotos de 1984 mostram o guitarrista barbudo, ao lado de Gary, com uma inequívoca melancolia no olhar.
Em janeiro de 1986, nova e definitiva tragédia: quando dirigia embriagado perto de sua casa seu novo Ford Thunderbird, Collins perdeu o controle do veículo, colidindo violentamente. Sua namorada, Debra Jean Watts, que o acompanhava, morreu na hora e ele ficou paraplégico. Os ferimentos ainda limitaram a parte superior do corpo e braços, o confinando a uma cadeira de rodas. Impossibilitado de tocar guitarra, sua carreira havia terminado.
No ano seguinte, 1987, Collins e seu pai Sr. Larkin Collins, tiveram a idéia de um tributo ao Lynyrd Skynryd, de forma a rememorar os dez anos do acidente de avião. Eles convocaram os membros originais - Gary Rossington, Leon Wilkeson, Billy Powell, Artimus Pyle, Ed King - que se uniram a Johnny Van Zant, e no lugar do próprio Collins, foi chamado o guitarrista Randal Hall (ex-Allen Collins Band). A turnê rende um disco ao vivo, o "Southern by the Grace of God", e um vídeo-documentário.
Collins trabalhou na turnê como uma espécie de diretor musical, escolhendo as músicas, elaborando os arranjos e cuidando de outros detalhes dos shows. Parte da sentença do guitarrista pelo acidente de carro foi usar sua fama e influência para prevenir jovens do perigo de se dirigir bêbado. Antes de se desentender novamente com Rossington e outros membros da banda, Allen usou a turnê tributo para ir ao palco e dizer aos fãs a razão de não poder mais tocar com o Skynyrd - uma mensagem da qual os fãs jamais esqueceriam.
A turnê tributo foi uma grande sucesso, mas é possível imaginar a dor pela qual passou o guitarrista ao assistir a banda tocando sem que ele pudesse participar. Afinal, o Lynyrd Skynyrd também tinha sido sua vida.
Juntamente com Bill Massey Jr, Collins concebeu o evento Wheelchair Games and Benefit Concerts. Atualmente, Bill mantém um site na internet e uma entidade, a "Roll for Rock", dedicada a pessoas com necessidades especiais que dependem de cadeiras de rodas.
Em 1989 as condições de saúde do guitarrista, principalmente as respiratórias, se deterioraram em função da paralisia. Ele foi hospitalizado em setembro, mas os remédios utilizados para combater uma pneumonia pioraram ainda mais sua saúde. Larkin "Allen" Collins resistiu até janeiro do ano seguinte, 1990: no dia 23, ele faleceu aos 37 anos. Seu corpo foi sepultado no Riverside Memorial Garden, em Jacksonville, ao lado da sepultura de sua esposa Kathy Johns.
Hoje
Em 1990 a ex-esposa de Ronnie, Judy, e a filha de ambos, Melody, fundaram a Freebird Foundation Inc, em memória ao cantor do Lynyrd Skynyrd.
Originalmente a fundação tinha por objetivo arrecadar fundos para a construção de um parque memorial a Van Zant. Depois da construção do parque, a Freebird Foundation se voltou para outras ações, como programas escolares em benefício de estudantes locais.
Se já era inconcebível um Lynyrd Skynyrd sem Ronnie Van Zant e Steve Gaines, sem Allen Collins se tornava patente, pelo menos aos velhos e mais radicais fãs, que a banda não poderia continuar.
Mas continuou, para lamento de alguns, curiosidade de outros e apesar dos pesares, grande interesse de terceiros. Em 1991 lançam um disco chamado "Lynyrd Skynyrd 1991", com Johnny Van Zant, no lugar de Ronnie, e Ed King de volta a guitarra.
Lançaram os seguintes discos desde então: "The Last Rebel", "Endangered Species", "Twenty", "Lyve From Steel Town", "Edge of Forever", "Double Trouble", "Then & Now", "Christmas Time Again" e " God & Guns ". Houve algumas mudanças de formação (a mais significativa foi a saída de Ed King, novamente por problemas de saúde e o retorno de Rickey Medlocke, desta vez tocando guitarra!). Em 1996 é lançado o excelente documentário "Freebird...The Movie", com cenas inéditas da banda (O Filme).
Em julho de 2000 alguns vandalos tentaram violar o túmulo de Ronnie Van Zant e chegaram mesmo a quebrar a urna com as cinzas de Steve Gaines, que em parte foram espalhadas. Os restos foram novamente sepultados em local não divulgado, mas a policia não identificou nem prendeu as pessoas que cometeram tal ato.
Em 1996, saiu o documentário Freebird...The Movie, com cenas inéditas da banda e toda a sua história. A gravadora MCA relançou recentemente o clássico ao vivo One More From The Road, de 1976, com 10 faixas extras, além de mais uma infinidade de coletâneas e ao vivos.
No dia 27 de julho de 2001, mais uma triste notícia para os fãs: o baixista Leon Wilkeson faleceu "de causas naturais", em Jacksonville, aos 49 anos. O Lynyrd Skynyrd estava em turnê com Ted Nugent e Deep Purple e planejava mais um álbum inédito. A banda, porém, continua na estrada.
No dia 14 de março de 2006, o Lynyrd Skynyrd entra para o Hall da Fama do Rock and Roll com direito a uma apresentação especial com a música "Sweet Home Alabama", executada por Bob Burns na bateria, Artimus Pyle na percussão, Ed King na guitarra e JoJo & Leslie (Honkettes originais) nos backing vocals. Além deles o vocal ficou por conta de Johnny Van Zant e Kid Rock. Ainda em 2006, a banda teve seu "hino" "Free Bird" presente no game Guitar Hero 2, sendo esta a música mais difícil do jogo.
Em 2008 o Lynyrd Skynyrd anunciou em seu site oficial que estava em processo de gravação de um novo álbum. O lançamento está programado para o começo de 2009.
Em 28 de janeiro de 2009 o tecladista Billy Powell (56 anos) morreu em sua casa em Orange Park, Flórida. Suspeita-se que o motivo teria sido um ataque cardíaco.
Em 07 de maio de 2009 o baixista Donald “Ean” Evans morreu de câncer em sua casa no Mississippi. O músico tinha 48 anos. Ele fazia parte da banda desde 2001, quando substituiu Leon Wilkeson, que morrera em um quarto de hotel naquele ano. Ean Evans já estava fora dos planos da nova turnê mesmo antes mesmo de seu falecimento, pois não tinha mais condições de sair de casa por causa do câncer.
Os substitutos de Billy Powell e do Ean Evans são, respectivamente, Peter "Keys" Pisarczyk (ex-George Clinton's Parliament Funkadelic) e Robert Kearns.
Curiosidades
* Em Jacksonville, quando de folga das turnês, Ronnie e Gary costumavam acordar bem cedo para ir pescar. A tranquilidade de uma pescaria era como um escape para as pressões do showbizz e da vida na estrada. Ao contrário de outros rockstars cheios de manias, os caras do LS mantiveram os mesmos hábitos anteriores à fama.
* Ronnie Van Zant conheceu Bob Burns em 1964 numa cabeçada que deu no baterista durante uma partida de baseball.
* Gary e Allen sofreram dois acidentes de carro distintos em 1976 - para muitos um presságio do que ainda viria pela frente. Como uma espécie de resposta aos acidentes, e a problemas com álcool e drogas, Ronnie e Allen compuseram "That Smell", presente em "Street Survivors".
* A principal guitarra de Gary, uma Gibson Les Paul ’59, apelidada de "Berniece" em homenagem a mãe do guitarrista, sofreu uma queda durante as sessões de gravação de "Street Survivors". O headstock (paleta) quebrou ficando sustentado apenas pelas cordas. Ao ver o estrago Gary caiu no choro e achou impossível que alguém a consertasse. Mas um luthier conseguiu reparar o problema.
* Sucesso maior do grupo, "Freebird" surgiu de uma bela seqüencia de acordes bolada por Allen. Ronnie acrescentou melodia e letras. "Ele escreveu a letra toda em três ou quatro minutos" - Gary. Durante as primeiras apresentações, Ronnie pedia a Allen e Gary que estendessem mais os solos da música. "Não está longo o bastante. Façam mais longo!" dizia Ronnie.
* Uma das primeiras performances públicas da música em sua versão final foi durante a festa de casamento de Allen Collins. Este fez o overdub de um segundo solo, na versão de estúdio, criando o famoso duelo de guitarras que coroa a música. Ao vivo, as três guitarras - Gary no slide, Ed e mais tarde Steve na base e solos e Allen nos solo principal - reproduziam fiel e furiosamente a canção, geralmente pontuada com um eletrizante rave-up (técnica bolada pelos Yardbirds) e uma seção ritmica que remetia ao "bolero" (bastante similar a do final de "Beck's Bolero")
* Em "Freebird", Gary Rossington afinou a segunda corda de sua guitarra em Sol, igualando com a terceira corda. Ele disse que fez isso para encorpar mais o som do slide. Para este efeito foi utilizada uma chave de fenda. A guitarra usada foi uma Gibson Les Paul/SG '61. Outro truque foi usar cordas mais grossas (0.17 gauge G) no lugar da terceira e segunda cordas. "Lembro que eu queria algo um pouco diferente do mesmo velho som de guitarra slide, então eu fiz com esse tipo de invenção", disse.
* Ao vivo ele usava um vidro de Coricidin (como antes fizera sua confessa influência, Duanne Allman) como slide.
* A música, sempre citada como uma homenagem a Duanne Allman, do Allman Brothers, é uma das mais executadas nas rádios americanas. Já teria sido tocada segundo estimativas da BMI pelo menos 2 milhões de vezes desde seu lançamento.
* Prova do quanto "Freebird" se tornou um hino é o curioso de alguns gaiatos em qualquer show pelo mundo (pode ser show de quem for, da cantorazinha pop, ao grupo de metal) de pedir "Freeebird!!!" da platéia!
* A capa de "Street Survivors" mostrava a banda rodeada por chamas e foi fotografada no Universal Studios de Hollywood. Após o acidente na qual morreram Ronnie, Steve, Cassie e Dean, a esposa de Steve Gaines, Teresa, pediu a gravadora que substituisse a capa. Hoje o disco com a capa original vale algumas centenas de dólares.
* O chapéu que Ronnie usava e se tornou sua marca registrada é fabricado pela empresa Texas Hatters. Seu modelo é o Hi-Roller.
* O Lynyrd Skynyrd fez sua última apresentação com Ronnie, Steve e Cassie Gaines no dia 19 de outubro de 1977, no Greenville Memorial Auditorium, em Carolina do Sul.
* Segundo a estimativas, o LS já vendeu durante as quase três décadas de carreira fonográfica, mais de 30 milhões de discos. No Brasil, a banda ainda é pouco conhecida.
* Pesquisa da revista Guitar World (edição de setembro de 1998) junto aos leitores considerou que "Freebird" apresenta o terceiro melhor solo de guitarra de todos os tempos. Em primeiro, deu Zep com "Stairway to Heaven".
* O Lynyrd Skynyrd foi eleito numa pesquisa do canal americano VH1, especializado em música, a 71ª maior banda de hard rock de todos os tempos. Em primeiro deu Led Zeppelin e até bandas que nada tem a ver com hard rock - caso de Jethro Tull, Yes, Pink Floyd e The Doors também constavam da lista.
* Billy Powell trabalhava como roadie para o LS. Um dia, enquanto tocava piano, Ronnie se surpreendeu e perguntou porque ele nunca havia dito que sabia tocar. Powell, que teve aulas do instrumento, disse que estava satisfeito com seu trabalho de roadie. Mas Ronnie o convidou para integrar a banda. Uma de suas primeiras e grandes contribuições foram as bonitas partes de piano e órgão em "Freebird".
* Dentre as várias bandas que já fizeram covers do LS estão o Dream Theater (Freebird) e Metallica (Tuesday's Gone).
* Versos de "Freebird" aparecem em um medley com a música "Baby I Love Your Away" (Peter Frampton) na versão do grupo pop Will To Power. Não por acaso, a música, lançada em 1988, foi o maior sucesso comercial do grupo.
* "Sweet Home Alabama" é presença constante em shows de bandas de bar pelos EUA afora.
* Outro grande fã do LS é o guitarrista Zakk Wylde, que inclusive montou uma banda calcada no Southern Rock. "O Lynyrd Skynyrd me fez querer tocar guitarra", disse.
* Há uma citação ao Skynyrd no filme "Con Air". Rola "Sweet Home Alabama" no avião na qual estão os criminosos e um deles, o hilário psicopata interpretado por Steve Buscemi, comenta da "ironia" de um bando de malucos (os bandidos) dançarem dentro de um avião a música de uma banda cujo avião caiu.
* A banda Stillwater, do filme "Quase Famosos", é em parte baseada no LS, segundo o diretor e jornalista musical Cameron Crowe, que acompanhou a carreira da banda como repórter pela revista Rolling Stone. Na trilha do filme está presente a balada "Simple Man".
* "Alabama..." e "Freebird" também estão presentes na trilha do filme "Forrest Gump".
Discografia
Álbuns de estúdio
Formação original
* 1973 - (pronounced 'lĕh-'nérd 'skin-'nérd) (MCA)
* 1974 - Second Helping (MCA)
* 1975 - Nuthin' Fancy (MCA)
* 1976 - Gimme Back My Bullets (MCA)
* 1977 - Street Survivors (MCA)
Formações pós-acidente
* 1991 - Lynyrd Skynyrd 1991 (Atlantic)
* 1993 - The Last Rebel (Atlantic)
* 1994 - Endangered Species (Capricorn)
* 1997 - Twenty (CMC)
* 1999 - Edge Of Forever (CMC)
* 2000 - Christmas Time Again (CMC)
* 2003 - Vicious Cycle (Sanctuary)
* 2009 - God & Guns
Coletâneas
* 1978 - Skynyrd's First And... Last - demos do período 1971-1972 (MCA)
* 1980 - Gold & Platinum - best of (MCA)
* 1982 - The Best of the Rest - demos inéditas, lados-B (MCA)
* 1987 - Legend - demos inéditas, lados-B (MCA)
* 1989 - Skynyrd's Innyrds - best of (MCA)
* 1991 - Lynyrd Skynyrd - Boxset de 3 CDs (MCA)
* 1997 - Old Time Greats - CD duplo (Repertoire, relançado em 2005 pela Universal)
* 1998 - The Essential Lynyrd Skynyrd - CD duplo (relançado em 2006 sob o título Gold) (MCA)
* 1998 - Skynyrd's First: The Complete Muscle Shoals Album - coletânea de demos do período 1971-1972 (MCA)
* 2000 - All Time Greatest Hits - best of (MCA)
* 2000 - Then and Now - ao vivo e estúdio (CMC)
* 2003 - Thyrty: The 30th Anniversary Collection
* 2005 - Then And Now, Vol. 2 (Sanctuary)
* 2005 - Greatest Hits - CD duplo (Universal, relançamento do título de 1997)
* 2006 - Gold - CD duplo (relançamento de Essential Lynyrd Skynyrd de 1998)
Ao vivo e vídeos
* 1976 - One More from the Road - álbum ao vivo (MCA)
* 1988 - Southern By The Grace Of God (Lynyrd Skynyrd Tribute Tour 1987) - álbum ao vivo (MCA)
* 1988 - Lynyrd Skynyrd Tribute Tour - vídeo da turnê (Cabin Fever)
* 1996 - Freebird... The Movie - vídeo de cenas de shows (Cabin Fever)
* 1996 - Freebird... The Movie - trilha sonora do vídeo (MCA)
* 1996 - Southern Knights - álbum ao vivo (SPV)
* 1998 - Lyve From Steel Town - álbum ao vívo (CMC)
* 1998 - Lyve From Steel Town - vídeo da turnê (CMC)
* 2003 - Lynyrd Skynyrd Lyve: The Vicious Cycle Tour - vídeo da turnê (Sanctuary)
* 2004 - Lynyrd Skynyrd Lyve: The Vicious Cycle Tour - vídeo da turnê (Sanctuary)
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Artistas/Bandas
Hoje na história do Rock no mundo - 02/10
Brian Epstein assina contrato com os Beatles
[02/10/1962] Há 47 anos
Acompanhando os Beatles desde janeiro do mesmo ano, o empresário Brian Epstein reafirma a proposta e assina um contrato de cinco anos com o grupo. Na mesma semana, eles lançariam seu primeiro single, "Love Me Do".
The Who faz sua estréia na televisão
[02/10/1965] Há 44 anos
O Who faz sua primeira aparição televisiva, tocando "I Can't Explain", no programa Shindig, da rede de TV ABC. Na ocasião, outras duas bandas participaram do show: o Four Tops e o Gerry & The Peacemakers.
Integrantes do Grateful Dead vão em cana
[02/10/1967] Há 42 anos
Três integrantes do Grateful Dead, Phil Lesh, Ron McKernan e Bob Weir, são detidos e acusados por porte de maconha, depois de uma batida policial na casa onde o grupo vivia, na Ashbury Street, em São Francisco. Depois de seis horas atrás das grades, eles foram liberados sob fiança.
Rod Stewart desponta como artista solo
[02/10/1971] Há 38 anos
Após anos e anos trabalhando em bandas de outras artistas, Rod Stewart finalmente desponta como artista solo. O álbum "Every Picture Tells a Story", inteiramente escrito e produzido por ele, invade simultaneamente o topo da parada nos Estados Unidos (onde permaneceria por quatro semanas) e na Grã-Bretanha (seis semanas). Boa parte do sucesso do disco aconteceu por causa da música "Maggie May", que também ficou em primeiro lugar.
John Belushi imita Joe Cocker na televisão
[02/10/1976] Há 33 anos
Durante uma aparição no programa "Saturday Night Live", da rede de TV norte-americana NBC, Joe Cocker faz um dueto com o ator John Belushi (Blues Brothers) e canta o clássico do Traffic, "Feelin' Alright". Como os telespectadores já podiam esperar, Belushi não perdeu a oportunidade de fazer sua famosa imitação de Joe Cocker.
Vocalista do ABBA é hospitalizada
[02/10/1983] Há 26 anos
Enquanto fazia uma turnê promocional pela Europa, Agnetha Fältskog, uma das vocalistas do ABBA, é levada em estado de choque para o hospital Angelholm, em Skane, na Suécia. Ela estava dentro de um ônibus e havia sido vítima de um grave acidente de trânsito.
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Hoje na história do Rock Brasileiro - 02/10
- 1966: Nasceu, no Rio de Janeiro, Carlos Augusto Pereira Coelho guitarrista do Biquini Cavadão.
- 1987: O Paralamas do Sucesso lançou o disco ao vivo D, gravado em 04 de julho de 1987 no Festival de Motreux, na Suíça. Além de grandes sucessos, o disco tem uma inédita (“Será que Vai Chover?”) e uma regravação de Jorbe Ben Jor (“Charles Anjo 45”).
Semana que vem estréia nos cinemas o documentário sobre Herbert Vianna realizado pela TV Zero do RJ.
http://efemeridesrockbrasileiro.blogspot.com/
- 1987: O Paralamas do Sucesso lançou o disco ao vivo D, gravado em 04 de julho de 1987 no Festival de Motreux, na Suíça. Além de grandes sucessos, o disco tem uma inédita (“Será que Vai Chover?”) e uma regravação de Jorbe Ben Jor (“Charles Anjo 45”).
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1 de outubro de 2009
40 anos de Heavy Metal
1969. Um ano de vários fatos marcantes, como a chegada do homem à lua. No mundo da música, mais especificamente no rock, os Beatles terminariam definitivamente sua existência, com o lançamento de sua última obra-prima, “Abbey Road” (posteriormente ainda sairia “Let It Be”, mas já com a banda dissolvida); o The Who nos entregava sua magistral ópera-rock “Tommy”; os Rolling Stones, que ainda enfrentavam a ressaca após a misteriosa morte de Brian Jones, realizaram o fatídico show gratuito no autódromo de Altamont e lançavam “Let It Bleed”. Tivemos o acontecimento do antológico festival de Woodstock, marcando o auge e também o início da decadência do movimento flower-power da contracultura hippie. No Vietnã, batalhas cada vez mais sangrentas, ao mesmo tempo em que a guerra fria vivia seus dias mais austeros. Em meio a dias tão turbulentos, despontam no cenário musical algumas bandas com uma sonoridade mais agressiva, que são tidas até hoje como os pilares do heavy metal. Dentre elas destaque para Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple, autoras de discos que se tornariam as “bíblias” da mais pesada vertente do rock and roll.
O INÍCIO
O termo heavy metal ganhou força definitiva na década de 1980, com o surgimento da “New Wave Of British Heavy Metal”, mas a história do gênero é bem mais antiga. Com relação à mídia, embora o termo “música pesada” (“heavy music”, em inglês) já houvesse sido usado antes (para se classificar o som do Iron Butterfly, por exemplo), a primeira vez que se tem conhecimento que a expressão heavy metal foi realmente usada foi em um review de Mike Saunders sobre o álbum “Safe As Yesterday Is”, do Humble Pie, publicado na revista Rolling Stone em sua edição de novembro de 1970. Musicalmente, o metal começou ainda um pouco antes, com algumas opiniões controversas a respeito disso.
O marco inicial do metal para muitos se deu em 1968, quando os Beatles gravaram “Helter Skelter” em seu famoso e controverso Álbum Branco. Os motivos que dão base a esta tese são muitos: as guitarras saturadas e estridentes, o vocal “berrado”, a própria levada da música... Como se não bastasse, a canção composta por sir Paul McCartney (cujo título pode ser traduzido como confusão, algo fora de controle) foi citada pelo famoso Charles Manson como sua fonte de inspiração (?) para cometer o assassinato de Sharon Tate, esposa grávida do cineasta Roman Polanski, diretor de “O Bebê de Rosemary” – dentre outros disparates que o levaram gradativamente a chegar ao crime, ele acreditava que o quarteto de Liverpool eram os quatro cavaleiros do apocalipse (!!!), e que a letra de “Helter Skelter” representava a batalha do juízo final (!!!!!). Na verdade, a música se refere a um tobogã popular nos parques da Inglaterra, onde se escorregava de forma meio descontrolada, e foi uma espécie de resposta ao The Who, cujo guitarrista Pete Townshend havia dito em uma entrevista que sua canção “I Can See For Miles” era a mais barulhenta já gravada. Mas isso já é assunto para uma outra longa história...
Outros clamam que a semente do metal tem outra origem. Ainda naquele ano, pela primeira vez se usou o termo heavy metal em uma música, na letra da lendária “Born To Be Wild”. Inicialmente, a canção escrita por Mars Bonfire (nome real do guitarrista Dennis Edmonton), quando ainda integrava o The Sparrows, chegou a ser oferecida a outros artistas, como o grupo The Human Expression, mas a honra de gravá-la acabou ficando mesmo para sua nova banda, o Steppenwolf. Tornou-se famosa ao ser escolhida como música tema do filme “Sem Destino” (1969), com Peter Fonda, Dennis Hopper e Jack Nicholson, e seus versos comparavam o barulho da motocicleta a um trovão de metal pesado, “heavy metal thunder”. Relatos do próprio Mars dão conta de que sua inspiração para compor foi um pôster visto em uma vitrine de uma loja em Hollywood, com uma Harley Davidson na estrada e a expressão “Born To Ride” cravada no asfalto.
Há ainda uma terceira corrente, que recai sobre um power trio que tocava mais alto e era mais barulhento do que qualquer banda da época, o Blue Cheer, cujo nome foi retirado de um poderoso tablete de LSD que circulava pela Califórnia naqueles dias. Originalmente um sexteto, após a debandada de metade da banda, os três membros remanescentes Leigh Stephens (guitarra), Paul Whaley (bateria) e Dickie Peterson (baixo e vocal) decidiram aumentar o volume no máximo, para nas apresentações preencher o vazio deixado pelos ex-companheiros. Seu blues-rock extremamente amplificado fez sucesso com uma versão de “Summertime Blues”, de Eddie Cochran, registrada em seu álbum de estréia de 1968, que levava o curioso nome de “Vinceptus Eruptum”, que continha ainda a ótima “Rock Me Baby” e a longa e chapadona “Doctor Please”. Curiosamente, com o decorrer de sua carreira o Blue Cheer foi polindo seu som e diminuindo o volume cada vez mais, num caminho inverso à tendência que o rock seguiria. Alguns hoje classificam o estilo como “stoner rock” (se formos traduzir, rock “chapado”), outros como metal.
Se formos voltar ainda mais um pouco no tempo, temos outros momentos que são lembrados e citados também, como a primeira música a apresentar distorção nas guitarras, “You Really Got Me”, do The Kinks, de 1964 (aquela mesma posteriormente regravada pelo Van Halen em seu disco de estréia). Muitos especialistas chegam até mesmo a elencar o lendário Cream, de Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker, como pais do som pesado (hipótese a ser considerada, principalmente com relação às elétricas performances ao vivo do trio), bem como o próprio The Who, que além de tocar alto, quebrava tudo no palco, literalmente. Mas, por fim, todos os caminhos acabam sempre levando ao mesmo denominador comum, apontando para as três bandas que dão título a esta matéria como os grupos seminais do estilo.
LED ZEPPELIN
O Led Zeppelin foi uma banda que desde o início já tinha cara de super grupo, afinal era formado pelo ex-guitarrista dos Yardbirds, Jimmy Page, junto ao polivalente e conceituado músico de estúdio John Paul Jones, tendo ainda o exímio John Bonham nas baquetas (com sua incrível capacidade de conciliar peso e swing na medida certa) e a grande revelação Robert Plant nos vocais. Vale lembrar, como curiosidade, que o Zeppelin recebeu seu nome após uma piada dos eternos e saudosos Keith Moon e John Entwistle, do The Who – certo dia, os dois estavam junto a Jimmy Page e Jeff Beck, cogitando a possibilidade de fazerem um som juntos, e em certo momento Moon disse que essa banda decolaria tão bem quanto um balão pesado, onde completou Entwistle: “um zepelim de chumbo”.
Contratados pela Atlantic Records, lançam em 1969 seu début, que levava o nome do próprio grupo e fora produzido pelo próprio guitarrista Jimmy Page (com assistência de Glyn Johns, como engenheiro de som). Já tínhamos nele uma boa amostra do que viria pela frente em sua brilhante carreira: alternavam-se canções com guitarras pesadas e uma forte pegada de bateria, como em “Communication Breakdown”, “Good Times, Bad Times” e “Dazed And Confused”, com belas dobradas de guitarra e baixo, tal qual se ouve na fantástica faixa de encerramento, “How Many More Times”, belos temas acústicos, como “Black Mountain Side”... Havia ainda regravações de temas de blues, como “You Shook Me” e “I Can’t Quit You”, de Willie Dixon. O álbum foi gravado em uma mesa de quatro canais, com os quatro tocando ao mesmo tempo, aproveitando-se do reverb e eco que o estúdio produzia, gerando um som único. Num tom de total reverência, Tom Hamilton, baixista do Aerosmith, disse certa vez: “na primeira vez que ouvi o primeiro álbum do Zeppelin, tive a sensação de que Deus estava saindo pelas caixas de som”. Embora a crítica especializada da época não tenha dado muita bola, foi grande sucesso de vendas.
Como se não bastasse, no mesmo ano ainda chegava às prateleiras outra pedra preciosa que daria continuidade a tudo: “Led Zeppelin II”, produzido novamente por Jimmy Page (agora com Eddie Kramer como engenheiro, notório colaborador de Jimi Hendrix). Alguns seguidores da banda preferem este álbum ao primeiro, afinal ele trazia de cara “Whole Lotta Love”, e tinha ainda no decorrer do disco “Heartbreaker”, “The Lemon Song”, “Living Lovin’ Maid”, “Moby Dick” (com direito ao fantástico solo de bateria de John Bonham), a belíssima balada “Thank You”, “Ramble On”, e “Bring It On Home”, que fechava com chave de ouro. Fã confesso da banda, Steve Vai conta que decidiu tomar aulas para aprender a tocar guitarra quando ouviu pela primeira vez “Heartbreaker”. O álbum foi gravado em vários estúdios diferentes, nos intervalos entre um ou outro show da turnê de seu primeiro trabalho. John Paul Jones cita que muitas das idéias e riffs surgiam no palco, principalmente nos longos improvisos de “Dazed And Confused”. Foi também o primeiro álbum a atingir simultaneamente o número um das paradas nos EUA e na Inglaterra.
O Zeppelin fez história. Praticamente toda sua discografia é tratada como obra-prima. Sobre os músicos, o que mais dizer? Com seus grandes e exóticos arranjos e sua extensa exploração de afinações alternativas, Page logo galgou seu lugar junto aos deuses da guitarra – quem nunca ficou embasbacado ao ouvir seus riffs e solos inspirados, ou ao vê-lo empunhando um arco de violino para tirar sons inimagináveis de seu instrumento? John Paul Jones é admirado cada vez mais por sua versatilidade e capacidade musical, Robert Plant é, sem dúvidas, uma das maiores vozes da história do rock, e John Bonham até hoje é referência para qualquer cidadão que ouse segurar uma baqueta – uma pena que nos tenha deixado tão cedo.
BLACK SABBATH
Após alguns anos tocando blues em clubes locais sem muito dinheiro ou repercussão, o quarteto da cidade industrial de Birmingham chamado Earth dá uma guinada em sua carreira em 1969. Mudam seu nome para Black Sabbath, inspirados em um filme de terror com Boris Karloff que levava este nome, e passam a apostar numa sonoridade mais arrastada e assustadora. Com sua guitarra SG saturada e cortante, Tony Iommi já demonstrava, desde o início, ser o mestre dos riffs. Ozzy Osbourne podia não ser o melhor vocalista do mundo, mas já era dono de um carisma inigualável. A cozinha formada por Terry “Geezer” Butler e Bill Ward era ainda bastante coesa e inspirada. Foi apenas questão de tempo então até conseguirem se firmar no cenário. Após algumas apresentações com o novo nome e a divulgação de um single (“Evil Woman”), conseguem um contrato com a gravadora Vertigo para lançar seu primeiro trabalho, que fora gravado e mixado em, acreditem, apenas três dias, tendo a produção assinada por Rodger Bain.
Para dar uma atmosfera mais sombria, o ótimo disco de estréia, que levava o próprio nome da banda, foi lançado em uma sexta-feira 13, em fevereiro de 1970. A capa do play já era extremamente assustadora para a época (na época, muitos juravam ser uma foto real de uma bruxa). Ao colocar o vinil para rolar, então, muitos já sentiam todos os calafrios possíveis: a introdução da faixa “Black Sabbath”, que dava início a tudo, com aquele barulho de sino ao fundo de uma chuva torrencial, precedia um riff magistral de guitarra (tocando o que no mundo medieval era chamado de “a escala proibida”, pois se acreditava que aquela sequência de acordes o demônio era invocado). Era de arrepiar até os mais céticos. E quando Ozzy começa a cantar “O que é isso que se depara diante de mim?”... Mas o álbum não se resume apenas a isso, afinal ele tinha ainda outros grandes momentos, como a clássica “N.I.B.” (alguém se arrisca sobre o que significa a sigla?), “The Wizard”, “Wicked World”... A produção crua ajudava ainda mais no clima. A crítica especializada, entretanto, caiu matando. O famoso Lester Bangs (o mesmo que foi retratado no filme “Quase Famosos”) citava em sua resenha: “parece com o Cream, só que muito piorado”. De qualquer forma, conseguiu boa repercussão.
Após alguns shows, o Sabbath voltaria a estúdio ainda naquele mesmo ano. Com várias canções prontas, compostas durante a turnê (como era praxe na época), reúnem-se com o produtor Rodger Bain e, em poucos dias novamente, gravam seu segundo álbum e aquele que, para muitos, é sua melhor obra até hoje. Inicialmente o vinil levaria o nome de “War Pigs”, a clássica faixa que abre o trabalho, num protesto claro contra a guerra do Vietnã – tanto que a capa trazia um soldado estilizado, de capacete, espada e escudo nas mãos. Com medo de alguma represália ou censura, atendem aos pedidos da gravadora e mudam o nome, batizando-o com o título de uma nova canção que, segundo o baterista Bill Ward, foi totalmente composta em pouco mais de vinte minutos no próprio estúdio: “Paranoid”. Compõem o registro, ainda, a psicodélica “Planet Caravan”, a antológica “Iron Man” (e um dos riffs de guitarra mais tocados até hoje na história), a instrumental “Rat Salad”, “Electric Funeral”, “Fairies Wear Boots”... Que discaço, não? Não é à toa que Billy Corgan, do Smashing Pumpkins, declarou: “ouvir os primeiros discos do Black Sabbath foram os momentos mais sublimes da minha vida”. Como não poderia deixar de ser, a carreira do Sabbath daí pra frente engrenou de vez, tendo criado ainda outras grandes obras, seja com Ozzy ou sem ele, até os dias atuais – mesmo usando outro nome, para evitar conflitos judiciais.
DEEP PURPLE
Embora só tenha conhecido de fato o sucesso em 1970, o Deep Purple já tinha uma boa história pra contar. Formado em 1966, o quinteto trazia em sua formação nos primeiros trabalhos de estúdio os fundadores Ian Paice na bateria, Jon Lord nos teclados e Ritchie Blackmore nas seis cordas, tendo o time completado pelo vocalista Rod Evans e pelo baixista Nick Simper. O nome do grupo, como se sabe, foi retirado de uma antiga canção romântica que a avó de Blackmore gostava bastante. Contratados pela Harvest, gravadora subsidiária da gigante EMI, lançaram três álbuns de estúdio, “Shades Of Deep Purple”, “The Book Of Talesyn” e “Deep Purple”. Tiveram um único e modesto hit, a regravação de “Hush”, de Joe South, que fazia parte de seu primeiro trabalho – que continha ainda covers de “Help!”, dos Beatles, e “Hey Joe”, popularizada por Jimi Hendrix.
Em 1969 ocorre uma mudança crucial no histórico da banda: a entrada dos ex-membros do Episode Six, o vocalista Ian Gillan e o baixista Roger Glover, substituindo Evans e Simper. Lançam o ousado álbum ao vivo “Concert For Group And Orchestra”, gravado no Royal Albert Hall, já com a nova formação, mas não conseguem muito êxito comercial. Porém nos palcos que sua reputação era cada vez mais elogiada, com comentadas performances elétricas e contagiantes – em especial Blackmore, cada vez mais alucinado e influenciado por Jimi Hendrix, trocando de vez sua velha Gibson Semi-Acústica pela Fender Stratocaster e desenvolvendo gradativamente sua “atuação” nos extensos improvisos instrumentais, onde girava, pisava e jogava para o alto o instrumento. Como estavam prestes a lançar um novo trabalho, com a nova formação, que tal então tentar levar toda essa energia para o estúdio?
Trabalhando junto a jovens engenheiros de som, como Andy Knight, Phil McDonald e Martin Birch (que se tornaria colaborador fixo da banda naquela década, bem como do Rainbow, Whitesnake e Iron Maiden anos depois), o Purple passa a tocar e gravar “ao vivo em estúdio” e aposta suas fichas numa sonoridade mais agressiva e pesada (onde, inclusive, o órgão Hammond de Lord passou a ser ligado simultaneamente em uma caixa Leslie e em um amplificador de guitarras Marshall – ganhando seu som característico e o carinhoso apelido de “A Besta”). Destaque também para as notas altíssimas que podiam ser atingidas por Gillan, além de seu timbre espetacular, e para a ótima cozinha formada por Glover e Paice, fazendo um ótimo pano de fundo para os solos intrincados da dupla Blackmore/Lord. O resultado foi “Deep Purple In Rock”, que veio ao mundo em junho de 1970 e foi uma verdadeira porrada na cara dos mais conformistas.
A abertura ensurdecedora com “Speed King” já era garantia absoluta para incomodar qualquer vizinhança. A épica “Child In Time” até hoje é considerada uma de suas melhores músicas. Isso tudo sem falar em “Bloodsucker”, “Into The Fire”, a empolgante “Flight Of The Rat”, “Living Wreck” e a pesadíssima “Hard Lovin’ Man” (“dedicada” a Birch). Complementando tudo, uma capa inesquecível, com os rostos dos integrantes da banda substituindo os presidentes americanos no monte Rushmore. Ah sim, faltou ainda falar de “Black Night”, que havia sido lançada paralelamente como single e foi um hit absoluto, mas ficou de fora do álbum por causa da limitação de espaço enfrentada em tempos de vinil. “In Rock” merece o status de obra-prima, sem dúvida. Bruce Dickinson, por exemplo, já afirmou diversas vezes que este é seu disco favorito de todos os tempos. Jon Lord sempre cita-o como o melhor trabalho do Purple.
Mas o álbum não é uma unanimidade como o melhor disco da banda entre os fãs do quinteto: para a maioria o título fica com “Machine Head”, lançado dois anos depois (entre eles houve ainda o ótimo “Fireball”). O famigerado álbum gravado no saguão de um hotel abandonado em Montreux, na Suíça, com um estúdio móvel dos Rolling Stones, traz uma relação de sete músicas que falam por si próprias: “Highway Star”, “Pictures Of Home”, “Maybe I’m a Leo”, “Never Before”, “Smoke On The Water”, “Space Truckin’” e “Lazy”. Clássico absoluto e incontestável do rock and roll. Existe alguém no mundo que já teve uma guitarra nas mãos e nunca tentou tocar o riff de “Smoke On The Water”? O curioso é que a canção, uma espécie de diário de bordo resumido das gravações, inicialmente não foi a grande aposta do disco. Tanto que o primeiro single foi “Never Before”, que trazia em seu lado B a bela “When a Blind Man Cries”, executada até hoje nos shows da banda. Produção da própria banda, mais uma vez, sob a tutela de Martin Birch. Foi nesta turnê que o Purple gravou o antológico álbum ao vivo “Made In Japan”, outro álbum obrigatório de sua extensa discografia.
40 ANOS DE METAL
40 anos. Mesmo não sendo mais criança e já tendo cabelos grisalhos, o heavy metal continua aí, incomodando muita gente e sendo fonte de alegrias e inspiração para os seus milhões de fãs e seguidores ao redor do mundo. E mesmo com sua data de aniversário correta ainda gerando divergências e debates, é um fato a ser celebrado, com o volume bem alto, e com as mãos para o alto, fazendo os indefectíveis “chifres” do “mallochio”, tão difundido por Ronnie James Dio (essa já é mais uma outra história...).
Para encerrar, fica uma sugestão ao leitor: caso ainda não tenha assistido, vale a pena ver o excelente documentário “Metal – Uma Jornada Pelo Mundo do Heavy Metal”, de Sam Dunn e Scot McFadyen, que traça e explora uma verdadeira árvore genealógica do gênero. E aos leitores mais jovens: se por um acaso você ainda não tem nenhum dos citados registros em sua humilde coleção, ou nunca sequer ouviu nenhum deles, trate de recuperar este tempo perdido... Compre, empreste, grave, faça um download, mas não fique jamais sem conhecer estas verdadeiras enciclopédias do rock.
P.S.: Pra matar de vez a dúvida, a sigla “N.I.B.” não significa “Nativity In Black”, como a maioria acha que seja, principalmente depois do lançamento de dois tributos ao Black Sabbath levando este nome. De acordo com Tony Iommi, o título foi simplesmente uma referência à barbicha que Bill Ward tinha, e que se parecia com a ponta de um pincel fino, daqueles usados pelos artistas plásticos para assinar seus quadros, cujo nome em inglês é “pen-nib”. Como o “tinhoso” popularmente é conhecido por ostentar um cavanhaque parecido, e a canção é escrita do ponto de vista dele, criou-se a misteriosa sigla para atiçar as mentes dos ouvintes.
Fontes de pesquisa para a matéria: Wikipedia, Whiplash, Rolling Stone, LedZeppelin.com, BlackSabbath.com, Deep-Purple.com
O INÍCIO
O termo heavy metal ganhou força definitiva na década de 1980, com o surgimento da “New Wave Of British Heavy Metal”, mas a história do gênero é bem mais antiga. Com relação à mídia, embora o termo “música pesada” (“heavy music”, em inglês) já houvesse sido usado antes (para se classificar o som do Iron Butterfly, por exemplo), a primeira vez que se tem conhecimento que a expressão heavy metal foi realmente usada foi em um review de Mike Saunders sobre o álbum “Safe As Yesterday Is”, do Humble Pie, publicado na revista Rolling Stone em sua edição de novembro de 1970. Musicalmente, o metal começou ainda um pouco antes, com algumas opiniões controversas a respeito disso.
O marco inicial do metal para muitos se deu em 1968, quando os Beatles gravaram “Helter Skelter” em seu famoso e controverso Álbum Branco. Os motivos que dão base a esta tese são muitos: as guitarras saturadas e estridentes, o vocal “berrado”, a própria levada da música... Como se não bastasse, a canção composta por sir Paul McCartney (cujo título pode ser traduzido como confusão, algo fora de controle) foi citada pelo famoso Charles Manson como sua fonte de inspiração (?) para cometer o assassinato de Sharon Tate, esposa grávida do cineasta Roman Polanski, diretor de “O Bebê de Rosemary” – dentre outros disparates que o levaram gradativamente a chegar ao crime, ele acreditava que o quarteto de Liverpool eram os quatro cavaleiros do apocalipse (!!!), e que a letra de “Helter Skelter” representava a batalha do juízo final (!!!!!). Na verdade, a música se refere a um tobogã popular nos parques da Inglaterra, onde se escorregava de forma meio descontrolada, e foi uma espécie de resposta ao The Who, cujo guitarrista Pete Townshend havia dito em uma entrevista que sua canção “I Can See For Miles” era a mais barulhenta já gravada. Mas isso já é assunto para uma outra longa história...
Outros clamam que a semente do metal tem outra origem. Ainda naquele ano, pela primeira vez se usou o termo heavy metal em uma música, na letra da lendária “Born To Be Wild”. Inicialmente, a canção escrita por Mars Bonfire (nome real do guitarrista Dennis Edmonton), quando ainda integrava o The Sparrows, chegou a ser oferecida a outros artistas, como o grupo The Human Expression, mas a honra de gravá-la acabou ficando mesmo para sua nova banda, o Steppenwolf. Tornou-se famosa ao ser escolhida como música tema do filme “Sem Destino” (1969), com Peter Fonda, Dennis Hopper e Jack Nicholson, e seus versos comparavam o barulho da motocicleta a um trovão de metal pesado, “heavy metal thunder”. Relatos do próprio Mars dão conta de que sua inspiração para compor foi um pôster visto em uma vitrine de uma loja em Hollywood, com uma Harley Davidson na estrada e a expressão “Born To Ride” cravada no asfalto.
Há ainda uma terceira corrente, que recai sobre um power trio que tocava mais alto e era mais barulhento do que qualquer banda da época, o Blue Cheer, cujo nome foi retirado de um poderoso tablete de LSD que circulava pela Califórnia naqueles dias. Originalmente um sexteto, após a debandada de metade da banda, os três membros remanescentes Leigh Stephens (guitarra), Paul Whaley (bateria) e Dickie Peterson (baixo e vocal) decidiram aumentar o volume no máximo, para nas apresentações preencher o vazio deixado pelos ex-companheiros. Seu blues-rock extremamente amplificado fez sucesso com uma versão de “Summertime Blues”, de Eddie Cochran, registrada em seu álbum de estréia de 1968, que levava o curioso nome de “Vinceptus Eruptum”, que continha ainda a ótima “Rock Me Baby” e a longa e chapadona “Doctor Please”. Curiosamente, com o decorrer de sua carreira o Blue Cheer foi polindo seu som e diminuindo o volume cada vez mais, num caminho inverso à tendência que o rock seguiria. Alguns hoje classificam o estilo como “stoner rock” (se formos traduzir, rock “chapado”), outros como metal.
Se formos voltar ainda mais um pouco no tempo, temos outros momentos que são lembrados e citados também, como a primeira música a apresentar distorção nas guitarras, “You Really Got Me”, do The Kinks, de 1964 (aquela mesma posteriormente regravada pelo Van Halen em seu disco de estréia). Muitos especialistas chegam até mesmo a elencar o lendário Cream, de Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker, como pais do som pesado (hipótese a ser considerada, principalmente com relação às elétricas performances ao vivo do trio), bem como o próprio The Who, que além de tocar alto, quebrava tudo no palco, literalmente. Mas, por fim, todos os caminhos acabam sempre levando ao mesmo denominador comum, apontando para as três bandas que dão título a esta matéria como os grupos seminais do estilo.
LED ZEPPELIN
O Led Zeppelin foi uma banda que desde o início já tinha cara de super grupo, afinal era formado pelo ex-guitarrista dos Yardbirds, Jimmy Page, junto ao polivalente e conceituado músico de estúdio John Paul Jones, tendo ainda o exímio John Bonham nas baquetas (com sua incrível capacidade de conciliar peso e swing na medida certa) e a grande revelação Robert Plant nos vocais. Vale lembrar, como curiosidade, que o Zeppelin recebeu seu nome após uma piada dos eternos e saudosos Keith Moon e John Entwistle, do The Who – certo dia, os dois estavam junto a Jimmy Page e Jeff Beck, cogitando a possibilidade de fazerem um som juntos, e em certo momento Moon disse que essa banda decolaria tão bem quanto um balão pesado, onde completou Entwistle: “um zepelim de chumbo”.
Contratados pela Atlantic Records, lançam em 1969 seu début, que levava o nome do próprio grupo e fora produzido pelo próprio guitarrista Jimmy Page (com assistência de Glyn Johns, como engenheiro de som). Já tínhamos nele uma boa amostra do que viria pela frente em sua brilhante carreira: alternavam-se canções com guitarras pesadas e uma forte pegada de bateria, como em “Communication Breakdown”, “Good Times, Bad Times” e “Dazed And Confused”, com belas dobradas de guitarra e baixo, tal qual se ouve na fantástica faixa de encerramento, “How Many More Times”, belos temas acústicos, como “Black Mountain Side”... Havia ainda regravações de temas de blues, como “You Shook Me” e “I Can’t Quit You”, de Willie Dixon. O álbum foi gravado em uma mesa de quatro canais, com os quatro tocando ao mesmo tempo, aproveitando-se do reverb e eco que o estúdio produzia, gerando um som único. Num tom de total reverência, Tom Hamilton, baixista do Aerosmith, disse certa vez: “na primeira vez que ouvi o primeiro álbum do Zeppelin, tive a sensação de que Deus estava saindo pelas caixas de som”. Embora a crítica especializada da época não tenha dado muita bola, foi grande sucesso de vendas.
Como se não bastasse, no mesmo ano ainda chegava às prateleiras outra pedra preciosa que daria continuidade a tudo: “Led Zeppelin II”, produzido novamente por Jimmy Page (agora com Eddie Kramer como engenheiro, notório colaborador de Jimi Hendrix). Alguns seguidores da banda preferem este álbum ao primeiro, afinal ele trazia de cara “Whole Lotta Love”, e tinha ainda no decorrer do disco “Heartbreaker”, “The Lemon Song”, “Living Lovin’ Maid”, “Moby Dick” (com direito ao fantástico solo de bateria de John Bonham), a belíssima balada “Thank You”, “Ramble On”, e “Bring It On Home”, que fechava com chave de ouro. Fã confesso da banda, Steve Vai conta que decidiu tomar aulas para aprender a tocar guitarra quando ouviu pela primeira vez “Heartbreaker”. O álbum foi gravado em vários estúdios diferentes, nos intervalos entre um ou outro show da turnê de seu primeiro trabalho. John Paul Jones cita que muitas das idéias e riffs surgiam no palco, principalmente nos longos improvisos de “Dazed And Confused”. Foi também o primeiro álbum a atingir simultaneamente o número um das paradas nos EUA e na Inglaterra.
O Zeppelin fez história. Praticamente toda sua discografia é tratada como obra-prima. Sobre os músicos, o que mais dizer? Com seus grandes e exóticos arranjos e sua extensa exploração de afinações alternativas, Page logo galgou seu lugar junto aos deuses da guitarra – quem nunca ficou embasbacado ao ouvir seus riffs e solos inspirados, ou ao vê-lo empunhando um arco de violino para tirar sons inimagináveis de seu instrumento? John Paul Jones é admirado cada vez mais por sua versatilidade e capacidade musical, Robert Plant é, sem dúvidas, uma das maiores vozes da história do rock, e John Bonham até hoje é referência para qualquer cidadão que ouse segurar uma baqueta – uma pena que nos tenha deixado tão cedo.
BLACK SABBATH
Após alguns anos tocando blues em clubes locais sem muito dinheiro ou repercussão, o quarteto da cidade industrial de Birmingham chamado Earth dá uma guinada em sua carreira em 1969. Mudam seu nome para Black Sabbath, inspirados em um filme de terror com Boris Karloff que levava este nome, e passam a apostar numa sonoridade mais arrastada e assustadora. Com sua guitarra SG saturada e cortante, Tony Iommi já demonstrava, desde o início, ser o mestre dos riffs. Ozzy Osbourne podia não ser o melhor vocalista do mundo, mas já era dono de um carisma inigualável. A cozinha formada por Terry “Geezer” Butler e Bill Ward era ainda bastante coesa e inspirada. Foi apenas questão de tempo então até conseguirem se firmar no cenário. Após algumas apresentações com o novo nome e a divulgação de um single (“Evil Woman”), conseguem um contrato com a gravadora Vertigo para lançar seu primeiro trabalho, que fora gravado e mixado em, acreditem, apenas três dias, tendo a produção assinada por Rodger Bain.
Para dar uma atmosfera mais sombria, o ótimo disco de estréia, que levava o próprio nome da banda, foi lançado em uma sexta-feira 13, em fevereiro de 1970. A capa do play já era extremamente assustadora para a época (na época, muitos juravam ser uma foto real de uma bruxa). Ao colocar o vinil para rolar, então, muitos já sentiam todos os calafrios possíveis: a introdução da faixa “Black Sabbath”, que dava início a tudo, com aquele barulho de sino ao fundo de uma chuva torrencial, precedia um riff magistral de guitarra (tocando o que no mundo medieval era chamado de “a escala proibida”, pois se acreditava que aquela sequência de acordes o demônio era invocado). Era de arrepiar até os mais céticos. E quando Ozzy começa a cantar “O que é isso que se depara diante de mim?”... Mas o álbum não se resume apenas a isso, afinal ele tinha ainda outros grandes momentos, como a clássica “N.I.B.” (alguém se arrisca sobre o que significa a sigla?), “The Wizard”, “Wicked World”... A produção crua ajudava ainda mais no clima. A crítica especializada, entretanto, caiu matando. O famoso Lester Bangs (o mesmo que foi retratado no filme “Quase Famosos”) citava em sua resenha: “parece com o Cream, só que muito piorado”. De qualquer forma, conseguiu boa repercussão.
Após alguns shows, o Sabbath voltaria a estúdio ainda naquele mesmo ano. Com várias canções prontas, compostas durante a turnê (como era praxe na época), reúnem-se com o produtor Rodger Bain e, em poucos dias novamente, gravam seu segundo álbum e aquele que, para muitos, é sua melhor obra até hoje. Inicialmente o vinil levaria o nome de “War Pigs”, a clássica faixa que abre o trabalho, num protesto claro contra a guerra do Vietnã – tanto que a capa trazia um soldado estilizado, de capacete, espada e escudo nas mãos. Com medo de alguma represália ou censura, atendem aos pedidos da gravadora e mudam o nome, batizando-o com o título de uma nova canção que, segundo o baterista Bill Ward, foi totalmente composta em pouco mais de vinte minutos no próprio estúdio: “Paranoid”. Compõem o registro, ainda, a psicodélica “Planet Caravan”, a antológica “Iron Man” (e um dos riffs de guitarra mais tocados até hoje na história), a instrumental “Rat Salad”, “Electric Funeral”, “Fairies Wear Boots”... Que discaço, não? Não é à toa que Billy Corgan, do Smashing Pumpkins, declarou: “ouvir os primeiros discos do Black Sabbath foram os momentos mais sublimes da minha vida”. Como não poderia deixar de ser, a carreira do Sabbath daí pra frente engrenou de vez, tendo criado ainda outras grandes obras, seja com Ozzy ou sem ele, até os dias atuais – mesmo usando outro nome, para evitar conflitos judiciais.
DEEP PURPLE
Embora só tenha conhecido de fato o sucesso em 1970, o Deep Purple já tinha uma boa história pra contar. Formado em 1966, o quinteto trazia em sua formação nos primeiros trabalhos de estúdio os fundadores Ian Paice na bateria, Jon Lord nos teclados e Ritchie Blackmore nas seis cordas, tendo o time completado pelo vocalista Rod Evans e pelo baixista Nick Simper. O nome do grupo, como se sabe, foi retirado de uma antiga canção romântica que a avó de Blackmore gostava bastante. Contratados pela Harvest, gravadora subsidiária da gigante EMI, lançaram três álbuns de estúdio, “Shades Of Deep Purple”, “The Book Of Talesyn” e “Deep Purple”. Tiveram um único e modesto hit, a regravação de “Hush”, de Joe South, que fazia parte de seu primeiro trabalho – que continha ainda covers de “Help!”, dos Beatles, e “Hey Joe”, popularizada por Jimi Hendrix.
Em 1969 ocorre uma mudança crucial no histórico da banda: a entrada dos ex-membros do Episode Six, o vocalista Ian Gillan e o baixista Roger Glover, substituindo Evans e Simper. Lançam o ousado álbum ao vivo “Concert For Group And Orchestra”, gravado no Royal Albert Hall, já com a nova formação, mas não conseguem muito êxito comercial. Porém nos palcos que sua reputação era cada vez mais elogiada, com comentadas performances elétricas e contagiantes – em especial Blackmore, cada vez mais alucinado e influenciado por Jimi Hendrix, trocando de vez sua velha Gibson Semi-Acústica pela Fender Stratocaster e desenvolvendo gradativamente sua “atuação” nos extensos improvisos instrumentais, onde girava, pisava e jogava para o alto o instrumento. Como estavam prestes a lançar um novo trabalho, com a nova formação, que tal então tentar levar toda essa energia para o estúdio?
Trabalhando junto a jovens engenheiros de som, como Andy Knight, Phil McDonald e Martin Birch (que se tornaria colaborador fixo da banda naquela década, bem como do Rainbow, Whitesnake e Iron Maiden anos depois), o Purple passa a tocar e gravar “ao vivo em estúdio” e aposta suas fichas numa sonoridade mais agressiva e pesada (onde, inclusive, o órgão Hammond de Lord passou a ser ligado simultaneamente em uma caixa Leslie e em um amplificador de guitarras Marshall – ganhando seu som característico e o carinhoso apelido de “A Besta”). Destaque também para as notas altíssimas que podiam ser atingidas por Gillan, além de seu timbre espetacular, e para a ótima cozinha formada por Glover e Paice, fazendo um ótimo pano de fundo para os solos intrincados da dupla Blackmore/Lord. O resultado foi “Deep Purple In Rock”, que veio ao mundo em junho de 1970 e foi uma verdadeira porrada na cara dos mais conformistas.
A abertura ensurdecedora com “Speed King” já era garantia absoluta para incomodar qualquer vizinhança. A épica “Child In Time” até hoje é considerada uma de suas melhores músicas. Isso tudo sem falar em “Bloodsucker”, “Into The Fire”, a empolgante “Flight Of The Rat”, “Living Wreck” e a pesadíssima “Hard Lovin’ Man” (“dedicada” a Birch). Complementando tudo, uma capa inesquecível, com os rostos dos integrantes da banda substituindo os presidentes americanos no monte Rushmore. Ah sim, faltou ainda falar de “Black Night”, que havia sido lançada paralelamente como single e foi um hit absoluto, mas ficou de fora do álbum por causa da limitação de espaço enfrentada em tempos de vinil. “In Rock” merece o status de obra-prima, sem dúvida. Bruce Dickinson, por exemplo, já afirmou diversas vezes que este é seu disco favorito de todos os tempos. Jon Lord sempre cita-o como o melhor trabalho do Purple.
Mas o álbum não é uma unanimidade como o melhor disco da banda entre os fãs do quinteto: para a maioria o título fica com “Machine Head”, lançado dois anos depois (entre eles houve ainda o ótimo “Fireball”). O famigerado álbum gravado no saguão de um hotel abandonado em Montreux, na Suíça, com um estúdio móvel dos Rolling Stones, traz uma relação de sete músicas que falam por si próprias: “Highway Star”, “Pictures Of Home”, “Maybe I’m a Leo”, “Never Before”, “Smoke On The Water”, “Space Truckin’” e “Lazy”. Clássico absoluto e incontestável do rock and roll. Existe alguém no mundo que já teve uma guitarra nas mãos e nunca tentou tocar o riff de “Smoke On The Water”? O curioso é que a canção, uma espécie de diário de bordo resumido das gravações, inicialmente não foi a grande aposta do disco. Tanto que o primeiro single foi “Never Before”, que trazia em seu lado B a bela “When a Blind Man Cries”, executada até hoje nos shows da banda. Produção da própria banda, mais uma vez, sob a tutela de Martin Birch. Foi nesta turnê que o Purple gravou o antológico álbum ao vivo “Made In Japan”, outro álbum obrigatório de sua extensa discografia.
40 ANOS DE METAL
40 anos. Mesmo não sendo mais criança e já tendo cabelos grisalhos, o heavy metal continua aí, incomodando muita gente e sendo fonte de alegrias e inspiração para os seus milhões de fãs e seguidores ao redor do mundo. E mesmo com sua data de aniversário correta ainda gerando divergências e debates, é um fato a ser celebrado, com o volume bem alto, e com as mãos para o alto, fazendo os indefectíveis “chifres” do “mallochio”, tão difundido por Ronnie James Dio (essa já é mais uma outra história...).
Para encerrar, fica uma sugestão ao leitor: caso ainda não tenha assistido, vale a pena ver o excelente documentário “Metal – Uma Jornada Pelo Mundo do Heavy Metal”, de Sam Dunn e Scot McFadyen, que traça e explora uma verdadeira árvore genealógica do gênero. E aos leitores mais jovens: se por um acaso você ainda não tem nenhum dos citados registros em sua humilde coleção, ou nunca sequer ouviu nenhum deles, trate de recuperar este tempo perdido... Compre, empreste, grave, faça um download, mas não fique jamais sem conhecer estas verdadeiras enciclopédias do rock.
P.S.: Pra matar de vez a dúvida, a sigla “N.I.B.” não significa “Nativity In Black”, como a maioria acha que seja, principalmente depois do lançamento de dois tributos ao Black Sabbath levando este nome. De acordo com Tony Iommi, o título foi simplesmente uma referência à barbicha que Bill Ward tinha, e que se parecia com a ponta de um pincel fino, daqueles usados pelos artistas plásticos para assinar seus quadros, cujo nome em inglês é “pen-nib”. Como o “tinhoso” popularmente é conhecido por ostentar um cavanhaque parecido, e a canção é escrita do ponto de vista dele, criou-se a misteriosa sigla para atiçar as mentes dos ouvintes.
Fontes de pesquisa para a matéria: Wikipedia, Whiplash, Rolling Stone, LedZeppelin.com, BlackSabbath.com, Deep-Purple.com
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Curiosidades do mundo do Rock
A Última Noite (A Prairie Home Companion)
* (A Prairie Home Companion)
* ano de lançamento ( EUA ) : 2006
* direção: Robert Altman
* atores: Woody Harrelson , Tommy Lee Jones , Garrison Keillor , Kevin Kline , John C. Reilly
* duração: 01 hs 45 min
descrição
Uma série de catástrofes ocorrem nos bastidores da última transmissão de um popular programa de rádio. Dirigido por Robert Altman (M.A.S.H.) e com Meryl Streep, Kevin Kline, Woody Harrelson, Lindsay Lohan, Tommy Lee Jones, John C. Reilly e Lily Tomlin no elenco.
sinopse:
Um show de variedades no rádio chamado "A Prairie Home Companion" faz sucesso há muito tempo. Acompanhado por milhões de ouvintes, o programa inclui apresentações ao vivo de bandas e cantores, falsos comerciais e anedotas da pequena vila Lake Wobegon, em Minnesota. O prédio da emissora foi vendido e agora o novo dono quer derrubá-lo para fazer um estacionamento. Durante a última transmissão acontece uma série de catástrofes nos bastidores e paixões secretas, mal-entendidos e casos amorosos começam a dominar o elenco do show.
ficha técnica:
* título original:A Prairie Home Companion
* gênero:Comédia
* duração:01 hs 45 min
* ano de lançamento:2006
* site oficial:http://www.aprairiehomecompanionmovie.com/
* estúdio:GreeneStreet Films / Prairie Home Productions / Sandcastle 5 Productions / River Road Entertainment
* distribuidora:Picturehouse
* direção: Robert Altman
* roteiro:Garrison Keillor, baseado em estória de Garrison Keillor e Ken LaZebnik e em programa de rádio de Garrison Keillor
* produção:Robert Altman, Wren Arthur, Joshua Astrachan, Tony Judge e David Levy
* música:
* fotografia:Edward Lachman
* direção de arte:
* figurino:Catherine Marie Thomas
* edição:Jacob Craycroft
* efeitos especiais:
elenco:
* Woody Harrelson (Dusty)
* Tommy Lee Jones (Axeman)
* Garrison Keillor (G.K.)
* Kevin Kline (Guy Noir)
* John C. Reilly (Lefty)
* Maya Rudolph (Molly)
* Meryl Streep (Yolanda Jackson)
* Lily Tomlin (Rhonda Jackson)
* L.Q. Jones (Chuck Akers)
* Sue Scott (Donna)
* Tim Russell (Al) Virginia Madsen (Mulher perigosa)
* Marylouise Burke
* Prudence Johnson
* Pat Donohue
* Lindsay Lohan (Lola Johnson)
curiosidades
- Devido a problemas de saúde o diretor Robert Altman não pôde concluir as filmagens de A Última Noite
. Para substituí-lo foi contratado Paul Thomas Anderson, que é mencionado nos créditos finais com um agradecimento especial.
– O personagem Guy Noir foi oferecido a George Clooney, que não pôde aceitá-lo devido a conflitos de agenda.
– Inicialmente seria Michelle Pfeiffer quem interpretaria a mulher perigosa, mas a atriz deixou o projeto posteriormente.
– Tom Waits e Lyle Lovett foram originalmente escalados para interpretar os cowboys cantores Lefty e Dusty.
– Lindsay Lohan insistiu muito para integrar o elenco deA Última Noite
, mesmo com o roteiro original não disponibilizando nenhum personagem para que interpretasse. A personagem Lola foi escrita especialmente para a atriz, recebendo este nome como referência à música “Whatever Lola Wants, Lola Gets”.
– Este é o 4º filme em que o diretor Robert Altman e a atriz Lily Tomlin trabalham juntos. Os anteriores foram Nashville(1975), O Jogador (1992) e Short Cuts – Cenas da Vida (1993).
– Maya Rudolph, que interpreta uma personagem grávida em A Última Noite, estava realmente grávida no período das filmagens.
– Os integrantes do elenco realmente cantaram e tocaram instrumentos ao rodar suas cenas para A Última Noite
. As performances musicais ocorreram durante as filmagens e não foram pré-gravadas e inseridas posteriormente, como normalmente acontece no cinema.
– Robert Altman não gostava da personagem da mulher perigosa e, devido a isso, reduziu bastante sua participação no roteiro. Foi Virginia Madsen, intérprete da personagem, quem convenceu a Altman a manter a personagem com o destaque que tinha originalmente.
- Último filme de Robert Altman. – Exibido na mostra Panorama do Cinema Mundial, no Festival do Rio 2006.
– O orçamento de A Última Noite foi de US$ 10 milhões.
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Filmes sobre Rock
Hoje na história do Rock no mundo - 01/10
Pink Floyd faz primeira turnê pelos EUA
[01/10/1967] Há 42 anos
O Pink Floyd desembarca em Nova York para fazer sua primeira turnê pelos Estados Unidos. Naquele momento, eles nem imaginavam que a viagem seria tão curta. A dependência de Syd Barrett em LSD e sua postura frente aos meios de comunicação norte-americanos fez com que a maioria dos shows fossem cancelados.
Jimi Hendrix é cremado em Renton, nos EUA
[01/10/1970] Há 39 anos
Há quase duas semanas da morte de Jimi Hendrix, em Londres, na Inglaterra, acontece o velório do guitarrista na Igreja Batista de Dunlap, em Renton, Washington, mesmo local onde ele havia visto o tio tocar órgão durante a infância. Depois, Hendrix seria cremado perto dali, no cemitério de Greenwood.
David Bowie começa vida nova na Alemanha
[01/10/1976] Há 33 anos
Enquanto a coletânea "Changesonebowie" figurava entre os 10 álbuns mais vendidos na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, David Bowie muda-se para o distrito de Schöneberg, em Berlim, na antiga Alemanha Ocidental, buscando uma vida de semi-reclusão por três anos. Neste período, ele recebeu a visita de Iggy Pop e os dois concordaram (com sucesso) em abandonar o vício da cocaína.
Filme de Paul Simon chega aos cinemas
[01/10/1980] Há 29 anos
O filme semi-autobiográfico de Paul Simon, "One-Trick Pony", chega aos cinemas norte-americanos, onde alcança uma bilheteria superior a esperada. Além da participação do próprio Paul Simon, é lógico, a fita contou com ilustres convidados, incluindo Lou Reed, B-52's e o recém-formado Lovin' Spoonful.
ABBA ganha selo na Suécia
[01/10/1983] Há 26 anos
O correio da Suécia lança o selo do ABBA, em reconhecimento ao valor cultural prestado pelos integrantes do grupo, em quase duas décadas.
BBC exibe gravações raras dos Beatles
[01/10/1988] Há 21 anos
A Radio 1 da BBC resgata gravações raríssimas dos Beatles e exibe um especial em 14 partes chamado "The Beeb's Lost Beatles Tapes". No mesmo ano, o especial foi eleito pela Sony National Radio Award, como o melhor programa de rádio britânico de rock e pop.
[01/10/1967] Há 42 anos
O Pink Floyd desembarca em Nova York para fazer sua primeira turnê pelos Estados Unidos. Naquele momento, eles nem imaginavam que a viagem seria tão curta. A dependência de Syd Barrett em LSD e sua postura frente aos meios de comunicação norte-americanos fez com que a maioria dos shows fossem cancelados.
Jimi Hendrix é cremado em Renton, nos EUA
[01/10/1970] Há 39 anos
Há quase duas semanas da morte de Jimi Hendrix, em Londres, na Inglaterra, acontece o velório do guitarrista na Igreja Batista de Dunlap, em Renton, Washington, mesmo local onde ele havia visto o tio tocar órgão durante a infância. Depois, Hendrix seria cremado perto dali, no cemitério de Greenwood.
David Bowie começa vida nova na Alemanha
[01/10/1976] Há 33 anos
Enquanto a coletânea "Changesonebowie" figurava entre os 10 álbuns mais vendidos na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, David Bowie muda-se para o distrito de Schöneberg, em Berlim, na antiga Alemanha Ocidental, buscando uma vida de semi-reclusão por três anos. Neste período, ele recebeu a visita de Iggy Pop e os dois concordaram (com sucesso) em abandonar o vício da cocaína.
Filme de Paul Simon chega aos cinemas
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ABBA ganha selo na Suécia
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BBC exibe gravações raras dos Beatles
[01/10/1988] Há 21 anos
A Radio 1 da BBC resgata gravações raríssimas dos Beatles e exibe um especial em 14 partes chamado "The Beeb's Lost Beatles Tapes". No mesmo ano, o especial foi eleito pela Sony National Radio Award, como o melhor programa de rádio britânico de rock e pop.
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Curiosidades do mundo do Rock,
Historia
Hoje na história do Rock Brasileiro - 01/10
- 1970: Nasceu Marco Antônio de Brito Junior, o Marcão, ex-guitarrista do Charlie Brown Jr.
ATENÇÃO - 1983: A banda carioca João Penca & Seus Miquinhos Amestrados lançou o primeiro disco Os Maiores Sucessos de João Penca & Seus Miquinhos Amestrados. Os destaques são “Telma Eu Não Sou Gay” (com Ney Matogrosso), “M”, “Edmundo” e “Psicodelismo em Ipanema”. Clássico absoluto!!! Um dos maiores absurdos esse disco até hoje não ter sido editado em CD.
Se não tem CD oficial, então...
http://rapidshare.com/files/78086552/Joao_Penca___Seus_Miquinhos_Amestrados__1983__Os_Maiores_Sucessos__by_Brasilmidia.rar
senha: www.newbrasilmidia.blogspot.com
http://efemeridesrockbrasileiro.blogspot.com
ATENÇÃO - 1983: A banda carioca João Penca & Seus Miquinhos Amestrados lançou o primeiro disco Os Maiores Sucessos de João Penca & Seus Miquinhos Amestrados. Os destaques são “Telma Eu Não Sou Gay” (com Ney Matogrosso), “M”, “Edmundo” e “Psicodelismo em Ipanema”. Clássico absoluto!!! Um dos maiores absurdos esse disco até hoje não ter sido editado em CD.
Se não tem CD oficial, então...
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